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Motorista envolvido em morte de JK fala à CDH de MG



04/11/2013 | 20:15


O motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira voltou a chorar nesta segunda-feira, 4, ao contar que representantes da ditadura militar tentaram fazer com que ele assumisse a culpa pelo suposto acidente automobilístico que resultou na morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, em agosto de 1976. Oliveira, que completa 70 anos nesta quarta-feira, 6, era motorista de ônibus na ocasião e foi absolvido no processo em que foi acusado pelo fato. Ele prestou depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e confirmou que chegou a receber a oferta de "uma mala de dinheiro" para que assumisse a culpa.

"Não era pasta, não. Era mala mesmo. Disseram que se eu não pegasse (o dinheiro) aquilo ia render. Tentaram me comprar, mas não conseguiram", disse o aposentado, também já ouvido pela Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo. Chorando, ele contou também ter sido intimidado pelo delegado encarregado do caso e pelo juiz Gilson Vital Vitorino, que presidiu o processo sobre o caso em primeira instância, na comarca de Resende (RJ). Pela versão oficial divulgada pelo governo militar, o ônibus dirigido por Josias Oliveira bateu no Opala no qual estava JK e o carro do ex-presidente atingiu um caminhão na contramão. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu na ocasião.

Na audiência desta segunda estavam presentes também o presidente da Comissão paulistana, vereador Gilberto Natalini (PV), e os advogados Márcio Santiago e William Santos, da Comissão da Verdade da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que encaminharam a documentação sobre a morte de JK para a Comissão Nacional da Verdade par que o caso seja novamente investigado, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em maio. A suspeita é de que o acidente tenha ocorrido após Geraldo Ribeiro ser baleado na cabeça. A exumação do corpo do motorista e amigo pessoal do ex-presidente realizada em 1996 mostrou que ele tinha uma perfuração no crânio que a perícia alegou ter sido provocada por um prego do caixão. Um fragmento metálico foi encontrado, mas a peça teria desaparecido.

Oliveira contou que cinco anos após o caso pediu demissão, foi aposentado por invalidez e se separou da família. E disse que chegou a ser acusado até pelos colegas da Viação Cometa, onde trabalhava quando ocorreu o caso. "Eu ouvia de colegas que matei JK. Para mim, o Brasil só teve dois presidentes: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek", desabafou. Ao fim da audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo mineiro, deputado estadual Durval Ângelo (PT), afirmou que encaminhará à Comissão Nacional da Verdade pedido para que o governo federal faça um pedido forma de desculpas ao aposentado, que hoje vive em um abrigo para idosos em São Paulo. "Vamos pedir também o reajuste da aposentadoria de seu Josias", afirmou. Para o ex-motorista, porém, "nada paga" o que ele passou devido ao caso.



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Motorista envolvido em morte de JK fala à CDH de MG


04/11/2013 | 20:15


O motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira voltou a chorar nesta segunda-feira, 4, ao contar que representantes da ditadura militar tentaram fazer com que ele assumisse a culpa pelo suposto acidente automobilístico que resultou na morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, em agosto de 1976. Oliveira, que completa 70 anos nesta quarta-feira, 6, era motorista de ônibus na ocasião e foi absolvido no processo em que foi acusado pelo fato. Ele prestou depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e confirmou que chegou a receber a oferta de "uma mala de dinheiro" para que assumisse a culpa.

"Não era pasta, não. Era mala mesmo. Disseram que se eu não pegasse (o dinheiro) aquilo ia render. Tentaram me comprar, mas não conseguiram", disse o aposentado, também já ouvido pela Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo. Chorando, ele contou também ter sido intimidado pelo delegado encarregado do caso e pelo juiz Gilson Vital Vitorino, que presidiu o processo sobre o caso em primeira instância, na comarca de Resende (RJ). Pela versão oficial divulgada pelo governo militar, o ônibus dirigido por Josias Oliveira bateu no Opala no qual estava JK e o carro do ex-presidente atingiu um caminhão na contramão. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu na ocasião.

Na audiência desta segunda estavam presentes também o presidente da Comissão paulistana, vereador Gilberto Natalini (PV), e os advogados Márcio Santiago e William Santos, da Comissão da Verdade da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que encaminharam a documentação sobre a morte de JK para a Comissão Nacional da Verdade par que o caso seja novamente investigado, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em maio. A suspeita é de que o acidente tenha ocorrido após Geraldo Ribeiro ser baleado na cabeça. A exumação do corpo do motorista e amigo pessoal do ex-presidente realizada em 1996 mostrou que ele tinha uma perfuração no crânio que a perícia alegou ter sido provocada por um prego do caixão. Um fragmento metálico foi encontrado, mas a peça teria desaparecido.

Oliveira contou que cinco anos após o caso pediu demissão, foi aposentado por invalidez e se separou da família. E disse que chegou a ser acusado até pelos colegas da Viação Cometa, onde trabalhava quando ocorreu o caso. "Eu ouvia de colegas que matei JK. Para mim, o Brasil só teve dois presidentes: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek", desabafou. Ao fim da audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo mineiro, deputado estadual Durval Ângelo (PT), afirmou que encaminhará à Comissão Nacional da Verdade pedido para que o governo federal faça um pedido forma de desculpas ao aposentado, que hoje vive em um abrigo para idosos em São Paulo. "Vamos pedir também o reajuste da aposentadoria de seu Josias", afirmou. Para o ex-motorista, porém, "nada paga" o que ele passou devido ao caso.

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