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Meninos que matam, meninos que morrem

Nos morros do Rio todo mundo é muito jovem


Carlos Brickmann

22/06/2008 | 00:00


Meninos mataram, meninos morreram. Nos morros do Rio todo mundo é muito jovem. Entre balas perdidas, narcotráfico, carência de saneamento básico, falta de assistência médica, nesta guerra civil envelhecer é privilégio de poucos.

Já faz muitos dias desde que soldados do Exército entregaram três jovens moradores de um morro a traficantes de outro morro. Lembremos: eles foram mortos com 46 tiros, fora a tortura. Quem os matou? Não sabemos. Qual o relacionamento entre os soldados que entregaram os jovens e os traficantes que os receberam? Supomos, mas não sabemos. Sabemos, graças ao trabalho da imprensa, que alguns soldados já haviam, há alguns meses, levado dois moradores de um morro para os traficantes de outro (no caso, não houve mortes, só tortura).

Apenas o presidente da República pode ordenar que o Exército execute operações de garantia da lei e da ordem. Houve autorização do presidente Lula? Se houve, por que não foi exibida? Se não houve, o que parece provável, quem levou o Exército para os morros? Estarão às Forças Armadas a serviço de qualquer obra que se intitule social, desde que o patrocinador da obra seja um político de prestígio, de preferência integrante da bancada governista no Congresso?

Há mais uma dúvida a ser esclarecida: se é tão fácil mobilizar o Exército para proteger uma obra, quantas outras obras estarão sendo protegidas por nossos soldados? Quantos Cimentos Sociais existem e que a população desconhece?

PAZ...
Em meio à maior crise já vivida pelo PSDB, a divisão em São Paulo, os dois lados prometeram manter o alto nível. A convenção que escolherá o candidato tucano a prefeito de São Paulo entre o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab (que é do DEM, mas tem apoio tucano) se realiza neste domingo. Seja qual for o resultado, o partido enfrentará um doloroso período até que as feridas cicatrizem.

...E GUERRA
Tão logo foi firmado o acordo, o grupo de Alckmin abriu fogo: acusou os rivais de tentativa de suborno de delegados. Kassab preferiu respeitar o acordo, embora não lhe falte munição: as investigações conduzidas na França e na Suíça sobre propinas pagas pela multinacional Alstom a membros do governo paulista mencionam datas que coincidem com a administração Covas/Alckmin.

SAINDO
A Justiça mandou o Exército sair do morro. Quando dará a ordem para que os bandidos saiam do morro?

TIRANDO A MÁSCARA
A defesa do meio ambiente, a proteção à floresta amazônica, a crítica às terríveis condições de trabalho nos canaviais brasileiros finalmente tiraram a máscara: um grupo de imensas multinacionais atribuiu aos biocombustíveis, em estudo enviado ao Conselho da Europa, a responsabilidade pela alta de preços dos alimentos. Empresas como Pepsi, Unilever, Danone querem matérias-primas mais baratas para garantir bons lucros. E são contra a mistura de álcool à gasolina. Claro: em seu patrimônio certamente não há ações de empresas canavieiras.

NO MESMO LUGAR
Os presidentes das grandes empresas petrolíferas mundiais (entre eles Sérgio Gabrielli, da Petrobras) estão reunidos neste domingo na Arábia Saudita para discutir a estabilização do preço do petróleo, um dos principais motores da inflação mundial. É difícil que dê certo: grandes exportadores, como o Irã e a Venezuela, precisam de preços altos, o Irã para sustentar a expansão das Forças Armadas, a Venezuela para manter a economia. O petróleo subiu 40% nos últimos cinco meses.

ALTO RISCO
Os caminhoneiros independentes ameaçam entrar em greve nacional na quarta-feira, pedindo que o frete acompanhe o aumento do diesel. Com a alta do petróleo, já houve greves de caminhoneiros em diversos países. No Brasil, a situação é mais grave: a maior parte dos produtos viaja por caminhão e a greve pode causar desabastecimento. Os caminhoneiros pedem também mais segurança nas estradas. De acordo com a Associação Brasileira dos Caminhoneiros, em 2008 já foram roubadas cargas no valor de mais de R$ 300 milhões.

A HORA DA FOGUEIRA
O Congresso decidiu tirar férias remuneradas nesta semana, sob o apelido de "recesso branco". Os parlamentares, afinal, não podem perder as festas juninas.



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