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Há 37 anos, lar acolhe menores de Diadema

Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Abrigo localizado no Jd.Paineiras atende a 53 crianças e jovens com idade entre 3 e 18 anos


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

24/11/2013 | 07:00


Criado há 37 anos pelas irmãs Lazara e Luiza Silveira Pacheco para acolher moradores de rua, o Lar São José, em Diadema, tornou-se referência no abrigo de menores em situação de vulnerabilidade ou sem familiares. O espaço, instalado no Jardim Paineiras, atende atualmente a 53 crianças com idade entre 3 e 18 anos.

Desde sua fundação, o abrigo conta com auxílio da comunidade. A sede foi construída em 1996 graças à doação do terreno por uma colaboradora da entidade e ao trabalho de grupo de israelitas da cidade. “Quando assumi a coordenação da entidade, em 2001, tivemos muita dificuldade de provar que a área era nossa e organizar a casa”, lembra a coordenadora geral do lar, Margarete Lira.

Apesar de ainda funcionar nos moldes de orfanato, tendo em vista a existência de um único prédio com quartos, refeitório e cozinha, sala de televisão e de estudos, biblioteca, área de convivência e parte administrativa, a unidade é referência para o acolhimento de crianças e jovens que sofrem negligência e maus-tratos. A maioria dos abrigados é encaminhada pelo poder Judiciário ou Conselho Tutelar da cidade.

“Trabalhamos para dar proteção integral às crianças e adolescentes de ambos os sexos, muitas vezes vítimas de violência doméstica, tanto física quanto sexual”, explica Margarete. São oferecidos desde cuidados básicos, como alimentação, vestimenta, habitação e educação, até atendimento psicológico, reforço escolar, tratamento médico, odontológico e oftalmológico, oficinas de capoeira e basquete, além de atividades externas, como passeios e visitas a centros culturais. “Somos uma família grande. Eles criam vínculos e tanto protegem uns aos outros quanto brigam feito irmãos”, ressalta a coordenadora geral.

O Lar São José proporciona às crianças e jovens sistema de moradia provisória, que pode demorar dias ou anos. “Temos casos em que não é possível o retorno para a família de origem nem para a família estendida ou adoção, então eles permanecem até os 18 anos”, diz Margarete.

E assim como em toda casa onde vive uma família há regras, no abrigo não poderia ser diferente. “Eles vão para a escola, cada um tem seus pertences, como sabonete, pasta de dente, sapatos e roupas e não podemos deixar que namorem, apesar de ser difícil controlar”, brinca a coordenadora geral, tida por todos como uma mãezona.

Depois de 12 anos de trabalho, Margarete destaca a meta de proporcionar aos ‘filhos sociais’ um futuro digno. “Meu sonho era que todos tivessem a oportunidade de conviver em família, mas como isso não é possível, que pelo menos eles saiam daqui com um emprego definido.”

Para Margarete, já pode ser considerado vitorioso o fato de saber que a maior parte dos abrigados não trilhou os caminhos do crime. “Quero continuar a atender com qualidade e respeitando a lei. Minha vontade é ter condições de evitar a separação de irmãos, que hoje ainda é minha principal frustração”, ressalta.

Jovens superam passado difícil e traçam planos para o futuro

Há cinco anos, o estudante do 7º ano do Ensino Fundamental W.F.R, 15 anos, passou a ter atenção, roupas adequadas e alimentação diariamente. Segundo o garoto, que procurou ajuda da coordenadora geral do Lar São José, Margarete Lira, na tentativa de sair da casa da avó que o agredia, sua vida está melhor.

“Gosto de morar aqui. A gente vive como se fosse irmão e, não fosse isso, estaria na rua, sofrendo”, revela o jovem, que não conheceu o pai. Ao contar sua história, o garoto não consegue conter as lágrimas. “Minha mãe está presa e minha avó me agredia. Ninguém da minha família me aceitou e essas pessoas que nem têm o meu sangue estão me ajudando.”

A adaptação e o carinho pelo abrigo são tão grandes que o menino não quis ser adotado quando soube que não poderia mais ter contato com os companheiros de lar e funcionários da entidade. Seus planos futuros não envolvem a família. “Não gosto de falar com nenhum deles”, confessa. A meta é ingressar em um curso de desenho, sua paixão e distração nas horas vagas, e tornar-se designer gráfico ou, quem sabe, engenheiro.

RECOMEÇO

Desde que chegou ao lar, há apenas três meses, a estudante S.H., 14, só pensa em voltar a morar com o filho, hoje com seis meses. Ambos foram separados e residem em abrigos distintos desde que saíram da casa do ex-companheiro da jovem e pai do bebê, após sofrer agressões.

“Já tenho um lugar no quarto para colocar o berço”, destaca a jovem, que tem nove irmãos, sendo que um deles também mora no lar. Apesar de o abrigo não ser a morada de seus sonhos, é seguro, algo que já é considerado suficiente por ela.

Doações e eventos completam orçamento

Se a manutenção de uma família não é fácil, imagine dar conta das despesas de um abrigo para menores. Não fosse a participação da sociedade civil, por meio de doações de produtos de higiene, material de limpeza e alimentos não perecíveis, além da realização de eventos e bazares e contribuições de parceiros, o Lar São José já teria fechado as portas.

Mensalmente, a entidade conta com repasse de R$ 48 mil da Prefeitura de Diadema, porém, tem gastos de R$ 60 mil. “Também já contamos com verba vinda de emendas parlamentares, responsáveis pela compra da van e do mobiliário”, afirma a coordenadora geral do abrigo, Margarete Lira.

A entidade mantém 33 funcionários, sendo que pelo menos três exercem suas funções durante a madrugada. “Recebemos muitas doações, mas tem coisas que temos que comprar, como os alimentos perecíveis, além de ter de arcar com a despesa de RH (Recursos Humanos)”, explica.

Apesar de funcionar com mais abrigados do que sua capacidade comporta – tem 53 pessoas e espaço adequado para atender até 40 – a unidade não pode negar o recebimento dos menores, explica Margarete. “Desde que o antigo Espaço Jovem foi fechado, em 2010, acabamos comportando essa demanda”, diz.

Segundo Margarete, a saída para dar continuidade aos trabalhos é não ficar de braços cruzados. “Organizamos nossas campanhas e corremos atrás de doações.”



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Há 37 anos, lar acolhe menores de Diadema

Abrigo localizado no Jd.Paineiras atende a 53 crianças e jovens com idade entre 3 e 18 anos

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

24/11/2013 | 07:00


Criado há 37 anos pelas irmãs Lazara e Luiza Silveira Pacheco para acolher moradores de rua, o Lar São José, em Diadema, tornou-se referência no abrigo de menores em situação de vulnerabilidade ou sem familiares. O espaço, instalado no Jardim Paineiras, atende atualmente a 53 crianças com idade entre 3 e 18 anos.

Desde sua fundação, o abrigo conta com auxílio da comunidade. A sede foi construída em 1996 graças à doação do terreno por uma colaboradora da entidade e ao trabalho de grupo de israelitas da cidade. “Quando assumi a coordenação da entidade, em 2001, tivemos muita dificuldade de provar que a área era nossa e organizar a casa”, lembra a coordenadora geral do lar, Margarete Lira.

Apesar de ainda funcionar nos moldes de orfanato, tendo em vista a existência de um único prédio com quartos, refeitório e cozinha, sala de televisão e de estudos, biblioteca, área de convivência e parte administrativa, a unidade é referência para o acolhimento de crianças e jovens que sofrem negligência e maus-tratos. A maioria dos abrigados é encaminhada pelo poder Judiciário ou Conselho Tutelar da cidade.

“Trabalhamos para dar proteção integral às crianças e adolescentes de ambos os sexos, muitas vezes vítimas de violência doméstica, tanto física quanto sexual”, explica Margarete. São oferecidos desde cuidados básicos, como alimentação, vestimenta, habitação e educação, até atendimento psicológico, reforço escolar, tratamento médico, odontológico e oftalmológico, oficinas de capoeira e basquete, além de atividades externas, como passeios e visitas a centros culturais. “Somos uma família grande. Eles criam vínculos e tanto protegem uns aos outros quanto brigam feito irmãos”, ressalta a coordenadora geral.

O Lar São José proporciona às crianças e jovens sistema de moradia provisória, que pode demorar dias ou anos. “Temos casos em que não é possível o retorno para a família de origem nem para a família estendida ou adoção, então eles permanecem até os 18 anos”, diz Margarete.

E assim como em toda casa onde vive uma família há regras, no abrigo não poderia ser diferente. “Eles vão para a escola, cada um tem seus pertences, como sabonete, pasta de dente, sapatos e roupas e não podemos deixar que namorem, apesar de ser difícil controlar”, brinca a coordenadora geral, tida por todos como uma mãezona.

Depois de 12 anos de trabalho, Margarete destaca a meta de proporcionar aos ‘filhos sociais’ um futuro digno. “Meu sonho era que todos tivessem a oportunidade de conviver em família, mas como isso não é possível, que pelo menos eles saiam daqui com um emprego definido.”

Para Margarete, já pode ser considerado vitorioso o fato de saber que a maior parte dos abrigados não trilhou os caminhos do crime. “Quero continuar a atender com qualidade e respeitando a lei. Minha vontade é ter condições de evitar a separação de irmãos, que hoje ainda é minha principal frustração”, ressalta.

Jovens superam passado difícil e traçam planos para o futuro

Há cinco anos, o estudante do 7º ano do Ensino Fundamental W.F.R, 15 anos, passou a ter atenção, roupas adequadas e alimentação diariamente. Segundo o garoto, que procurou ajuda da coordenadora geral do Lar São José, Margarete Lira, na tentativa de sair da casa da avó que o agredia, sua vida está melhor.

“Gosto de morar aqui. A gente vive como se fosse irmão e, não fosse isso, estaria na rua, sofrendo”, revela o jovem, que não conheceu o pai. Ao contar sua história, o garoto não consegue conter as lágrimas. “Minha mãe está presa e minha avó me agredia. Ninguém da minha família me aceitou e essas pessoas que nem têm o meu sangue estão me ajudando.”

A adaptação e o carinho pelo abrigo são tão grandes que o menino não quis ser adotado quando soube que não poderia mais ter contato com os companheiros de lar e funcionários da entidade. Seus planos futuros não envolvem a família. “Não gosto de falar com nenhum deles”, confessa. A meta é ingressar em um curso de desenho, sua paixão e distração nas horas vagas, e tornar-se designer gráfico ou, quem sabe, engenheiro.

RECOMEÇO

Desde que chegou ao lar, há apenas três meses, a estudante S.H., 14, só pensa em voltar a morar com o filho, hoje com seis meses. Ambos foram separados e residem em abrigos distintos desde que saíram da casa do ex-companheiro da jovem e pai do bebê, após sofrer agressões.

“Já tenho um lugar no quarto para colocar o berço”, destaca a jovem, que tem nove irmãos, sendo que um deles também mora no lar. Apesar de o abrigo não ser a morada de seus sonhos, é seguro, algo que já é considerado suficiente por ela.

Doações e eventos completam orçamento

Se a manutenção de uma família não é fácil, imagine dar conta das despesas de um abrigo para menores. Não fosse a participação da sociedade civil, por meio de doações de produtos de higiene, material de limpeza e alimentos não perecíveis, além da realização de eventos e bazares e contribuições de parceiros, o Lar São José já teria fechado as portas.

Mensalmente, a entidade conta com repasse de R$ 48 mil da Prefeitura de Diadema, porém, tem gastos de R$ 60 mil. “Também já contamos com verba vinda de emendas parlamentares, responsáveis pela compra da van e do mobiliário”, afirma a coordenadora geral do abrigo, Margarete Lira.

A entidade mantém 33 funcionários, sendo que pelo menos três exercem suas funções durante a madrugada. “Recebemos muitas doações, mas tem coisas que temos que comprar, como os alimentos perecíveis, além de ter de arcar com a despesa de RH (Recursos Humanos)”, explica.

Apesar de funcionar com mais abrigados do que sua capacidade comporta – tem 53 pessoas e espaço adequado para atender até 40 – a unidade não pode negar o recebimento dos menores, explica Margarete. “Desde que o antigo Espaço Jovem foi fechado, em 2010, acabamos comportando essa demanda”, diz.

Segundo Margarete, a saída para dar continuidade aos trabalhos é não ficar de braços cruzados. “Organizamos nossas campanhas e corremos atrás de doações.”

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