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Região reduz desigualdade no mercado de trabalho

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Taxa de desemprego dos negros se aproxima da
dos brancos e amarelos no Grande ABC


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

14/11/2013 | 07:14


A desigualdade racial no mercado de trabalho do Grande ABC vem diminuindo nos últimos anos, apesar de a diferença de rendimento ainda ser grande, aponta pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. De acordo com o levantamento, no biênio 2011-2012, a diferença entre a taxa de desemprego dos negros (que são os pretos e pardos) e a dos não negros (segmento que engloba brancos e amarelos) foi de 2,7 pontos percentuais, a menor da série histórica desse estudo, iniciado em 1998. Isso porque o índice dos não negros que estão em busca de ocupação ficou em 9,2%, enquanto o dos negros, em 11,9%. No período de 2002-2003, para se ter ideia, a distância era de 7,3 pontos percentuais, com os negros e pardos representando 24,6% dos desempregados; entre os brancos e amarelos 17,6% não tinham ocupação.

A redução da diferença entre os índices de desemprego mostrou que houve avanços, e isso não ocorreu pela saída de gente do mercado de trabalho, consequência do desestímulo à procura por emprego. A taxa de participação dos afrodescendentes de fato aumentou. Essa taxa, que é a relação entre a PEA (População Economicamente Ativa, ou seja, os que estão trabalhando à procura de emprego) e a PIA (População em Idade Ativa, que são os que têm mais de dez anos), no biênio 2009-2010 era de 62,3%, e subiu para 63% nos dois anos seguintes. Essa expansão aponta que mais pessoas entraram no mercado profissional. Pela mesma comparação, os não negros tiveram redução desse indicador, de 61% para 60,6%.

Outro dado que mostra que a desigualdade racial diminuiu um pouco: no período de 2009-2010, pretos e pardos com carteira assinada eram 51,8% dos ocupados e, no biênio posterior, saltaram para 54,7%. O total de brancos e amarelos com registro também aumentou de 54% para 55,5% em 2011-2012.

Para o gerente de pesquisas do Seade, Alexandre Loloian, o crescimento econômico da última década contribuiu para a redução desses diferenciais raciais. Ele pondera, entretanto, que só esse fator não é suficiente para resolver diferenças que ainda existem, como a maior presença de negros em ocupações que exigem menor qualificação. É o caso da área de alojamento e alimentação (restaurantes, bares e hotéis). Do total de negros no mercado de trabalho, 10,8% estão no setor.

O coordenador do grupo de trabalho de Igualdade Racial do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Leon Santos Padial, concorda que houve algum avanço, e que isso se deu, nos últimos anos, pela melhora da economia e aumentos do salário-mínimo e da oferta de crédito, somados a políticas públicas universalistas, entre as quais o Bolsa Família, que favoreceram o crescimento do poder aquisitivo de classes mais baixas, e pela adoção, por parte do governo, de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades.

Padial avalia, entretanto, que a inclusão educacional talvez ainda leve uns dez anos para ser melhor percebida no mercado de trabalho.

RENDIMENTO - A menor presença dos afrodescendentes em segmentos que exigem maior qualificação e de capital intensivo (mais tecnológicos) se reflete em distorção na renda. O rendimento médio dos negros é apenas 58,6% do que recebem os brancos e amarelos. Loloian cita que ainda há mais dificuldade de ascensão profissional, o que tem relação com o racismo. Ele destaca que, na entrada dos jovens no mercado, a diferença de rendimento é menor – o que se acentua ao longo da carreira, já que os negros e pardos ainda têm mais dificuldades para ampliar a escolaridade.



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Região reduz desigualdade no mercado de trabalho

Taxa de desemprego dos negros se aproxima da
dos brancos e amarelos no Grande ABC

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

14/11/2013 | 07:14


A desigualdade racial no mercado de trabalho do Grande ABC vem diminuindo nos últimos anos, apesar de a diferença de rendimento ainda ser grande, aponta pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. De acordo com o levantamento, no biênio 2011-2012, a diferença entre a taxa de desemprego dos negros (que são os pretos e pardos) e a dos não negros (segmento que engloba brancos e amarelos) foi de 2,7 pontos percentuais, a menor da série histórica desse estudo, iniciado em 1998. Isso porque o índice dos não negros que estão em busca de ocupação ficou em 9,2%, enquanto o dos negros, em 11,9%. No período de 2002-2003, para se ter ideia, a distância era de 7,3 pontos percentuais, com os negros e pardos representando 24,6% dos desempregados; entre os brancos e amarelos 17,6% não tinham ocupação.

A redução da diferença entre os índices de desemprego mostrou que houve avanços, e isso não ocorreu pela saída de gente do mercado de trabalho, consequência do desestímulo à procura por emprego. A taxa de participação dos afrodescendentes de fato aumentou. Essa taxa, que é a relação entre a PEA (População Economicamente Ativa, ou seja, os que estão trabalhando à procura de emprego) e a PIA (População em Idade Ativa, que são os que têm mais de dez anos), no biênio 2009-2010 era de 62,3%, e subiu para 63% nos dois anos seguintes. Essa expansão aponta que mais pessoas entraram no mercado profissional. Pela mesma comparação, os não negros tiveram redução desse indicador, de 61% para 60,6%.

Outro dado que mostra que a desigualdade racial diminuiu um pouco: no período de 2009-2010, pretos e pardos com carteira assinada eram 51,8% dos ocupados e, no biênio posterior, saltaram para 54,7%. O total de brancos e amarelos com registro também aumentou de 54% para 55,5% em 2011-2012.

Para o gerente de pesquisas do Seade, Alexandre Loloian, o crescimento econômico da última década contribuiu para a redução desses diferenciais raciais. Ele pondera, entretanto, que só esse fator não é suficiente para resolver diferenças que ainda existem, como a maior presença de negros em ocupações que exigem menor qualificação. É o caso da área de alojamento e alimentação (restaurantes, bares e hotéis). Do total de negros no mercado de trabalho, 10,8% estão no setor.

O coordenador do grupo de trabalho de Igualdade Racial do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Leon Santos Padial, concorda que houve algum avanço, e que isso se deu, nos últimos anos, pela melhora da economia e aumentos do salário-mínimo e da oferta de crédito, somados a políticas públicas universalistas, entre as quais o Bolsa Família, que favoreceram o crescimento do poder aquisitivo de classes mais baixas, e pela adoção, por parte do governo, de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades.

Padial avalia, entretanto, que a inclusão educacional talvez ainda leve uns dez anos para ser melhor percebida no mercado de trabalho.

RENDIMENTO - A menor presença dos afrodescendentes em segmentos que exigem maior qualificação e de capital intensivo (mais tecnológicos) se reflete em distorção na renda. O rendimento médio dos negros é apenas 58,6% do que recebem os brancos e amarelos. Loloian cita que ainda há mais dificuldade de ascensão profissional, o que tem relação com o racismo. Ele destaca que, na entrada dos jovens no mercado, a diferença de rendimento é menor – o que se acentua ao longo da carreira, já que os negros e pardos ainda têm mais dificuldades para ampliar a escolaridade.

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