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Aeronave está em situação irregular, diz Anac

Duas licenças necessárias para voar, concedidas pela Anac, estão vencidas há mais de um ano


Natália Fernandjes e Rafael Ribeiro

05/10/2013 | 07:00


O helicóptero submetido a pouso forçado na tarde de ontem, em São Caetano, tinha duas autorizações vencidas desde o ano passado, de acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Trata-se da IAM (Inspeção Anual de Manutenção) e do CA (Certificado de Aeronavegabilidade), cujas validades expiraram em junho e abril de 2012, respectivamente.

De acordo com a Anac, será aberto processo administrativo para apurar se o piloto possui habilitação e certificado médico aeronáutico válido. A agência informou que, caso haja comprovação de irregularidades, os responsáveis serão autuados e multados. Há ainda possibilidade de suspensão ou cassação de licenças, habilitações e certificados.

A investigação que determinará as causas do acidente com o helicóptero está sendo conduzida pelo Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), subordinado ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Segundo o órgão, não há prazo para conclusão dos trabalhos.

De acordo com o advogado da empresa proprietária da aeronave, cujo nome não foi divulgado, Raul Lovato, estava sendo realizado voo teste com autorização da Anac. O procedimento seria necessário para revalidação do CA. O representante legal destacou ainda que a tripulação do helicóptero – o piloto, um mecânico e um representante da empresa –, decolou da oficina Wm Manutenção Aeronautica Ltda, no bairro Conceição, em Diadema. “Não sabemos as causas do acidente, mas podemos destacar que o piloto foi um herói e fez um excelente pouso”, diz.

Tensão

Os momentos de tensão vivenciados por moradores e trabalhadores do entorno da Praça da Bíblia, na Avenida Goiás, foram registrados próximos do horário do almoço. O motorista Carlos Roberto Silva, 27 anos, se preparava para sentar à mesa em restaurante localizado nas imediações quando ouviu o forte barulho e saiu correndo para ajudar as vítimas. “Com muita dificuldade, o piloto conseguiu soltar o cinto e o puxamos”, lembra.

O sócio-proprietário de um comércio no entorno da praça, Carlos Marinho, 49, se considera um homem de sorte. “Estava na porta, prestes a sair para colocar o bilhete da Zona Azul no carro, há poucos metros do local da queda”, destaca. Ao ouvir o barulho e ver a aeronave se deslocando com velocidade em direção à Praça da Bíblia, o comerciante revela ter se escondido atrás de pilastra. “Fiquei com medo de a hélice me atingir”, conta.

O operador de empilhadeira aposentado Jair Carlos, 54, estava atravessando a Avenida Goiás na faixa de pedestres em direção à praça no momento do pouso forçado. A primeira reação, ao ver a aeronave se aproximando, foi correr em direção à Rua Espírito Santo. O morador da cidade pôde observar de perto o momento em que a cauda do helicóptero bateu contra poste de luz e sua hélice cortou um dos coqueiros. A aeronave bateu contra o chão e capotou até bater em um conjunto de árvores e parar. “Sonhava em conhecer um helicóptero, mas não tão de perto.”

‘Ele nunca passou por isso antes’, conta mãe de piloto

A auxiliar de enfermagem Vani Nemitz, 50 anos, estava em sua casa, em São Bernardo, quando foi avisada do acidente envolvendo o filho, Rogério Nemitz, piloto do helicóptero que teve de fazer o pouso forçado em São Caetano. Ao Diário, ela contou que ele exerce a função há dez anos e nunca sofreu esse tipo de acidente.

“Já andei muitas vezes com ele e nunca tive medo.Ao contrário, fico mais calma com ele pilotando helicóptero do que moto”, disse.

Se Nemitz foi herói em evitar um acidente de proporções trágicas, a mãe não sabe. Mas não esconde que temeu ao ser avisada do ocorrido. “Confio na capacidade dele, mas também se sabe como é coração de mãe. Logo que me contaram temi pelo pior e comecei a rezar”, completou a mãe da vítima.

Nemitz foi a única das vítimas a sofrer mais que as escoriações leves registradas pelas outras três vítimas, no caso uma fratura do fêmur da coxa esquerda. Durante a realização de exames, tratou de tranquilizar os parentes. “Fiquem calmos, logo mais estou de volta, gente”, disse, deitado na maca.



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Aeronave está em situação irregular, diz Anac

Duas licenças necessárias para voar, concedidas pela Anac, estão vencidas há mais de um ano

Natália Fernandjes e Rafael Ribeiro

05/10/2013 | 07:00


O helicóptero submetido a pouso forçado na tarde de ontem, em São Caetano, tinha duas autorizações vencidas desde o ano passado, de acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Trata-se da IAM (Inspeção Anual de Manutenção) e do CA (Certificado de Aeronavegabilidade), cujas validades expiraram em junho e abril de 2012, respectivamente.

De acordo com a Anac, será aberto processo administrativo para apurar se o piloto possui habilitação e certificado médico aeronáutico válido. A agência informou que, caso haja comprovação de irregularidades, os responsáveis serão autuados e multados. Há ainda possibilidade de suspensão ou cassação de licenças, habilitações e certificados.

A investigação que determinará as causas do acidente com o helicóptero está sendo conduzida pelo Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), subordinado ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Segundo o órgão, não há prazo para conclusão dos trabalhos.

De acordo com o advogado da empresa proprietária da aeronave, cujo nome não foi divulgado, Raul Lovato, estava sendo realizado voo teste com autorização da Anac. O procedimento seria necessário para revalidação do CA. O representante legal destacou ainda que a tripulação do helicóptero – o piloto, um mecânico e um representante da empresa –, decolou da oficina Wm Manutenção Aeronautica Ltda, no bairro Conceição, em Diadema. “Não sabemos as causas do acidente, mas podemos destacar que o piloto foi um herói e fez um excelente pouso”, diz.

Tensão

Os momentos de tensão vivenciados por moradores e trabalhadores do entorno da Praça da Bíblia, na Avenida Goiás, foram registrados próximos do horário do almoço. O motorista Carlos Roberto Silva, 27 anos, se preparava para sentar à mesa em restaurante localizado nas imediações quando ouviu o forte barulho e saiu correndo para ajudar as vítimas. “Com muita dificuldade, o piloto conseguiu soltar o cinto e o puxamos”, lembra.

O sócio-proprietário de um comércio no entorno da praça, Carlos Marinho, 49, se considera um homem de sorte. “Estava na porta, prestes a sair para colocar o bilhete da Zona Azul no carro, há poucos metros do local da queda”, destaca. Ao ouvir o barulho e ver a aeronave se deslocando com velocidade em direção à Praça da Bíblia, o comerciante revela ter se escondido atrás de pilastra. “Fiquei com medo de a hélice me atingir”, conta.

O operador de empilhadeira aposentado Jair Carlos, 54, estava atravessando a Avenida Goiás na faixa de pedestres em direção à praça no momento do pouso forçado. A primeira reação, ao ver a aeronave se aproximando, foi correr em direção à Rua Espírito Santo. O morador da cidade pôde observar de perto o momento em que a cauda do helicóptero bateu contra poste de luz e sua hélice cortou um dos coqueiros. A aeronave bateu contra o chão e capotou até bater em um conjunto de árvores e parar. “Sonhava em conhecer um helicóptero, mas não tão de perto.”

‘Ele nunca passou por isso antes’, conta mãe de piloto

A auxiliar de enfermagem Vani Nemitz, 50 anos, estava em sua casa, em São Bernardo, quando foi avisada do acidente envolvendo o filho, Rogério Nemitz, piloto do helicóptero que teve de fazer o pouso forçado em São Caetano. Ao Diário, ela contou que ele exerce a função há dez anos e nunca sofreu esse tipo de acidente.

“Já andei muitas vezes com ele e nunca tive medo.Ao contrário, fico mais calma com ele pilotando helicóptero do que moto”, disse.

Se Nemitz foi herói em evitar um acidente de proporções trágicas, a mãe não sabe. Mas não esconde que temeu ao ser avisada do ocorrido. “Confio na capacidade dele, mas também se sabe como é coração de mãe. Logo que me contaram temi pelo pior e comecei a rezar”, completou a mãe da vítima.

Nemitz foi a única das vítimas a sofrer mais que as escoriações leves registradas pelas outras três vítimas, no caso uma fratura do fêmur da coxa esquerda. Durante a realização de exames, tratou de tranquilizar os parentes. “Fiquem calmos, logo mais estou de volta, gente”, disse, deitado na maca.

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