Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 6 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Terapias alternativas
complementam
técnica convencional

Andrea Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Entre as técnicas mais procuradas está o reiki; especialistas aconselham interação com medicação


Fabio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/07/2013 | 07:00


Terapias alternativas têm sido cada vez mais utilizadas por pacientes para complementar tratamentos convencionais e até prevenir doenças. Entre as técnicas mais utilizadas estão o reiki e a acupuntura. Especialistas aconselham a interação entre as modalidades terapêuticas, mas salientam que o acompanhamento médico tradicional jamais deve ser abandonado.

Segundo Rosa Campanella, proprietária de uma clínica na Vila Bastos, em Santo André, a procura por esse tipo de recurso teve alta de 40% nos últimos três anos. Por mês, cerca de 400 pessoas passam por atendimento de reiki. Para os demais tratamentos, a demanda mensal gira em torno de 200 pessoas. “A maioria dos pacientes que nos procuram sofre com estresse e outras questões ligadas ao descontrole emocional”, comenta.

O médico Ricardo Monezi, pesquisador do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que a principal característica desse segmento da medicina é classificar o ser humano como “multidisciplinar”. “Não adianta tratar só da dimensão biológica. É preciso tratar questões psicológicas, sociais e até de espiritualidade.” O especialista esclarece que espiritualidade não tem ligação com a religião espírita. “Trata-se do conjunto de crenças que a pessoa tem, da fé em geral.”

Ao longo da última década, a nomenclatura dada a esse segmento da ciência foi alterada, passando de alternativa a complementar. Hoje, recebe o nome de medicina integrativa. “A palavra alternativa, em português, dá significado de exclusão. Não queremos que essas terapias excluam os tratamentos convencionais. Pelo contrário, queremos que haja um complemento.”

O reiki consiste na utilização das mãos para transmitir energia ao receptor, de modo a buscar o equilíbrio energético. Segundo Monezi, há quatro hipóteses para justificar a cura por meio dessa terapia. “A primeira é a relação do toque como promotor de reações fisiológicas que desencadeiam processos de saúde. Outro fator é a transmissão de energia, que poderia desenvolver a melhora.” O professor também aponta a relação interpessoal e a sensação de relaxamento fisiológico e psíquico como agentes responsáveis pela melhora dos pacientes.

Em 2006, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou portaria que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde). O texto recomenda às secretarias estaduais e municipais de Saúde que utilizem esse tipo de terapias na rede pública. Diversos hospitais particulares também já utilizam o reiki e a acupuntura nos pacientes internados. Caso do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, ambos na Capital. O documento também cita a homeopatia e a fitoterapia como recursos a serem aplicados.

PREVENÇÃO

Além da indicação das terapias integrativas como meio corretivo, esse tipo de tratamento também é recomendado como forma de prevenção. A professora Celene Armelini, 32 anos, é uma das que procurou o reiki sem apresentar qualquer sintoma de doenças. “Melhora a qualidade de vida e diminui a ansiedade. Me sinto mais calma e equilibrada depois que passo pela sessão”, reconhece. Ela frequenta a clínica há seis meses. Na primeira, foi indicada por uma terapeuta. “Estou evitando problemas futuros”, finaliza.


Pacientes destacam calma proporcionada

A aplicação do reiki é vista como positiva por pacientes que sofrem de transtornos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico. A técnica é vista como auxiliar ao tratamento convencional.

A terapeuta Márcia Villani, 60 anos, entrou em quadro depressivo no fim do ano passado, após ser diagnosticada com câncer de mama. Em seguida, surgiu o pânico. “Faço reiki desde novembro. Isso me trouxe lucidez sobre diversos aspectos”, garante. Agora, ela afirma que já consegue realizar coisas que não fazia durante as crises, como dirigir e sair de casa sozinha. Apesar da melhora, Márcia diz que não interrompeu a medicação prescrita pelo médico psiquiatra.

Mesma situação relata a professora aposentada Sandra Aparecida Vernucci, 58. “Me sinto mais forte, com menos sensação de agonia”, revela. Ela passa pelo tratamento há dois meses.

A psicanalista Rosa Campanella, proprietária de uma clínica em Santo André, salienta que, nos quadros de depressão e pânico, os pacientes também são submetidos a acompanhamento psicológico. “Em todos esses casos, sempre recomendamos que o tratamento médico deve ser continuado e que a medicação não deve ser abandonada sem orientação do profissional”, adverte.

 
 

Acupuntura é indicada para controlar diversos tipos de dores

O professor Edison Noboru Fujiki, responsável pela disciplina de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que a principal indicação da acupuntura é para o controle de diversos tipos de dores. “Essa terapia está muito relacionada à anestesia. Ajuda muito para diminuir processos inflamatórios, mas não dá resultado, por exemplo, em casos de infecção”, explica.

Segundo o ortopedista, a acupuntura funciona como gatilho, por meio de estímulos em pontos correspondentes às partes do corpo que se deseja atingir. No entanto, o processo não é indicado como meio único de tratamento em caso de problemas de origem orgânica. “Não adianta só tirar a dor, tem que atuar na causa.”

O especialista alerta que a acupuntura deve ser feita por profissionais especializados, com amplo conhecimento sobre a técnica. “Se for feito de forma inadequada terá efeitos colaterais. É como uma medicação errada”, compara. Segundo o especialista, a terapia foi reconhecida como modalidade médica há cerca de sete anos. Em algumas faculdades, diz Fujiki, a disciplina já faz parte da grade curricular.

Em maio, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) proibiu psicólogos de praticarem a acupuntura. O Conselho Federal de Psicologia havia autorizado em 2002 que os profissionais aplicassem o tratamento, o que gerou críticas por parte da comunidade médica. 



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;