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Poluição mata mais que
os acidentes de trânsito

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em 2011, 963 pessoas morreram na região
em decorrência da inalação de poluentes no ar


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

24/09/2013 | 07:00


As consequências da poluição do ar matam mais gente no Grande ABC do que os acidentes de trânsito. Pesquisa inédita feita pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade aponta que, em 2011, 936 pessoas morreram em razão de complicações provocadas pela inalação de poluentes. No mesmo ano, o Ministério da Saúde aponta 235 mortes na região por ocorrências ligadas aos transportes.

Para chegar às estatísticas, o instituto cruzou dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) com informações da OMS (Organização Mundial da Saúde). A pesquisa foi divulgada ontem em evento na Câmara Municipal de São Paulo.

Santo André é a cidade da região com mais casos registrados: 302 mortes, seguida de perto por São Bernardo, com 300. Em seguida, aparecem Mauá (140), Diadema (115) e São Caetano (106). Em todo o Estado, foram computados 17.443 óbitos em decorrência das toxinas no ar. Não há estatísticas disponíveis sobre Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

A poluição também provoca forte impacto nos cofres públicos. Foram gastos R$ 5,8 milhões em 2011 com internações. Problemas cardiovasculares e respiratórios são a maioria dos casos que demandaram permanência dos pacientes em hospitais. Outra consequência comum é o câncer.

“Com R$ 5,8 milhões é possível fazer um Ambulatório Médico de Especialidades equipado ou custear o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da região. E esse valor está subestimado. Não são computadas as faltas dos trabalhadores, os remédios comprados e a redução da expectativa de vida”, comenta o médico e professor da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Saldiva, especialista em poluição do ar.

O nível médio de emissão de materiais particulados no Grande ABC é de 22,34 microgramas por metro cúbico – mais que o dobro dos dez considerados como aceitáveis pela OMS. São Bernardo (24,19) e São Caetano (23,23) lideram a lista. Uma das medidas sugeridas por Saldiva para diminuir o lançamento de poluentes é a expansão da inspeção veicular ambiental – hoje feita apenas na Capital – para todo o Estado.

Em maio, a Justiça paulista acatou liminar do Ministério Público para que o procedimento seja obrigatório em todos os municípios de São Paulo, mas o prazo para início é apenas a metade do ano que vem. “Um ponto positivo é o fato de que, a partir do momento em que uma cidade opta por limpar o ar, os impactos são quase imediatos”, garante o médico.

Já a médica Evangelina Vormittag, presidente do instituto, cobra a criação de leis que imponham limites rigorosos à emissão de poluentes por parte de veículos automotores e indústrias. “Faltam políticas públicas de combate para diminuir isso, especialmente no Grande ABC, cuja característica industrial é muito forte.”

Evangelina acrescenta que, além da quantidade de substâncias que é lançada ao ar, o clima também influencia nas medições. “Em 2009, por exemplo, foram registrados índices inferiores aos que estamos acostumados. Mas foi um ano atípico, considerando as condições climáticas muito favoráveis para a dispersão de poluentes, como a chuva e o vento. Quanto mais seco o tempo, pior. Isso se reflete também na saúde.” 



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Poluição mata mais que
os acidentes de trânsito

Em 2011, 963 pessoas morreram na região
em decorrência da inalação de poluentes no ar

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

24/09/2013 | 07:00


As consequências da poluição do ar matam mais gente no Grande ABC do que os acidentes de trânsito. Pesquisa inédita feita pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade aponta que, em 2011, 936 pessoas morreram em razão de complicações provocadas pela inalação de poluentes. No mesmo ano, o Ministério da Saúde aponta 235 mortes na região por ocorrências ligadas aos transportes.

Para chegar às estatísticas, o instituto cruzou dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) com informações da OMS (Organização Mundial da Saúde). A pesquisa foi divulgada ontem em evento na Câmara Municipal de São Paulo.

Santo André é a cidade da região com mais casos registrados: 302 mortes, seguida de perto por São Bernardo, com 300. Em seguida, aparecem Mauá (140), Diadema (115) e São Caetano (106). Em todo o Estado, foram computados 17.443 óbitos em decorrência das toxinas no ar. Não há estatísticas disponíveis sobre Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

A poluição também provoca forte impacto nos cofres públicos. Foram gastos R$ 5,8 milhões em 2011 com internações. Problemas cardiovasculares e respiratórios são a maioria dos casos que demandaram permanência dos pacientes em hospitais. Outra consequência comum é o câncer.

“Com R$ 5,8 milhões é possível fazer um Ambulatório Médico de Especialidades equipado ou custear o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da região. E esse valor está subestimado. Não são computadas as faltas dos trabalhadores, os remédios comprados e a redução da expectativa de vida”, comenta o médico e professor da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Saldiva, especialista em poluição do ar.

O nível médio de emissão de materiais particulados no Grande ABC é de 22,34 microgramas por metro cúbico – mais que o dobro dos dez considerados como aceitáveis pela OMS. São Bernardo (24,19) e São Caetano (23,23) lideram a lista. Uma das medidas sugeridas por Saldiva para diminuir o lançamento de poluentes é a expansão da inspeção veicular ambiental – hoje feita apenas na Capital – para todo o Estado.

Em maio, a Justiça paulista acatou liminar do Ministério Público para que o procedimento seja obrigatório em todos os municípios de São Paulo, mas o prazo para início é apenas a metade do ano que vem. “Um ponto positivo é o fato de que, a partir do momento em que uma cidade opta por limpar o ar, os impactos são quase imediatos”, garante o médico.

Já a médica Evangelina Vormittag, presidente do instituto, cobra a criação de leis que imponham limites rigorosos à emissão de poluentes por parte de veículos automotores e indústrias. “Faltam políticas públicas de combate para diminuir isso, especialmente no Grande ABC, cuja característica industrial é muito forte.”

Evangelina acrescenta que, além da quantidade de substâncias que é lançada ao ar, o clima também influencia nas medições. “Em 2009, por exemplo, foram registrados índices inferiores aos que estamos acostumados. Mas foi um ano atípico, considerando as condições climáticas muito favoráveis para a dispersão de poluentes, como a chuva e o vento. Quanto mais seco o tempo, pior. Isso se reflete também na saúde.” 

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