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Ética de vez em quando

As denúncias de bandalheiras na Casa Civil da Presidência da República foram encaminhadas pela própria ministra à Comissão de Ética Pública


Carlos Brickmann

15/09/2010 | 00:00


Tudo resolvido: as denúncias de bandalheiras na Casa Civil da Presidência da República foram encaminhadas pela própria ministra à Comissão de Ética Pública, formada por sete pessoas de indisputável idoneidade, de reputação acima de qualquer suspeita, gente inatacável. A Comissão de Ética Pública indicará se a ministra Erenice Guerra, cujo filho Israel foi acusado de negociar interesses privados usando o nome da mãe, tem condições para continuar no governo.

Lindo, né? Só que a última reunião da Comissão de Ética Pública antes dessa ocorreu há quatro meses, em 10 de maio último. Na reunião de maio, foi aprovado o informe sobre as atividades de 2009. Discutiram-se também temas relevantes, como a escolha de um palestrante para o Seminário Internacional de Gestão de Ética, recebimento de material sobre o CLAD (Centro Latino-americano de Administración para el Desarrollo), que se realizaria na República Dominicana, escolha do representante para participar de reunião da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que se realizaria em São Paulo, pedido de informações sobre a possibilidade de receber espaço no informe chapa-branca Em Questão, editado pela Secom (aquela, comandada pelo ministro Franklin Martins), aprovação das atas de reuniões anteriores.

Ufa! Nesse ritmo, imagine o caro leitor em qual das reuniões que se realizam de vez em quando, em ritmo de discurso do senador Eduardo Suplicy, é que será analisado o caso Erenice - Israel Guerra. Mas, tenha certeza, esse dia chegará.

PALAVRAS FATAIS
A língua portuguesa tem características interessantes, como palavras e expressões que significam o oposto do que parecem. "Pois não", por exemplo, quer dizer "sim"; já "pois sim" quer dizer "não". É por isso que se deve tomar cuidado ao ouvir determinadas expressões, em especial quando ditas por autoridades: "rigoroso inquérito", "doa a quem doer", "não temos compromisso com o erro", "as autoridades estão atentas", "quem agir fora da lei será punido com rigor". Em compensação, há uma frase que significa justinho o que parece: "para os amigos, tudo".

A FORÇA DO NORDESTE
Atenção para o que deve ser o mais interessante debate entre os candidatos à Presidência: o desta segunda-feira, às 21h30, ao vivo, transmitido por dez emissoras de TV, de oito Estados (com sinal aberto para quem mais queira transmiti-lo). A novidade é que, pela primeira vez no Brasil, vai-se adotar o modelo norte-americano de regionalizar o debate. Este será sobre o Nordeste - uma região contraditória, de grandes obras, onde a economia cresce com força, mas ainda cheia de problemas antigos que até agora não foi possível resolver.

O PREÇO DO VOTO
Está na coluna de Aziz Ahmed, no Jornal do Commercio do Rio:

"Há 275 candidatos ao Senado, 6.040 à Câmara dos Deputados e 14.383 às Assembleias Legislativas. Vão torrar R$ 20 bilhões em campanhas com o objetivo de chegar ao paraíso".

Aziz Ahmed costuma ser muito bem informado, mas neste caso seu cálculo pode pecar pela modéstia: este colunista acha que as despesas vão ultrapassar em muito os R$ 20 bilhões. E não é de reais, não: o cálculo é em dólares.

O TROVÃO DO SILÊNCIO
Do sempre ótimo Ricardo Setti: "Está fazendo um barulhão danado o silêncio do senador José Sarney (PMDB-AP) sobre a prisão de seus principais aliados no Amapá". Também é ensurdecedor o "não sabia de nada" do presidente Lula, que recomendou pela TV o voto nos cavalheiros que seriam presos em seguida. Brizola Neto, símbolo do PDT fundado por seu avô Leonel Brizola, partido do candidato engaiolado Waldez de Góes, esqueceu os tijolaços - textos imensos e chatos, mal copiados dos que seu avô publicava. Este colunista deve estar com déficit de atenção. Não notou nenhuma ação de Brizola Neto diante da prisão de seu correligionário Ari Artuzi, prefeito de Dourados (MS), filmado quando recebia propina.



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Ética de vez em quando

As denúncias de bandalheiras na Casa Civil da Presidência da República foram encaminhadas pela própria ministra à Comissão de Ética Pública

Carlos Brickmann

15/09/2010 | 00:00


Tudo resolvido: as denúncias de bandalheiras na Casa Civil da Presidência da República foram encaminhadas pela própria ministra à Comissão de Ética Pública, formada por sete pessoas de indisputável idoneidade, de reputação acima de qualquer suspeita, gente inatacável. A Comissão de Ética Pública indicará se a ministra Erenice Guerra, cujo filho Israel foi acusado de negociar interesses privados usando o nome da mãe, tem condições para continuar no governo.

Lindo, né? Só que a última reunião da Comissão de Ética Pública antes dessa ocorreu há quatro meses, em 10 de maio último. Na reunião de maio, foi aprovado o informe sobre as atividades de 2009. Discutiram-se também temas relevantes, como a escolha de um palestrante para o Seminário Internacional de Gestão de Ética, recebimento de material sobre o CLAD (Centro Latino-americano de Administración para el Desarrollo), que se realizaria na República Dominicana, escolha do representante para participar de reunião da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que se realizaria em São Paulo, pedido de informações sobre a possibilidade de receber espaço no informe chapa-branca Em Questão, editado pela Secom (aquela, comandada pelo ministro Franklin Martins), aprovação das atas de reuniões anteriores.

Ufa! Nesse ritmo, imagine o caro leitor em qual das reuniões que se realizam de vez em quando, em ritmo de discurso do senador Eduardo Suplicy, é que será analisado o caso Erenice - Israel Guerra. Mas, tenha certeza, esse dia chegará.

PALAVRAS FATAIS
A língua portuguesa tem características interessantes, como palavras e expressões que significam o oposto do que parecem. "Pois não", por exemplo, quer dizer "sim"; já "pois sim" quer dizer "não". É por isso que se deve tomar cuidado ao ouvir determinadas expressões, em especial quando ditas por autoridades: "rigoroso inquérito", "doa a quem doer", "não temos compromisso com o erro", "as autoridades estão atentas", "quem agir fora da lei será punido com rigor". Em compensação, há uma frase que significa justinho o que parece: "para os amigos, tudo".

A FORÇA DO NORDESTE
Atenção para o que deve ser o mais interessante debate entre os candidatos à Presidência: o desta segunda-feira, às 21h30, ao vivo, transmitido por dez emissoras de TV, de oito Estados (com sinal aberto para quem mais queira transmiti-lo). A novidade é que, pela primeira vez no Brasil, vai-se adotar o modelo norte-americano de regionalizar o debate. Este será sobre o Nordeste - uma região contraditória, de grandes obras, onde a economia cresce com força, mas ainda cheia de problemas antigos que até agora não foi possível resolver.

O PREÇO DO VOTO
Está na coluna de Aziz Ahmed, no Jornal do Commercio do Rio:

"Há 275 candidatos ao Senado, 6.040 à Câmara dos Deputados e 14.383 às Assembleias Legislativas. Vão torrar R$ 20 bilhões em campanhas com o objetivo de chegar ao paraíso".

Aziz Ahmed costuma ser muito bem informado, mas neste caso seu cálculo pode pecar pela modéstia: este colunista acha que as despesas vão ultrapassar em muito os R$ 20 bilhões. E não é de reais, não: o cálculo é em dólares.

O TROVÃO DO SILÊNCIO
Do sempre ótimo Ricardo Setti: "Está fazendo um barulhão danado o silêncio do senador José Sarney (PMDB-AP) sobre a prisão de seus principais aliados no Amapá". Também é ensurdecedor o "não sabia de nada" do presidente Lula, que recomendou pela TV o voto nos cavalheiros que seriam presos em seguida. Brizola Neto, símbolo do PDT fundado por seu avô Leonel Brizola, partido do candidato engaiolado Waldez de Góes, esqueceu os tijolaços - textos imensos e chatos, mal copiados dos que seu avô publicava. Este colunista deve estar com déficit de atenção. Não notou nenhuma ação de Brizola Neto diante da prisão de seu correligionário Ari Artuzi, prefeito de Dourados (MS), filmado quando recebia propina.

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