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O gás lacrimogêneo esconde a Rua Marechal Deodoro

Amanheceu chuvoso e preocupado o 24 de março de 1979 em São Bernardo


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

29/03/2009 | 00:00


Amanheceu chuvoso e preocupado o 24 de março de 1979 em São Bernardo, no dia posterior à intervenção pelo governo federal dos três sindicatos dos metalúrgicos do Grande ABC.

A manchete do Diário na edição seguinte, em letras diferenciadas, não poderia ter sido outra: Metalúrgicos não acatam intervenção.

Uma passeata de 20 mil metalúrgicos foi reprimida com violência no Centro de São Bernardo. E no dia seguinte, domingo, foi realizada na Matriz da Boa Viagem aquela que podemos chamar de a primeira missa dos metalúrgicos.

São Bernardo, o Grande ABC, os metalúrgicos e Lula passavam a ser assunto em todo o mundo. E o velho Caminho do Mar, agora batizado de Rua Marechal Deodoro, tinha o seu trânsito interrompido e a visão ofuscada pela fumaça do gás lacrimogêneo que a polícia lançava sobre os metalúrgicos. Nunca mais a cidade seria a mesma.

Décimo terceiro dia, 24 de março, sábado.

No embate entre trabalhadores e policiais, ocorrem várias prisões, entre as quais a da atriz Ruth Escobar. Entre os jornalistas circulava a informação: Lula vai falar; ele está em uma igreja do Riacho Grande. Todo um esquema foi feito para que os jornalistas chegassem até Lula.

Entre os profissionais de imprensa estava José Roberto Marques, da Rádio Bandeirantes, que transmitia boletins ao vivo a cada 10 minutos, seguindo a orientação do diretor de jornalismo da emissora, José Paulo de Andrade.

Os metalúrgicos do Grande ABC estão a dever um preito de reconhecimento ao repórter José Roberto, já falecido, e a José Paulo de Andrade, vozes do rádio paulistano que puxaram a cobertura da primeira greve geral dos trabalhadores brasileiros no período de ditadura militar.

Lula não foi à assembleia realizada no Paço Municipal, mas transmitiu seu recado pelo rádio e jornais aos trabalhadores: "Não precisam sair de suas casas, e não se exponham nas ruas".

O governo informava que os três sindicatos do Grande ABC, sob intervenção, teriam suas eleições convocadas em 90 dias.

Editorial - Da greve, o governo é que sai machucado.

Décimo quarto dia, 25 de março, domingo.

Benedito Marcilio, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, ao lado de Lula, participa da missa dos metalúrgicos, em São Bernardo. A missa é oficiada por dom Cláudio. A igreja está lotada. O Largo da Matriz também.

"Depois de dois dias de ausência, a diretoria destituída volta para reassumir a greve que começou", diz Lula em discurso na Matriz; "os policiais estão lá no sindicato, com seus brucutus e seus cães", emenda Marcilio; "sigam o movimento ordeiro e pacífico, sigam apenas suas vozes e as de suas lideranças", aconselha dom Cláudio.

RIBEIRÃO PIRES
O pároco Ângelo Baggio não autoriza a arrecadação de alimentos para os grevistas. Uma voz discordante dentro da Igreja do Grande ABC.

News Seller
Domingo, 29 de março de 1959

Manchete - Atrasos absurdos: os trens da Santos-Jundiaí voltam a não servir

Sindicalismo - Greve na Rhodia Química

Memória - Dr. Rodrigo Antonio Brandão, expressão do futebol do passado.

MUNICÍPIOS
Hoje é o aniversário de Salvador (1549), Curitiba (1639) e Pirajuí (1915).

SANTOS DO DIA
Eustásio, Jonas e Secundo.

DIÁRIO HÁ 30 ANOS
Quinta-feira, 29 de março de 1979

Primeira Página - Retorno de metalúrgicos é normal. Demissões trazem apreensão e Macedo promete providências. Câmara Municipal de São Caetano pede o fim da intervenção nos sindicatos.

EM 29 DE MARÇO DE...
1969 - Comerciantes de Ribeirão Pires lembram o primeiro aniversário de uma enchente na cidade. Reunidos em uma loja da Rua Afrânio Peixoto, eles assistem a um filme das enchentes de 1968 e pedem providências para que o fato não mais se repita.



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