Entrevista
Celso Luiz/DGABC

O prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides (PMDB), disse que quer disputar a reeleição contra o ex-comandante do Paço Clóvis Volpi (PTB). O peemedebista torce para que o antecessor fique apto para concorrer à eleição municipal de 2016, pois deseja enfrentá-lo nas urnas. Volpi pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa por problemas nas contas da Prefeitura. Em entrevista exclusiva ao Diário, o chefe do Executivo avaliou que o petebista não conseguiu superar a derrota em outubro do ano passado. "(O Clóvis) Sempre trabalhou com a possibilidade de vitória e não aceitou a derrota porque se trata do Saulo. Uma pessoa que ele desqualificava.". A briga entre Volpi e Saulo começou em 2009, quando os dois tiveram discussão e o peemedebista declarou oposição ao então gestor - na época ambos estavam no PV. O prefeito de Ribeirão comentou sobre a questão financeira da Prefeitura e se mostrou preocupado com a arrecadação, que está 5% menor do que no ano passado. "Está abaixo do previsto no Orçamento. Estamos preocupados porque as despesas foram calculadas em cima de R$ 240 milhões."
DIÁRIO -Qual balanço que o sr. faz dos primeiros meses de governo?
SAULO BENEVIDES - Aos poucos estamos conseguindo equilibrar as finanças da Prefeitura. A gente assumiu com uma dívida enorme (R$ 41,4 milhões em restos a pagar) e não foi fácil equacionar o problema porque muitos fornecedores queriam parar de fornecer e não poderíamos deixar faltar medicamentos.
DIÁRIO - No primeiro mês de governo, o sr. afirmou que não havia sobra de dinheiro e por isso realizou o contingenciamento de 25%. Ainda tem faltado dinheiro?
SAULO - Não. Hoje tem sobrado um pouco de recurso nas contas. O mais importante é o que sai e sempre pregamos que iríamos administrar com seriedade. Acabamos com desperdício. Controlamos todas as despesas e automaticamente sobrou. Com toda demanda que temos de outras cidades, nossa despesa na Saúde é menor. O ano passado o gasto era em torno de R$ 7 milhões mensais e hoje é de R$ 4,5 milhões.
DIÁRIO - Como está a arrecadação da cidade?
SAULO - Em fevereiro e março subiu 5% se comparado ao que foi arrecadado no ano passado. Depois ela caiu e segue cerca de 5% a menos do que era esperado. Está abaixo do previsto no Orçamento. Estamos preocupados porque as despesas foram calculadas em cima de R$ 240 milhões.
DIÁRIO - Quais planos são traçados para desenvolvimento econômico da cidade?
SAULO - A alça do Rodoanel (trecho Leste, que já está em fase de construção) é a grande. Isso vai trazer novas empresas, o que vai gerar emprego e renda. Vamos fazer uma lei de incentivo fiscal. Quero baixar os impostos porque o interior paulista conquistou empresários da região e Ribeirão Pires está bem localizada: perto da Baixada Santista e da Capital.
DIÁRIO - O sr. tem buscado verba para construção de um teleférico. Como estão as trativas?
SAULO - O Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias) enviou R$ 4,4 milhões. A orientação é investir o recurso em projetos que atraem o turista e não em infraestrutura. Com esse dinheiro dá para fazer um quarto da obra. O projeto ficou em R$ 12 milhões. Buscarei verba de emendas parlamentares e do Ministério do Turismo.
DIÁRIO - Os fornecedores que não receberam da administração Clóvis Volpi (PTB) já tiveram suas dívidas pagas?
SAULO - De janeiro para cá pagamos tudo em dia. A prioridade foi a Saúde. Em alguns casos fizemos composição de pagamento nos remédios que não poderíamos ficar sem. Alguns casos do setor deixados pelo Clóvis foram pagos porque eles não queriam fornecer mais.
DIÁRIO - Uma das obras prejudicadas pela situação financeira da Prefeitura foi a construção do Complexo Hospitalar Santa Luzia. Existe previsão para retomada?
SAULO - Conversei com o secretário de Saúde (Giovanni Guido Cerri) e ele me disse que vai liberar o valor suficiente para terminar o hospital. Acho que até o final do ano o problema está resolvido. Depois levará mais uns seis meses para terminar a obra.
DIÁRIO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) estará em Mauá na segunda-feira para anunciar ajuda ao Hospital Doutor Radamés Nardini. Isso pode prejudicar a negociação para que o Estado loque leitos no Complexo Hospitalar de Ribeirão?
SAULO - O Estado necessita ampliar os leitos. A locação passaria a ser um braço do Hospital Estadual Governador Mário Covas (em Santo André). Para nós seria interessante porque nos ajudaria a custear a despesa mensal.
DIÁRIO - O Festival do Chocolate será realizado entre os dias 19 de julho e 11 de agosto, apesar dos problemas financeiros da Prefeitura. Quanto foi gasto com o evento?
SAULO - Foi uma decisão difícil por causa da situação financeira, mas não poderia deixar de dar continuidade a uma festa tradicional. Determinei que o festival fosse feito com valor menor e com desafio de uma qualidade melhor. Com as contratações principais de shows foi gasto R$ 1,5 milhão.
DIÁRIO - No ano que vem, o Paço irá apoiar a dobrada da deputada estadual Vanessa Damo (PMDB-Mauá) e o seu sobrinho e vereador da cidade, Anderson Benevides (PMN), que pretende concorrer ao cargo em Brasília?
SAULO - A Vanessa é a nossa candidata oficial e tudo indica que o Anderson será nosso candidato a deputado federal. Não existe acordo com os outros integrantes e apoiadores do governo e que vão ser candidatos a deputado estadual. O Dedé (PPS, ex-vice-prefeito da cidade), a Lair (da Apraespi, PSB) e a vereadora Cléo (Meira, PTN) também são candidatos. Dobradas pela cidade são naturais, mas a principal será com a Vanessa.
DIÁRIO - O presidente do PTB em São Paulo, deputado estadual Campos Machado, afirmou que Volpi é candidato ao Paço em 2016. Qual sua análise desta conjuntura?
SAULO - O Clóvis precisa ver a questão legal e se livrar do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Penso que ele vai ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mas não torço para isso. Quero que ele seja candidato para ter a disputa. Eu respeito a posição dele. Foi prefeito durante oito anos e vai tentar voltar.
DIÁRIO - O sr. acredita que o Volpi também tem o desejo de te enfrentar?
SAULO - Acho que sim. Ele não aceitou a derrota para mim. Ele nunca imaginou que não faria o sucessor. Sempre trabalhou com a possibilidade de vitória e não aceitou a derrota porque se trata do Saulo. Uma pessoa que ele desqualificava. Quem vai julgar nosso mandato é a população.
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