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Fernanda, Breno e Clarinha

Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Síndrome de Down resolvi escrever sobre essas três histórias da realidade e da ficção


Carlos Ferrari

23/03/2011 | 00:00


Fernanda me entrevistou há mais ou menos dois anos. Foi um papo agradável com perguntas inteligentes e descontraídas em meio a uma feira lotada de gente, muito barulho, o que naquele momento exigiu um bom jogo de cintura para fazer com que a entrevista fluísse com qualidade e tranquilidade.

Falando em jogo de cintura e habilidade, já posso aproveitar o gancho para falar de Breno. Faixa preta de judô, campeão europeu e mundial de judô paratodos. Chamou-me muito a atenção uma fala dele em um vídeo que vi na internet: "Para ser campeão não adianta só ralar, treinar, é importante principalmente a família e as amizades".

A personagem Clarinha, trazida pela novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos, trouxe com muita qualidade esse debate para a sociedade brasileira. Quando a família e os amigos querem, se unem e acreditam, os problemas adquirem uma dimensão e um potencial de resolução infinitamente maiores e mais palpáveis.

Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Síndrome de Down resolvi escrever sobre essas três histórias da realidade e da ficção, que sem dúvidas têm, graças a seus protagonistas, quebrado paradigmas e desconstruído preconceitos, pois trazem consigo mensagens e exemplos concretos de que para pessoas com Down as perspectivas a serem alcançadas são muito maiores do que pessimistas e preconceituosos de plantão jamais imaginaram.

Cabe registrar que a síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença extra, total ou parcial de um cromossomo 21. Pessoas com Down têm características físicas comuns e um relativo comprometimento cognitivo. Todavia, também é importante sabermos que a síndrome independe de classe social, credo ou etnia. Assim, por conta de um alto índice de incidência e uma conscientização social maior, é cada vez mais comum pessoas com essa condição trabalhando, casando, vivendo, enfim, se superando.

Fernanda Honorato é uma repórter que pode estar longe de atender as espectativas que permeiam a construção do perfil de jornalista ideal, de acordo com padrões midiáticos atualmente vigentes. Por outro lado, ela está muito perto do que espera uma sociedade que vê crescer em seus mais diversos segmentos a presença de atores sociais convíctos de que são infinitas as possibilidades de se comunicar e informar, reconhecendo a clara necessidade de se buscar alternativas de estímulo à democratização do acesso à informação.

Breno Viola é um campeão de direito e de fato. Além de vencer no tatame competições onde participaram outras pessoas com deficiência, ele tem contrariado a ideia de fragilidade e limitação que muitos ainda tentam associar às pessoas com síndrome de Down. O atleta fala com orgulho do ‘caminho suave', tradução da palavra judô para o português, e, com simplicidade e alegria, faz questão de mostrar a importância da filosofia de Gigorokano no seu cotidiano.

Clarinha foi interpretada por uma garotinha com Down. Ela encantou o Brasil, superando as limitações e ajudando muitas famílias a buscar coragem para lutar por direitos e construírem caminhos para uma inclusão cada vez mais plena de seus filhos.

Nesse espaço quero cumprimentar e abraçar a cada brasileiro envolvido nessa luta. Avançamos muito e os próximos passos com certeza serão ainda melhores.



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