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Terapias alternativas
complementam
técnica convencional

Andrea Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Entre as técnicas mais procuradas está o reiki; especialistas aconselham interação com medicação


Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/07/2013 | 07:00


Terapias alternativas têm sido cada vez mais utilizadas por pacientes para complementar tratamentos convencionais e até prevenir doenças. Entre as técnicas mais utilizadas estão o reiki e a acupuntura. Especialistas aconselham a interação entre as modalidades terapêuticas, mas salientam que o acompanhamento médico tradicional jamais deve ser abandonado.

Segundo Rosa Campanella, proprietária de uma clínica na Vila Bastos, em Santo André, a procura por esse tipo de recurso teve alta de 40% nos últimos três anos. Por mês, cerca de 400 pessoas passam por atendimento de reiki. Para os demais tratamentos, a demanda mensal gira em torno de 200 pessoas. “A maioria dos pacientes que nos procuram sofre com estresse e outras questões ligadas ao descontrole emocional”, comenta.

O médico Ricardo Monezi, pesquisador do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que a principal característica desse segmento da medicina é classificar o ser humano como “multidisciplinar”. “Não adianta tratar só da dimensão biológica. É preciso tratar questões psicológicas, sociais e até de espiritualidade.” O especialista esclarece que espiritualidade não tem ligação com a religião espírita. “Trata-se do conjunto de crenças que a pessoa tem, da fé em geral.”

Ao longo da última década, a nomenclatura dada a esse segmento da ciência foi alterada, passando de alternativa a complementar. Hoje, recebe o nome de medicina integrativa. “A palavra alternativa, em português, dá significado de exclusão. Não queremos que essas terapias excluam os tratamentos convencionais. Pelo contrário, queremos que haja um complemento.”

O reiki consiste na utilização das mãos para transmitir energia ao receptor, de modo a buscar o equilíbrio energético. Segundo Monezi, há quatro hipóteses para justificar a cura por meio dessa terapia. “A primeira é a relação do toque como promotor de reações fisiológicas que desencadeiam processos de saúde. Outro fator é a transmissão de energia, que poderia desenvolver a melhora.” O professor também aponta a relação interpessoal e a sensação de relaxamento fisiológico e psíquico como agentes responsáveis pela melhora dos pacientes.

Em 2006, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou portaria que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde). O texto recomenda às secretarias estaduais e municipais de Saúde que utilizem esse tipo de terapias na rede pública. Diversos hospitais particulares também já utilizam o reiki e a acupuntura nos pacientes internados. Caso do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, ambos na Capital. O documento também cita a homeopatia e a fitoterapia como recursos a serem aplicados.

PREVENÇÃO

Além da indicação das terapias integrativas como meio corretivo, esse tipo de tratamento também é recomendado como forma de prevenção. A professora Celene Armelini, 32 anos, é uma das que procurou o reiki sem apresentar qualquer sintoma de doenças. “Melhora a qualidade de vida e diminui a ansiedade. Me sinto mais calma e equilibrada depois que passo pela sessão”, reconhece. Ela frequenta a clínica há seis meses. Na primeira, foi indicada por uma terapeuta. “Estou evitando problemas futuros”, finaliza.


Pacientes destacam calma proporcionada

A aplicação do reiki é vista como positiva por pacientes que sofrem de transtornos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico. A técnica é vista como auxiliar ao tratamento convencional.

A terapeuta Márcia Villani, 60 anos, entrou em quadro depressivo no fim do ano passado, após ser diagnosticada com câncer de mama. Em seguida, surgiu o pânico. “Faço reiki desde novembro. Isso me trouxe lucidez sobre diversos aspectos”, garante. Agora, ela afirma que já consegue realizar coisas que não fazia durante as crises, como dirigir e sair de casa sozinha. Apesar da melhora, Márcia diz que não interrompeu a medicação prescrita pelo médico psiquiatra.

Mesma situação relata a professora aposentada Sandra Aparecida Vernucci, 58. “Me sinto mais forte, com menos sensação de agonia”, revela. Ela passa pelo tratamento há dois meses.

A psicanalista Rosa Campanella, proprietária de uma clínica em Santo André, salienta que, nos quadros de depressão e pânico, os pacientes também são submetidos a acompanhamento psicológico. “Em todos esses casos, sempre recomendamos que o tratamento médico deve ser continuado e que a medicação não deve ser abandonada sem orientação do profissional”, adverte.

 
 

Acupuntura é indicada para controlar diversos tipos de dores

O professor Edison Noboru Fujiki, responsável pela disciplina de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que a principal indicação da acupuntura é para o controle de diversos tipos de dores. “Essa terapia está muito relacionada à anestesia. Ajuda muito para diminuir processos inflamatórios, mas não dá resultado, por exemplo, em casos de infecção”, explica.

Segundo o ortopedista, a acupuntura funciona como gatilho, por meio de estímulos em pontos correspondentes às partes do corpo que se deseja atingir. No entanto, o processo não é indicado como meio único de tratamento em caso de problemas de origem orgânica. “Não adianta só tirar a dor, tem que atuar na causa.”

O especialista alerta que a acupuntura deve ser feita por profissionais especializados, com amplo conhecimento sobre a técnica. “Se for feito de forma inadequada terá efeitos colaterais. É como uma medicação errada”, compara. Segundo o especialista, a terapia foi reconhecida como modalidade médica há cerca de sete anos. Em algumas faculdades, diz Fujiki, a disciplina já faz parte da grade curricular.

Em maio, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) proibiu psicólogos de praticarem a acupuntura. O Conselho Federal de Psicologia havia autorizado em 2002 que os profissionais aplicassem o tratamento, o que gerou críticas por parte da comunidade médica. 



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Terapias alternativas
complementam
técnica convencional

Entre as técnicas mais procuradas está o reiki; especialistas aconselham interação com medicação

Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/07/2013 | 07:00


Terapias alternativas têm sido cada vez mais utilizadas por pacientes para complementar tratamentos convencionais e até prevenir doenças. Entre as técnicas mais utilizadas estão o reiki e a acupuntura. Especialistas aconselham a interação entre as modalidades terapêuticas, mas salientam que o acompanhamento médico tradicional jamais deve ser abandonado.

Segundo Rosa Campanella, proprietária de uma clínica na Vila Bastos, em Santo André, a procura por esse tipo de recurso teve alta de 40% nos últimos três anos. Por mês, cerca de 400 pessoas passam por atendimento de reiki. Para os demais tratamentos, a demanda mensal gira em torno de 200 pessoas. “A maioria dos pacientes que nos procuram sofre com estresse e outras questões ligadas ao descontrole emocional”, comenta.

O médico Ricardo Monezi, pesquisador do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que a principal característica desse segmento da medicina é classificar o ser humano como “multidisciplinar”. “Não adianta tratar só da dimensão biológica. É preciso tratar questões psicológicas, sociais e até de espiritualidade.” O especialista esclarece que espiritualidade não tem ligação com a religião espírita. “Trata-se do conjunto de crenças que a pessoa tem, da fé em geral.”

Ao longo da última década, a nomenclatura dada a esse segmento da ciência foi alterada, passando de alternativa a complementar. Hoje, recebe o nome de medicina integrativa. “A palavra alternativa, em português, dá significado de exclusão. Não queremos que essas terapias excluam os tratamentos convencionais. Pelo contrário, queremos que haja um complemento.”

O reiki consiste na utilização das mãos para transmitir energia ao receptor, de modo a buscar o equilíbrio energético. Segundo Monezi, há quatro hipóteses para justificar a cura por meio dessa terapia. “A primeira é a relação do toque como promotor de reações fisiológicas que desencadeiam processos de saúde. Outro fator é a transmissão de energia, que poderia desenvolver a melhora.” O professor também aponta a relação interpessoal e a sensação de relaxamento fisiológico e psíquico como agentes responsáveis pela melhora dos pacientes.

Em 2006, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou portaria que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde). O texto recomenda às secretarias estaduais e municipais de Saúde que utilizem esse tipo de terapias na rede pública. Diversos hospitais particulares também já utilizam o reiki e a acupuntura nos pacientes internados. Caso do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, ambos na Capital. O documento também cita a homeopatia e a fitoterapia como recursos a serem aplicados.

PREVENÇÃO

Além da indicação das terapias integrativas como meio corretivo, esse tipo de tratamento também é recomendado como forma de prevenção. A professora Celene Armelini, 32 anos, é uma das que procurou o reiki sem apresentar qualquer sintoma de doenças. “Melhora a qualidade de vida e diminui a ansiedade. Me sinto mais calma e equilibrada depois que passo pela sessão”, reconhece. Ela frequenta a clínica há seis meses. Na primeira, foi indicada por uma terapeuta. “Estou evitando problemas futuros”, finaliza.


Pacientes destacam calma proporcionada

A aplicação do reiki é vista como positiva por pacientes que sofrem de transtornos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico. A técnica é vista como auxiliar ao tratamento convencional.

A terapeuta Márcia Villani, 60 anos, entrou em quadro depressivo no fim do ano passado, após ser diagnosticada com câncer de mama. Em seguida, surgiu o pânico. “Faço reiki desde novembro. Isso me trouxe lucidez sobre diversos aspectos”, garante. Agora, ela afirma que já consegue realizar coisas que não fazia durante as crises, como dirigir e sair de casa sozinha. Apesar da melhora, Márcia diz que não interrompeu a medicação prescrita pelo médico psiquiatra.

Mesma situação relata a professora aposentada Sandra Aparecida Vernucci, 58. “Me sinto mais forte, com menos sensação de agonia”, revela. Ela passa pelo tratamento há dois meses.

A psicanalista Rosa Campanella, proprietária de uma clínica em Santo André, salienta que, nos quadros de depressão e pânico, os pacientes também são submetidos a acompanhamento psicológico. “Em todos esses casos, sempre recomendamos que o tratamento médico deve ser continuado e que a medicação não deve ser abandonada sem orientação do profissional”, adverte.

 
 

Acupuntura é indicada para controlar diversos tipos de dores

O professor Edison Noboru Fujiki, responsável pela disciplina de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que a principal indicação da acupuntura é para o controle de diversos tipos de dores. “Essa terapia está muito relacionada à anestesia. Ajuda muito para diminuir processos inflamatórios, mas não dá resultado, por exemplo, em casos de infecção”, explica.

Segundo o ortopedista, a acupuntura funciona como gatilho, por meio de estímulos em pontos correspondentes às partes do corpo que se deseja atingir. No entanto, o processo não é indicado como meio único de tratamento em caso de problemas de origem orgânica. “Não adianta só tirar a dor, tem que atuar na causa.”

O especialista alerta que a acupuntura deve ser feita por profissionais especializados, com amplo conhecimento sobre a técnica. “Se for feito de forma inadequada terá efeitos colaterais. É como uma medicação errada”, compara. Segundo o especialista, a terapia foi reconhecida como modalidade médica há cerca de sete anos. Em algumas faculdades, diz Fujiki, a disciplina já faz parte da grade curricular.

Em maio, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) proibiu psicólogos de praticarem a acupuntura. O Conselho Federal de Psicologia havia autorizado em 2002 que os profissionais aplicassem o tratamento, o que gerou críticas por parte da comunidade médica. 

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