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Inverno aumenta busca por cirurgias plásticas

Sociedade Brasileira espera acréscimo de 60% na procura por procedimentos estéticos neste mês


Thaís Moraes
Do Diário do Grande ABC

29/06/2013 | 16:39


Para muitos, o mês de julho é sinônimo de férias e descanso. Mas, para porcentagem significativa da população brasileira, é tempo de aproveitar o ócio e cuidar da aparência. A SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) aponta aumento de 60% na procura por cirurgias plásticas estéticas em toda a região Centro Sul do Brasil neste mês. O número é superior ao mesmo período do ano passado, quando foi detectado acréscimo de 50% no agendamento de procedimentos.

“Nesta época do ano há sempre foco maior na procura por conta das férias escolares e do clima frio, que proporciona recuperação mais confortável. Outro fator é o aumento do poder aquisitivo da população, que também reflete no número de cirurgias”, avalia o presidente da SBPC, José Horácio Aboudib.

Atualmente o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de cirurgias plásticas de cunho estético. A última pesquisa da entidade aponta que, em 2011, foram realizadas 905.124 cirurgias. A maior procura foi pela lipoaspiração, seguida de implantes mamários e procedimentos na face. A primeira posição continua sendo dos Estados Unidos, que registrou 1.094.146 operações no mesmo ano, segundo o Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética).

O professor da disciplina de Cirurgia Plástica da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e integrante da Sociedade Brasileira, Sidney Zanasi, explica que, de fato, o inverno é o melhor momento para a realização da cirurgia. “As baixas temperaturas da estação fazem com que o corpo fique com os vasos sanguíneos mais contraídos e, consequentemente, menos inchado. Quando se faz uma cirurgia no verão, além do inchaço característico do pós-operatório, há também o inchaço causado pelo calor.”

Aos 17 anos, a jornalista Bruna Dalmas, hoje com 22, passou por cirurgia de aumento de mamas. “Desde os 14 anos pensava em fazer a operação porque não tinha quase nada de seio, era uma questão de autoestima. Fiz no inverno porque coincidia com as férias e no verão já estaria bem. Não me arrependo, minha confiança melhorou muito”, garante.

A universitária Thaís Araújo, 19, também escolheu a estação mais fria para operar o nariz no ano passado. “No início da adolescência, comecei a ficar incomodada com um ossinho que tinha no nariz. A gente acaba tirando mais fotos e focando nos defeitos. Optei pelas férias por conta da liberdade na recuperação e porque, após a cirurgia, tive que passar um tempo sem tomar sol”, comenta. “Mas esperei ter certeza para fazer o procedimento. Se há alguma dúvida, acho melhor não ir em frente”, opina.

Preocupação excessiva com aparência pode ser doença

Quase todas as pessoas têm uma parte do corpo que gostariam de modificar, seja por meio de cirurgia plástica ou não, e isso é normal e aceitável.

Mas, de acordo com a psicóloga do departamento de cirurgia plástica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Maria José Azevedo de Brito Rocha, há casos em que a situação demanda ajuda profissional. “Preocupação excessiva com a imagem pode ser sinal de uma doença chamada transtorno dismórfico corporal. A pessoa se enxerga com uma aparência que não tem. É como uma pessoa anoréxica que se vê acima do peso”, alerta.

O principal sintoma de que a insatisfação é proveniente do transtorno, segundo a especialista, é o nível de sofrimento que o suposto defeito provoca, afetando relações afetivas e sociais. “As taxas de suicídios em pessoas com a doença são altíssimas”, destaca.

Embora o transtorno não seja muito conhecido, sua descoberta ocorreu há mais de 100 anos, em 1886, por um psiquiatra italiano. “É um problema antigo, mas do qual não se falava muito por ser facilmente confundido com a depressão. O transtorno pode afetar ambos os sexos e geralmente começa no início da adolescência”, esclarece.

No caso do aumento da procura pelos procedimentos cirúrgicos, Maria José atribui a diversos fatores. “Pode ser estratégia adaptativa de uma cultura que valoriza a aparência física e que dá muita ênfase à juventude e forma física. O avanço da Medicina também colabora para o aumento da segurança que o procedimento passa para as pessoas. E há também os benefícios terapêuticos, já que a melhora da autoestima com as modificações corporais é comprovada.”
 



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Inverno aumenta busca por cirurgias plásticas

Sociedade Brasileira espera acréscimo de 60% na procura por procedimentos estéticos neste mês

Thaís Moraes
Do Diário do Grande ABC

29/06/2013 | 16:39


Para muitos, o mês de julho é sinônimo de férias e descanso. Mas, para porcentagem significativa da população brasileira, é tempo de aproveitar o ócio e cuidar da aparência. A SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) aponta aumento de 60% na procura por cirurgias plásticas estéticas em toda a região Centro Sul do Brasil neste mês. O número é superior ao mesmo período do ano passado, quando foi detectado acréscimo de 50% no agendamento de procedimentos.

“Nesta época do ano há sempre foco maior na procura por conta das férias escolares e do clima frio, que proporciona recuperação mais confortável. Outro fator é o aumento do poder aquisitivo da população, que também reflete no número de cirurgias”, avalia o presidente da SBPC, José Horácio Aboudib.

Atualmente o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de cirurgias plásticas de cunho estético. A última pesquisa da entidade aponta que, em 2011, foram realizadas 905.124 cirurgias. A maior procura foi pela lipoaspiração, seguida de implantes mamários e procedimentos na face. A primeira posição continua sendo dos Estados Unidos, que registrou 1.094.146 operações no mesmo ano, segundo o Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética).

O professor da disciplina de Cirurgia Plástica da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e integrante da Sociedade Brasileira, Sidney Zanasi, explica que, de fato, o inverno é o melhor momento para a realização da cirurgia. “As baixas temperaturas da estação fazem com que o corpo fique com os vasos sanguíneos mais contraídos e, consequentemente, menos inchado. Quando se faz uma cirurgia no verão, além do inchaço característico do pós-operatório, há também o inchaço causado pelo calor.”

Aos 17 anos, a jornalista Bruna Dalmas, hoje com 22, passou por cirurgia de aumento de mamas. “Desde os 14 anos pensava em fazer a operação porque não tinha quase nada de seio, era uma questão de autoestima. Fiz no inverno porque coincidia com as férias e no verão já estaria bem. Não me arrependo, minha confiança melhorou muito”, garante.

A universitária Thaís Araújo, 19, também escolheu a estação mais fria para operar o nariz no ano passado. “No início da adolescência, comecei a ficar incomodada com um ossinho que tinha no nariz. A gente acaba tirando mais fotos e focando nos defeitos. Optei pelas férias por conta da liberdade na recuperação e porque, após a cirurgia, tive que passar um tempo sem tomar sol”, comenta. “Mas esperei ter certeza para fazer o procedimento. Se há alguma dúvida, acho melhor não ir em frente”, opina.

Preocupação excessiva com aparência pode ser doença

Quase todas as pessoas têm uma parte do corpo que gostariam de modificar, seja por meio de cirurgia plástica ou não, e isso é normal e aceitável.

Mas, de acordo com a psicóloga do departamento de cirurgia plástica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Maria José Azevedo de Brito Rocha, há casos em que a situação demanda ajuda profissional. “Preocupação excessiva com a imagem pode ser sinal de uma doença chamada transtorno dismórfico corporal. A pessoa se enxerga com uma aparência que não tem. É como uma pessoa anoréxica que se vê acima do peso”, alerta.

O principal sintoma de que a insatisfação é proveniente do transtorno, segundo a especialista, é o nível de sofrimento que o suposto defeito provoca, afetando relações afetivas e sociais. “As taxas de suicídios em pessoas com a doença são altíssimas”, destaca.

Embora o transtorno não seja muito conhecido, sua descoberta ocorreu há mais de 100 anos, em 1886, por um psiquiatra italiano. “É um problema antigo, mas do qual não se falava muito por ser facilmente confundido com a depressão. O transtorno pode afetar ambos os sexos e geralmente começa no início da adolescência”, esclarece.

No caso do aumento da procura pelos procedimentos cirúrgicos, Maria José atribui a diversos fatores. “Pode ser estratégia adaptativa de uma cultura que valoriza a aparência física e que dá muita ênfase à juventude e forma física. O avanço da Medicina também colabora para o aumento da segurança que o procedimento passa para as pessoas. E há também os benefícios terapêuticos, já que a melhora da autoestima com as modificações corporais é comprovada.”
 

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