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Atenção, todo mundo fingindo

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, acredita que a candidatura de Dilma Rousseff pode ter problemas


Carlos Brickmann

26/05/2010 | 00:00


A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, acredita que a candidatura de Dilma Rousseff pode ter problemas já no registro; ou, em caso de vitória, na proclamação. Motivo: o desrespeito de Dilma e do presidente Lula à lei eleitoral.
Na verdade, com todo o respeito à vice-procuradora-geral, não vai acontecer nada disso. Não há condições políticas para barrar a candidata à Presidência. E, se houvesse, qualquer candidato indicado para substituí-la venceria a eleição.
Isso já aconteceu, logo após a implantação do regime militar. Jânio Quadros era o candidato favorito à prefeitura paulistana. Foi cassado. Buscou um oficial da Aeronáutica em quem confiava, pouquíssimo conhecido do eleitorado: o brigadeiro Faria Lima, que saiu em seu lugar. E a eleição foi um passeio.
O fato é que nossa lei eleitoral é tão absurda, tão cheia de contradições, que é dificílimo obedecê-la - por exemplo, Serra, Dilma e Marina precisam fingir que não são candidatos, apenas ‘pré-candidatos', seja lá isso o que for. O presidente Lula, para não ser multado, precisa fingir que não joga seu prestígio em Dilma. O governo federal finge que não há abuso de poder político e econômico em favor da candidata. O governo estadual paulista finge que sua propaganda, com verbas reforçadíssimas, nada tem a ver com a campanha de Serra. O prefeito paulistano Gilberto Kassab finge que suas obras (e há muitas, de boa qualidade) são feitas "em conjunto com o governador José Serra", que até já deixou o cargo.
Está na hora de mudar a frase. Que tal "não me engane que aí eu gosto"?

PODE, NÃO PODE
Imagine que o presidente Lula fosse candidato à reeleição. Ele poderia continuar no cargo, comandando um governo que atua em todo o País. Já Serra precisou se afastar de um governo que atua em um único Estado. E a ministra Dilma, que atuava em uma única área do governo federal, também teve de sair.

PROPOSTA DE CONSERTO
Até agora, só um candidato ao Congresso promete trabalhar pela reformulação da lei eleitoral: Chico Santa Rita, que conhece eleições (é um dos mais vitoriosos marqueteiros do País) e sai para deputado federal pelo PV paulista. É curioso: ele, que sempre trabalhou para os outros, fará campanha para si mesmo.

TV LULA-LÁ
A TV Brasil (que o próprio presidente Lula, no lançamento, chamou de "minha TV") agora é internacional. Toda a população do mundo está envolvida no processo: o presidente pediu, o ministro Franklin Martins o atendeu, o contribuinte paga e, como nunca dantes na história deste planeta, o povo dos outros países tem tanta oportunidade de não assistir à mesma TV que a gente aqui não vê.

A ARTE IMITA A VIDA
Dois filmes blockbuster, extremamente adequados ao clima político brasileiro, dominam as telas: Fúria de Tantãs e Robin Hood. Só que, na nossa versão, este tira de todo mundo para dar ao governo.

CALOTE NAS URNAS
Um candidato ao Senado por São Paulo contratou um assessor de imprensa, que trabalhou quatro meses naquilo que se chama de "pré-campanha" e só recebeu um. Já foi avisado de que não receberá mais nada. Se nem pagar o que combinou o candidato paga, imagine o que valem suas promessas eleitorais!

FINGINDO DE CADEIA
Mais um assassino do jornalista Tim Lopes fugiu da prisão (é o segundo, e do mesmo jeito: Ângelo Ferreira da Silva, que participou da tortura, assassínio e cremação numa pira de pneus do corpo de Tim Lopes, teve autorização para ver a família e não voltou. Curiosidade: fugiu em fevereiro, e só agora a prisão foi novamente decretada. Todo mundo fingiu que o assassino estava preso, aí fingiram que ele continuava preso, agora vão procurá-lo - se não estiverem fingindo.



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Atenção, todo mundo fingindo

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, acredita que a candidatura de Dilma Rousseff pode ter problemas

Carlos Brickmann

26/05/2010 | 00:00


A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, acredita que a candidatura de Dilma Rousseff pode ter problemas já no registro; ou, em caso de vitória, na proclamação. Motivo: o desrespeito de Dilma e do presidente Lula à lei eleitoral.
Na verdade, com todo o respeito à vice-procuradora-geral, não vai acontecer nada disso. Não há condições políticas para barrar a candidata à Presidência. E, se houvesse, qualquer candidato indicado para substituí-la venceria a eleição.
Isso já aconteceu, logo após a implantação do regime militar. Jânio Quadros era o candidato favorito à prefeitura paulistana. Foi cassado. Buscou um oficial da Aeronáutica em quem confiava, pouquíssimo conhecido do eleitorado: o brigadeiro Faria Lima, que saiu em seu lugar. E a eleição foi um passeio.
O fato é que nossa lei eleitoral é tão absurda, tão cheia de contradições, que é dificílimo obedecê-la - por exemplo, Serra, Dilma e Marina precisam fingir que não são candidatos, apenas ‘pré-candidatos', seja lá isso o que for. O presidente Lula, para não ser multado, precisa fingir que não joga seu prestígio em Dilma. O governo federal finge que não há abuso de poder político e econômico em favor da candidata. O governo estadual paulista finge que sua propaganda, com verbas reforçadíssimas, nada tem a ver com a campanha de Serra. O prefeito paulistano Gilberto Kassab finge que suas obras (e há muitas, de boa qualidade) são feitas "em conjunto com o governador José Serra", que até já deixou o cargo.
Está na hora de mudar a frase. Que tal "não me engane que aí eu gosto"?

PODE, NÃO PODE
Imagine que o presidente Lula fosse candidato à reeleição. Ele poderia continuar no cargo, comandando um governo que atua em todo o País. Já Serra precisou se afastar de um governo que atua em um único Estado. E a ministra Dilma, que atuava em uma única área do governo federal, também teve de sair.

PROPOSTA DE CONSERTO
Até agora, só um candidato ao Congresso promete trabalhar pela reformulação da lei eleitoral: Chico Santa Rita, que conhece eleições (é um dos mais vitoriosos marqueteiros do País) e sai para deputado federal pelo PV paulista. É curioso: ele, que sempre trabalhou para os outros, fará campanha para si mesmo.

TV LULA-LÁ
A TV Brasil (que o próprio presidente Lula, no lançamento, chamou de "minha TV") agora é internacional. Toda a população do mundo está envolvida no processo: o presidente pediu, o ministro Franklin Martins o atendeu, o contribuinte paga e, como nunca dantes na história deste planeta, o povo dos outros países tem tanta oportunidade de não assistir à mesma TV que a gente aqui não vê.

A ARTE IMITA A VIDA
Dois filmes blockbuster, extremamente adequados ao clima político brasileiro, dominam as telas: Fúria de Tantãs e Robin Hood. Só que, na nossa versão, este tira de todo mundo para dar ao governo.

CALOTE NAS URNAS
Um candidato ao Senado por São Paulo contratou um assessor de imprensa, que trabalhou quatro meses naquilo que se chama de "pré-campanha" e só recebeu um. Já foi avisado de que não receberá mais nada. Se nem pagar o que combinou o candidato paga, imagine o que valem suas promessas eleitorais!

FINGINDO DE CADEIA
Mais um assassino do jornalista Tim Lopes fugiu da prisão (é o segundo, e do mesmo jeito: Ângelo Ferreira da Silva, que participou da tortura, assassínio e cremação numa pira de pneus do corpo de Tim Lopes, teve autorização para ver a família e não voltou. Curiosidade: fugiu em fevereiro, e só agora a prisão foi novamente decretada. Todo mundo fingiu que o assassino estava preso, aí fingiram que ele continuava preso, agora vão procurá-lo - se não estiverem fingindo.

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