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Quem policia a polícia


Carlos Brickmann

09/10/2013 | 07:00


Mais manifestações, mais quebra-quebras, mais inação da polícia. Os bandidos estão uniformizados, mascarados, com martelos e marretas, e mesmo assim não são sequer convidados a identificar-se. Quebram equipamentos públicos, põem fogo em ônibus, explodem carro, ferem gente, viram viatura policial, arrebentam vitrines, invadem bancos para depredá-los e ninguém é preso. Cadê o governo dos Estados, o governo federal? Há várias hipóteses possíveis:

1 – O governo ordena à polícia que não intervenha.

2 – O governo ordena à polícia que intervenha, mas não é obedecido.

3 – O governo ordena à polícia que intervenha, mas a polícia não tem condições para intervir.

São hipóteses intoleráveis: indicam que Estados e União estão sem governo. Ou há – e esta é outra hipótese, a mais terrível e intolerável de todas: a de que haja autoridades interessadas na confusão e na depredação. Já houve imagens na TV de baderneiros jogando coquetéis molotov, correndo em direção à polícia, sendo bem acolhidos e, pouco depois, reaparecendo fardados. Pode ser caso isolado. Tomara – mas, se não for, explica toda a baderna e a inação policial. Nada como agentes provocadores para criar clima que leve a opinião pública a exigir que as autoridades retomem o controle das ruas e se imponham sobre os vândalos, mesmo com golpe, mesmo que destruam a democracia. Resumindo: ou o governo é irresponsável, ou o governo é responsável.

Relembrar é preciso

Em 1964, agia nos quartéis o mais famoso agente provocador brasileiro: Anselmo José dos Santos, o Cabo Anselmo. Insuflou a rebelião dos sargentos, levando as Forças Armadas a reagir à quebra da hierarquia e ajudando a convencer a classe média de que o governo planejava golpe e deveria ser derrubado.

Bandidos à solta

Há por aí grupos perigosos. Em 22 de março, 20 skinheads, nazistas, mataram alguém de outro bando. No dia 8 de outubro, a polícia paulista anunciou que estava cumprindo os mandatos de busca e apreensão –sete meses depois. Terão eles se privado de participar dos quebra-quebras, fazendo o que sabem: baderna?

Segurança pública e privada

O coronel Alberto Pinheiro Neto, que chefiou as operações da PM do Rio durante as manifestações de junho, é o mais novo astro global. O ex-comandante do Bope assinou com a Rede Globo e já dirige sua segurança patrimonial e corporativa, no Rio. Não é o único policial que troca a Segurança pública pela privada: o coronel Ferreira Pinto, ex-secretário da Segurança de São Paulo (estava no cargo durante a guerra em que o PCC matou quase 100 policiais), não apenas foi contratado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para chefiar a segurança da entidade, como também se inscreveu no mesmo partido do patrão, o PMDB, para se candidatar a deputado na eleição do ano que vem. Skaf quer ser governador.

Jogo não jogado

A aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos muda todo o quadro eleitoral para 2014 – o problema é saber quais serão as mudanças. Não há soma automática de intenções de voto de Marina e de Campos: pode haver redução, pode haver multiplicação. Quem será candidato à Presidência, quem será seu vice, Campos ou Marina? Depende: há ainda mais de seis meses para decidir. O que parece certo é que tanto Campos quanto Marina passaram para a oposição. Em caso de segundo turno, podem receber o apoio de Aécio ou apoiá-lo, conforme o caso. É difícil que fechem com Dilma. Neste ponto, Dilma foi prejudicada; Aécio também, mas em caso de aliança no segundo turno, mesmo ficando fora, terá compensações. E ninguém se iluda acreditando que o PT marchará sossegado para a derrota. Se tudo estiver dando errado, sempre resta o trunfo máximo dos petistas: trocar Dilma por Lula. E o jogo embola de novo.

Saudades de Lula

A base governista não consegue esconder a nostalgia dos tempos que se foram. A senadora amazonense Vanessa Graziotin (PCdoB), da tribuna, discursou: “A presidente Lula (...)” Depois, percebendo o ato falho, corrigiu-se. Atenção, leitor, nada de maldade: Vanessa manteve o ‘a’e trocou ‘Lula’ por ‘Dilma’.



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