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Noite quente nas Docas

Antigo porto fluvial concentra bares, restaurantes e armazéns à beira da Baía do Guajará

Por Eliane de Souza
Do Diário do Grande ABC
26/09/2013 | 07:36
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Belém encanta todos os sentidos. Além de experimentar todos os aromas e sabores, a cidade reserva uma das mais lindas experiências: contemplar o pôr do sol na baía de Guajará. O passeio de barco sai diariamente da Estação das Docas, às 17h30, e dura um hora e meia (custa R$ 45). A bordo, a missão é se dividir entre a nova perspectiva de Belém, os raios de sol tocando a água e o show de carimbó dos dançarinos da embarcação. Difícil decisão para o turista que já se divide entre beber uma cerveja ou tirar fotos.

De volta em terra firme ao cair da noite, a dica é desfrutar do complexo da Estação das Docas. O espaço é um antigo porto fluvial que, em 2000, deu lugar a um dos espaços mais representativos do Pará. A Estação das Docas concentra em um só lugar opções de gastronomia, moda, lazer e eventos. À beira da baía do Guajará, 500 metros de extensão voltados para a orla comportam três armazéns, distribuídos em 32 mil metros quadrados, e um terminal para embarque e desembarque de passageiros.


Os bulevares são resultado de um cuidadoso trabalho de restauração do porto fluvial. Os três armazéns de ferro inglês são uma mostra da arquitetura característica da segunda metade do século 19. Dos Estados Unidos, datados do século 20, vieram os guindastes externos, que são a marca registrada do complexo turístico. A máquina a vapor fornecia energia para os equipamentos do porto, em meados de 1800. Para defender a orla, foi construído o Forte São Pedro Nolasco. Destruído, em 1825, após a Cabanagem, as suas ruínas foram revitalizadas e deram lugar ao anfiteatro.


O Boulevard das Artes (ou Armazém 1) tem vários produtos como biojoias, roupas e artesanato regional. Pratos típicos da região Norte e de outros lugares do mundo, preparados com o toque paraense, podem ser encontrados nos bares, restaurantes, quiosques, lanchonetes, sorveterias e bombonieres da Estação, no Armazém 2. E o 3 é chamado de Boulevard de Feiras e Exposições. Além disso, o complexo turístico dispõe do Teatro Maria Sylvia Nunes e do Anfiteatro São Pedro Nolasco.


Música, cinema, teatro e dança estão na programação mensal do complexo, que oferece aos visitantes projetos culturais gratuitamente. O Pôr do Som traz apresentação de espetáculos folclóricos, todas as sextas-feiras, a partir das 18h, na Orla do Armazém 3. O Música no Ar ocorre diariamente, com artistas interpretando o melhor da música paraense, nacional e internacional em palcos deslizantes. E o Teatro ao Pôr do Sol tem apresentação de peças infantis voltadas às lendas amazônicas aos domingos, sempre às 17h30, no Anfiteatro do Forte São Pedro Nolasco. A programação pode ser acessada pelo site www.estacaodasdocas.com.br.

Igualmente famoso e com proposta totalmente oposta está o Mercado Ver-o-Peso. Diferentemente do requinte e da sofisticação (e do ar-condicionado) oferecidos na vizinha Estação das Docas, o mercado pitoresco se vale da originalidade, da tradição e da grande variedade de produtos amazônicos para cativar visitantes.


Localizado na Cidade Velha, às margens da Baía do Guajará, o mercado é considerado a maior feira ao ar livre da América Latina. Quem costuma bater ponto por lá é a estrela do tecnobrega Gaby Amarantos, que, entre uma dieta e outra, escolhe o local para comer o típico peixe frito com açaí em uma das inúmeras barracas. Grandes chefs também percorrem a feira em busca de ingredientes exóticos, já que ela abastece a cidade com variados tipos de ervas, frutas, condimentos e raízes do interior paraense, fornecidos principalmente por via fluvial. É um dos mercados públicos mais antigos do Brasil.


No século 17, onde hoje funciona o Ver-o-Peso, em uma área formada pelo igarapé do Piri, os portugueses instalaram um posto de fiscalização e tributos dos gêneros trazidos para a sede das capitanias (Belém-PA). O local foi denominado Casa de Haver o Peso, que também tinha como atividade o controle do peso dos produtos comercializados. No início do século 19, o igarapé Piri foi aterrado e, na sua foz, foi construída a doca do Ver-o-Peso.


No Ciclo da Borracha, entre o fim do século 19 e começo do 20, a cidade de Belém teve grande importância comercial, principalmente para o cenário internacional. A construção do Mercado de Ferro teve início no ano de 1899. Toda a estrutura de ferro do Mercado foi trazida da Europa seguindo a tendência francesa de art nouveau da belle époque. Foi inaugurado em 1901.


O mercado faz parte de um complexo arquitetônico e paisagístico que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, dentre elas o Mercado de Ferro, o Mercado da Carne e a Praça do Relógio. O conjunto foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1977.




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