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Instituições em frangalhos

Levar a namorada para o Nordeste, mandar a sogra para os Estados Unidos, dar passagens para a família


Carlos Brickmann

26/04/2009 | 00:00


Levar a namorada para o Nordeste, mandar a sogra para os Estados Unidos, dar passagens para a família, os amigos, os companheiros, tudo por conta do Tesouro; pagar a empregada doméstica com dinheiro público. Tudo isso é pouca coisa.

O grave, mesmo, é que o Congresso brasileiro parece totalmente desligado da opinião pública: no momento em que se pede uma ação drástica de moralização e contenção de despesas, há uma forte tendência parlamentar para o deixa estar para ver como é que fica. E surge um movimento para aumentar em aproximadamente 50% os salários de Suas Excelências.

Não é que tenham perdido a vergonha (isso provavelmente aconteceu há muito tempo): o que perderam é o senso de medida, o que perderam é a noção das coisas.

Diziam os gregos que, quando os deuses querem destruir um homem, primeiro o enlouquecem. Pois o Congresso, pedindo ainda mais dinheiro, parece hoje uma casa de doidos.

Democracia não existe sem Congresso. Mas os congressistas precisam se dar ao respeito. O senador Cristovam Buarque, do PDT de Brasília, num momento de rara infelicidade, sugeriu um plebiscito para saber se o eleitor quer ter Congresso. É provável que, neste momento, não queira. É provável que, se alguém quiser fechar o Congresso, tenha maciço apoio da opinião pública - que estará errada, mas que talvez não veja motivos para pensar diferente.

A propósito: o título desta nota é o mesmo de um famoso editorial de O Estado de S.Paulo. Foi publicado em 13 de dezembro de 1968.

...TALVEZ NÃO SIRVA
Feliz com a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central? Pois a taxa do cheque especial não caiu, não: ao contrário, subiu, para 169,1% ao ano.

PRESIDENTE LUGO
Muita gente não entende o que se passa com o presidente paraguaio por esquecer um fato básico: em espanhol, "padre" quer dizer "pai".

RIPA NO COLUNISTA
É difícil desagradar a todos ao mesmo tempo, mas este colunista vai tentar. O governo estará rigorosamente correto se aumentar os impostos para manter estável o preço da gasolina, apesar da queda do petróleo. Manter alto o preço da gasolina contribui para reduzir um pouco o trânsito nas grandes cidades, para estimular o transporte coletivo, para reduzir a poluição do ar. Contribui, também, para estimular o uso de combustíveis alternativos (como o álcool) e manter aceso o interesse por motores não poluentes. Se a gasolina cair à metade (o petróleo caiu muito mais do que isso) que é que vai acontecer com o álcool e o motor flex?

MUDANDO DE CONVERSA
A briga com o ministro Gilmar Mendes é apenas mais uma na vida do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Em 2008, Barbosa xingou o ministro Eros Grau, 68 anos, de "velho caquético", e chamou-o para a briga, sendo contido. Grau, lembrando um boletim de ocorrência registrado pela então mulher de Barbosa, foi duro: "Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse num velho também". Barbosa acusou o ministro Marco Aurélio de ter julgado um processo que, a seu ver, lhe caberia. Marco Aurélio desafiou-o "para resolver o assunto fora da Corte, na rua", mas foi contido. Representou contra Barbosa, e o presidente, ministro Nelson Jobim, sem tomar outras providências, deu razão a Marco Aurélio. O ministro aposentado Maurício Correia perguntou ao ministro Barbosa quando poria em pauta um processo que mantinha parado há quase um ano. Barbosa acusou-o publicamente de tráfico de influência. Correia interpelou judicialmente o ministro Joaquim Barbosa, que preferiu retratar-se.

NÃO É LÁ!
Esta coluna errou ao informar que a Refinaria Abreu e Lima (aquela que a Venezuela iria financiar e até agora não mexeu no bolso) fica em Abreu e Lima. Fica em Ipojuca, também em Pernambuco, mas no Litoral Sul, não no Norte.

TEMPOS E COSTUMES
Quando o Rio era capital, os parlamentares moravam lá, fosse qual fosse seu Estado. Com o salário, pagavam casa, viagens, roupas (nada de auxílio-paletó!); levavam a família. Havia bandidos? Claro; mas seus hábitos não contaminavam o Congresso todo. Quando a capital se mudou para Brasília, longe de tudo, com comunicações difíceis, criaram-se as mordomias. Só que isso faz 50 anos: Brasília é uma cidade moderníssima, com boa qualidade de vida, com tudo o que é necessário.

TALVEZ SIRVA DE CONSOLO...
Cá e lá: neste momento, um tremendo escândalo envolve o presidente da Comunidade Valenciana (uma espécie de Estado, mais autônomo que os brasileiros), na Espanha. A história mais saborosa é a de um alfaiate que recebeu milhões de euros e emitiu notas frias, por roupas que não confeccionou. Para políticos, veja só! Há relações estranhas com empreiteiras, presentes para a mulher do presidente da Comunidade - o noticiário é o mesmo, é só mudar o nome do país.



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Instituições em frangalhos

Levar a namorada para o Nordeste, mandar a sogra para os Estados Unidos, dar passagens para a família

Carlos Brickmann

26/04/2009 | 00:00


Levar a namorada para o Nordeste, mandar a sogra para os Estados Unidos, dar passagens para a família, os amigos, os companheiros, tudo por conta do Tesouro; pagar a empregada doméstica com dinheiro público. Tudo isso é pouca coisa.

O grave, mesmo, é que o Congresso brasileiro parece totalmente desligado da opinião pública: no momento em que se pede uma ação drástica de moralização e contenção de despesas, há uma forte tendência parlamentar para o deixa estar para ver como é que fica. E surge um movimento para aumentar em aproximadamente 50% os salários de Suas Excelências.

Não é que tenham perdido a vergonha (isso provavelmente aconteceu há muito tempo): o que perderam é o senso de medida, o que perderam é a noção das coisas.

Diziam os gregos que, quando os deuses querem destruir um homem, primeiro o enlouquecem. Pois o Congresso, pedindo ainda mais dinheiro, parece hoje uma casa de doidos.

Democracia não existe sem Congresso. Mas os congressistas precisam se dar ao respeito. O senador Cristovam Buarque, do PDT de Brasília, num momento de rara infelicidade, sugeriu um plebiscito para saber se o eleitor quer ter Congresso. É provável que, neste momento, não queira. É provável que, se alguém quiser fechar o Congresso, tenha maciço apoio da opinião pública - que estará errada, mas que talvez não veja motivos para pensar diferente.

A propósito: o título desta nota é o mesmo de um famoso editorial de O Estado de S.Paulo. Foi publicado em 13 de dezembro de 1968.

...TALVEZ NÃO SIRVA
Feliz com a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central? Pois a taxa do cheque especial não caiu, não: ao contrário, subiu, para 169,1% ao ano.

PRESIDENTE LUGO
Muita gente não entende o que se passa com o presidente paraguaio por esquecer um fato básico: em espanhol, "padre" quer dizer "pai".

RIPA NO COLUNISTA
É difícil desagradar a todos ao mesmo tempo, mas este colunista vai tentar. O governo estará rigorosamente correto se aumentar os impostos para manter estável o preço da gasolina, apesar da queda do petróleo. Manter alto o preço da gasolina contribui para reduzir um pouco o trânsito nas grandes cidades, para estimular o transporte coletivo, para reduzir a poluição do ar. Contribui, também, para estimular o uso de combustíveis alternativos (como o álcool) e manter aceso o interesse por motores não poluentes. Se a gasolina cair à metade (o petróleo caiu muito mais do que isso) que é que vai acontecer com o álcool e o motor flex?

MUDANDO DE CONVERSA
A briga com o ministro Gilmar Mendes é apenas mais uma na vida do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Em 2008, Barbosa xingou o ministro Eros Grau, 68 anos, de "velho caquético", e chamou-o para a briga, sendo contido. Grau, lembrando um boletim de ocorrência registrado pela então mulher de Barbosa, foi duro: "Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse num velho também". Barbosa acusou o ministro Marco Aurélio de ter julgado um processo que, a seu ver, lhe caberia. Marco Aurélio desafiou-o "para resolver o assunto fora da Corte, na rua", mas foi contido. Representou contra Barbosa, e o presidente, ministro Nelson Jobim, sem tomar outras providências, deu razão a Marco Aurélio. O ministro aposentado Maurício Correia perguntou ao ministro Barbosa quando poria em pauta um processo que mantinha parado há quase um ano. Barbosa acusou-o publicamente de tráfico de influência. Correia interpelou judicialmente o ministro Joaquim Barbosa, que preferiu retratar-se.

NÃO É LÁ!
Esta coluna errou ao informar que a Refinaria Abreu e Lima (aquela que a Venezuela iria financiar e até agora não mexeu no bolso) fica em Abreu e Lima. Fica em Ipojuca, também em Pernambuco, mas no Litoral Sul, não no Norte.

TEMPOS E COSTUMES
Quando o Rio era capital, os parlamentares moravam lá, fosse qual fosse seu Estado. Com o salário, pagavam casa, viagens, roupas (nada de auxílio-paletó!); levavam a família. Havia bandidos? Claro; mas seus hábitos não contaminavam o Congresso todo. Quando a capital se mudou para Brasília, longe de tudo, com comunicações difíceis, criaram-se as mordomias. Só que isso faz 50 anos: Brasília é uma cidade moderníssima, com boa qualidade de vida, com tudo o que é necessário.

TALVEZ SIRVA DE CONSOLO...
Cá e lá: neste momento, um tremendo escândalo envolve o presidente da Comunidade Valenciana (uma espécie de Estado, mais autônomo que os brasileiros), na Espanha. A história mais saborosa é a de um alfaiate que recebeu milhões de euros e emitiu notas frias, por roupas que não confeccionou. Para políticos, veja só! Há relações estranhas com empreiteiras, presentes para a mulher do presidente da Comunidade - o noticiário é o mesmo, é só mudar o nome do país.

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