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Crescimento difere de desenvolvimento

Se a riqueza gerada não for distribuída de forma equitativa, não há desenvolvimento


Alexandre Borbely

15/12/2013 | 07:05


Desde o século 18 a riqueza das nações é um tema muito debatido no ambiente econômico. A questão central, cujo estudo teve início com o grande filósofo e economista Adam Smith, está em entender o porquê de alguns países serem tão ricos e outros não terem as mesmas condições de riqueza.

Na segunda metade do século 20, mais precisamente a partir do Pós-Guerra, o tema em questão ganhou grande importância e seu debate passou a ser mais aprofundado. Passamos a discutir, por exemplo, por que alguns países que crescem em termos econômicos não refletem este crescimento nas condições de vida de sua população.

Sem dúvida, podemos salientar que há diferença grande entre um país crescer economicamente e um país se tornar desenvolvido economicamente.

O crescimento econômico está associado a fatores quantitativos. Ou seja, quando um país passa a produzir uma quantidade maior de bens e serviços para a sua sociedade e para outros países, ao qual fornecerá por meio das exportações.

Em outros termos, o crescimento produtivo é medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) de um país. Quando o PIB cresce, significa que há um maior nível de produção. Assim, as empresas contratam mais funcionários, mais pessoas passam a receber salários, e isso permite que as famílias passem a consumir mais bens e serviços. Consequentemente, esse fluxo continua gerando uma cadeia de mais produção e mais crescimento econômico. Já o desenvolvimento econômico é algo mais profundo. Está diretamente ligado a aspectos e fatores qualitativos. Ou seja, além do crescimento econômico, envolve também a melhoria no padrão de vida da população, a melhoria da qualidade de vida das pessoas e, também, mudanças de cunho estrutural da economia de um país.

Para o desenvolvimento econômico, o crescimento é uma condição necessária, mas não suficiente. Se a riqueza gerada não for distribuída de forma equitativa, não refletindo em melhoria no padrão de vida da sociedade, não há desenvolvimento.

Além disso, a má distribuição da riqueza reflete-se nas desigualdades sociais de um país, o que impede o desenvolvimento de uma sociedade em termos econômicos.

No Pós-Guerra, a população dos países europeus passou a cobrar maior eficiência do governo na gestão dos gastos públicos. Ou seja, a população, após tanto sofrimento, passou a cobrar maiores investimentos voltados aos interesses sociais. Por sua vez, o setor público investiu maciçamente em Educação, Saúde, Habitação e Transporte de qualidade. Também foram realizados grandes investimentos na infraestrutura produtiva.

Esses países, hoje desenvolvidos, possuem alto nível de qualidade de vida para a sua população. Produzem bens de alto valor agregado, resultado dos grandes investimentos em Educação de qualidade, durante muitos anos. A expectativa de vida nestes países é elevada. Também fruto dos investimentos realizados, durante muitos anos, em Saúde, saneamento básico e Habitação de qualidade.

Em um cenário muito diferente encontramos países com extrema carência e falta de perspectivas para a população de uma forma geral. É o caso, por exemplo, de Serra Leoa. Esse país é considerado o mais pobre do mundo pelos critérios e indicadores de desenvolvimento humano divulgados pelo Banco Mundial. Infelizmente, diversos outros países possuem baixo nível de desenvolvimento econômico. Eles sofrem com falta de investimentos nas áreas mais básicas da sociedade, refletindo em elevadas taxas de mortalidade infantil, fome e baixa expectativa de vida.

O desperdício de recursos é outro obstáculo ao desenvolvimento. Muitas vezes priorizam-se gastos militares excessivos, ou ainda a corrupção, ou a especulação financeira, enfim, esses desperdícios deixam de lado o mais importante, a vida da população.

A população, sempre, deve ser priorizada. Só assim veremos uma sociedade verdadeiramente desenvolvida.
 



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Crescimento difere de desenvolvimento

Se a riqueza gerada não for distribuída de forma equitativa, não há desenvolvimento

Alexandre Borbely

15/12/2013 | 07:05


Desde o século 18 a riqueza das nações é um tema muito debatido no ambiente econômico. A questão central, cujo estudo teve início com o grande filósofo e economista Adam Smith, está em entender o porquê de alguns países serem tão ricos e outros não terem as mesmas condições de riqueza.

Na segunda metade do século 20, mais precisamente a partir do Pós-Guerra, o tema em questão ganhou grande importância e seu debate passou a ser mais aprofundado. Passamos a discutir, por exemplo, por que alguns países que crescem em termos econômicos não refletem este crescimento nas condições de vida de sua população.

Sem dúvida, podemos salientar que há diferença grande entre um país crescer economicamente e um país se tornar desenvolvido economicamente.

O crescimento econômico está associado a fatores quantitativos. Ou seja, quando um país passa a produzir uma quantidade maior de bens e serviços para a sua sociedade e para outros países, ao qual fornecerá por meio das exportações.

Em outros termos, o crescimento produtivo é medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) de um país. Quando o PIB cresce, significa que há um maior nível de produção. Assim, as empresas contratam mais funcionários, mais pessoas passam a receber salários, e isso permite que as famílias passem a consumir mais bens e serviços. Consequentemente, esse fluxo continua gerando uma cadeia de mais produção e mais crescimento econômico. Já o desenvolvimento econômico é algo mais profundo. Está diretamente ligado a aspectos e fatores qualitativos. Ou seja, além do crescimento econômico, envolve também a melhoria no padrão de vida da população, a melhoria da qualidade de vida das pessoas e, também, mudanças de cunho estrutural da economia de um país.

Para o desenvolvimento econômico, o crescimento é uma condição necessária, mas não suficiente. Se a riqueza gerada não for distribuída de forma equitativa, não refletindo em melhoria no padrão de vida da sociedade, não há desenvolvimento.

Além disso, a má distribuição da riqueza reflete-se nas desigualdades sociais de um país, o que impede o desenvolvimento de uma sociedade em termos econômicos.

No Pós-Guerra, a população dos países europeus passou a cobrar maior eficiência do governo na gestão dos gastos públicos. Ou seja, a população, após tanto sofrimento, passou a cobrar maiores investimentos voltados aos interesses sociais. Por sua vez, o setor público investiu maciçamente em Educação, Saúde, Habitação e Transporte de qualidade. Também foram realizados grandes investimentos na infraestrutura produtiva.

Esses países, hoje desenvolvidos, possuem alto nível de qualidade de vida para a sua população. Produzem bens de alto valor agregado, resultado dos grandes investimentos em Educação de qualidade, durante muitos anos. A expectativa de vida nestes países é elevada. Também fruto dos investimentos realizados, durante muitos anos, em Saúde, saneamento básico e Habitação de qualidade.

Em um cenário muito diferente encontramos países com extrema carência e falta de perspectivas para a população de uma forma geral. É o caso, por exemplo, de Serra Leoa. Esse país é considerado o mais pobre do mundo pelos critérios e indicadores de desenvolvimento humano divulgados pelo Banco Mundial. Infelizmente, diversos outros países possuem baixo nível de desenvolvimento econômico. Eles sofrem com falta de investimentos nas áreas mais básicas da sociedade, refletindo em elevadas taxas de mortalidade infantil, fome e baixa expectativa de vida.

O desperdício de recursos é outro obstáculo ao desenvolvimento. Muitas vezes priorizam-se gastos militares excessivos, ou ainda a corrupção, ou a especulação financeira, enfim, esses desperdícios deixam de lado o mais importante, a vida da população.

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