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Por enquanto, é só teatro

O PT entrou com representação na Justiça contra o PSDB, exigindo a retirada do ar do site Gente que Mente


Carlos Brickmann

02/05/2010 | 00:00


O PT entrou com representação na Justiça contra o PSDB, exigindo a retirada do ar do site Gente que Mente, por considerá-lo "propaganda eleitoral antecipada e negativa" contra Dilma Rousseff. O PSDB diz que o site é dedicado a "mostrar as mentiras petistas", e que é só pararem de mentir que esvaziarão o site.

Briga boa, não? Não: por incrível que pareça, as brigas de pesquisas, as acusações mútuas, os ataques via internet são apenas um aquecimento para a campanha real, que começa depois da Copa e quando se iniciar o horário gratuito. Até lá, aquilo que parece um duelo não envolve espadas: no máximo, floretes.

O horário eleitoral gratuito é a principal fonte de informação de uma imensa parcela do eleitorado; a TV é decisiva na caça aos votos. E isso não vale apenas para o horário eleitoral: os debates também podem ser decisivos - talvez não indiquem em quem votar, mas frequentemente indicam em quem não votar.

Pode haver outros fatores. Em 1988, quando três operários foram mortos na ocupação militar da Companhia Siderúrgica Nacional, o clima eleitoral mudou em todo País, e deu fôlego ao PT. Maluf era favorito em São Paulo, e o segundo colocado era João Leiva, candidato do governador Quércia; ganhou Luiza Erundina. Na eleição anterior, Maria Luiza Fontenelle se elegeu prefeita de Fortaleza, quando Paes de Andrade era tão favorito que os institutos de pesquisa já nem estavam por lá.

Pode haver outros fatores - mas, normalmente, a TV é decisiva. E, tirando os eleitores mais politizados, quem pensa em eleições quando a Copa está para começar?

QUESTÃO DE NOME
Ao tomar conhecimento da bobagem de fechar algo que é útil e nada custa, este colunista soube de um fato engraçado: o título oficial do reitor da USP é "Vossa Magnificência". Este colunista quer ser chamado de "Vossa Gordência".

DEIXAI AS ESPERANÇAS
Ficha limpa ? Esqueça: se não forem aceitas pelo menos algumas manchinhas, o projeto da Ficha Limpa para admitir candidaturas não passa. Ninguém espera que Serra vote um projeto contra carecas, ou que Lula seja contra quem tem a língua presa. Por que nossos deputados e senadores iriam contra os fichas-sujas?

CULTURA DA ÉPOCA
A palavra candidato vem de cândida, branca. Na antiga Roma, quem pedia votos usava túnicas brancas, limpíssimas, simbolizando sua vida sem manchas. Depois de eleito, bola pra frente. Mas aqui eles começam antes de eleitos.

O PREÇO DAS CRIANÇAS
Os casos de pedofilia na Igreja Católica se transformaram em escândalo mundial, como se fosse a própria instituição, e não alguns de seus integrantes, a responsável pelos crimes. A Igreja Católica não pode ser responsabilizada por atos praticados por gente de seus quadros; Mas não se pode esquecer que a Igreja, já há alguns séculos, vem tolerando atitudes que mereceriam enfrentamento mais drástico. Veja em www.brickmann.com.br/artigos.php uma tabela de preços para perdão de pecados, promulgada por um papa de prestígio, Leão X. Há perdão pago (e caro) para tudo, até o incesto, até o homicídio, até a pedofilia. É a venda das indulgências, que gerou a rebelião protestante de Lutero contra o papado.

VEJAMOS AS NOVAS DESCULPAS
A tentativa de extorsão ao vice-presidente José Alencar não clareou o debate sobre o uso de telefones celulares nas prisões: continua-se falando na impossibilidade de bloqueá-los sem atrapalhar as comunicações em toda a área próxima. O óbvio - se não há tomadas nas celas, se a bateria dos celulares tem de ser recarregada, como é que a recarregam? - continua fora de discussão: sabe-se que é corrupção, medo, e aceita-se o fato como definitivo. Há outra possível solução a ser testada: um sistema israelense de bloqueio, que recebe os números dos celulares que devem continuar funcionando em determinada área e bloqueia todos os outros. Foi apresentado no Rio em abril do ano passado, numa feira de tecnologia de segurança - e, ao que se saiba, ninguém sequer experimentou o sistema.

BRIGA SEM SENTIDO
A USP (Universidade de São Paulo) acaba de envolver-se numa daquelas brigas ridículas em que só há perdedores: determinou o fechamento do canil do campus, mantido por voluntários, que recolhem cães abandonados, procuram donos para eles, vacinam e castram animais de áreas carentes. Com o canil da USP reduz-se o número de cães de rua e o risco de doenças causadas por animais. Por que fechar o canil? Ninguém sabe, ninguém diz. Aliás, dizer o quê?

O PROFETA NA REDE
Um bom programa para hoje às 21h, pela Rádio Inconfidência 100,9 FM ou pela internet, em www.inconfidencia.com.br: Marco Lacerda entrevista Alberto Dines, criador e diretor do Observatório da Imprensa. Dines foi o grande responsável por uma das melhores fases do Jornal do Brasil; lançou no País a crítica de mídia, com o Jornal dos Jornais, na Folha; escreveu alguns livros de primeira linha, sobre jornalismo (como O Papel do Jornal) e história (como Vínculos de Fogo, sobre o teatrólogo brasileiro Antônio José da Silva, o Judeu, morto na fogueira em Portugal, pela Inquisição.



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