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Trinta anos de sacanagem

Trio de diretores da região lança documentário sobre 1º filme
pornô brasileiro; bilheteria de 'Coisas Eróticas' passou de 4 mi


Camilla FeltrinEspecial para o Diário

22/07/2012 | 07:00


Com bilheteria maior que quatro milhões de pessoas, o filme "Coisas Eróticas" (1982) foi mais uma produção do polo cinematográfico da Boca do Lixo, responsável pela filmagem de vários títulos da pornochanchada e do cinema marginal paulistano.

A diferença desse filme em relação aos demais, é que ele foi o primeiro brasileiro a conter cenas de sexo explícito. Para relembrar essa produção o documentário "A Primeira Vez do Cinema Brasileiro" teve noite de estreia no Cine Windsor, em São Paulo, exatos 30 anos após o lançamento do filme histórico na mesma sala de cinema.

Produzido por Denise Godinho, Hugo Moura e Bruno Graziano, o título reúne depoimentos de produtores, técnicos, atores e até de um censor envolvido na liberação da película. 

O documentário mostra que o diretor de "Coisas Eróticas", o italiano Raffaele Rossi, só tomou a decisão de fazer um filme com cenas de sexo após odiar o longa-metragem japonês "Império dos Sentidos" (1975), principal atração na 3ª Mostra Internacional de Cinema de 1979.

Segundo pessoas próximas ao italiano entrevistadas pelo trio para o trabalho, ele teria ficado com asco do filme japonês. Achou que as cenas retratavam o sexo de forma doentia e anormal. O que ele não se deu conta é de que a obra era um ‘filme de arte'.

Os diretores do documentário acham que o sucesso do filme feito na Boca do Lixo se deve principalmente aos atores e personagens. "Ali apareciam pessoas reais, com curvas brasileiras e cenários comuns. O protagonista (vivido pelo ator Oásis Minitti) até barriguinha tinha", conta Hugo Moura.

Antes de "Coisas Eróticas", os filmes mais sensuais produzidos no Brasil eram as pornochanchadas, que não continham sexo explícito. O auge de produção do gênero foi /CWdurante os anos 1970 e 1980. No fim do documentário, alguns astros do atual cinema pornô brasileiro como Kid Bengala, Pâmela Butt e Rogê Ferro opinam sobre o filme erótico.

O trio gastou cerca de R$ 40 mil do próprio bolso para a produção e já teve o documentário exibido no festival "Pop Porn", em São Paulo. A intenção é inscrever a produção em outros eventos ainda neste ano.

Denise e Hugo são jornalistas e também lançaram um livro-reportagem a respeito do assunto. "Coisas Eróticas - A História Jamais Contada da Primeira Vez do Cinema Nacional" (Panda Books, 200 páginas, R$ 36 em média).

CENSURA
O documentário mostra que atraso para a produção de um filme de sexo no Brasil, se deve, entre outros motivos, ao regime militar que prezava pela moral e bons costumes. Com jeitinho, os produtores de "Coisas Eróticas" conseguiram burlar o censor e exibir o filme em várias cidades do País.



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