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Retrato de aniversário

Sempre disse que busco, em meus textos, esculpir ideias...


Carlos Ferrari

27/06/2012 | 00:00


Sempre disse que busco, em meus textos, esculpir ideias por meio de palavras. Hoje vou experimentar fazer diferente. Diga-se de passagem, tentativa ousada! Vou tentar retratar uma jovem aniversariante, filha de um casal famoso, nesse pequeno texto de pouco mais de uma página. Os pais de minha amada homenageada são queridos por todos nós, e levam como grande marca da família o charmoso contraste entre o ideal e o real. Nome do pai, sonho... Simples assim, sem qualquer sobrenome, até porque cada sonho é único, inconfundível e claro, de procedência inquestionável. Nome da mãe: Sra. Realidade... Senhora de respeito, doce por vezes, porém implacável com o compromisso de fazer cumprir as decisões tomadas por tantos anteriormente comprometidos com seu querido esposo... são os popularmente conhecidos por ‘sonhadores'.

Finalmente, a musa de minha fotografia: Avape - Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência. O nome da certidão de nascimento não era esse, porém a jovem sempre teve por marca a coragem e a inovação, herança genética de seus 47 fundadores que decidiram fazer de seu local de trabalho o berço seguro e digno para acalentar essa bela aniversariante que agora completa trinta anos.

Fundada em meio à linha de produção da Volkswagem do Brasil, por pais e familiares de pessoas com deficiência, a Avape surgiu não só como uma perspectiva para os filhos e parentes de seus idealizadores, mas também como uma possibilidade quase palpável de juntar aquelas pessoas em busca de respostas e de um futuro, para eles impossível de ser vislumbrado diante da total falta de resposta do estado brasileiro, para as necessidades daqueles que tanto amavam.

A organização cresceu, e a bela filhinha do sonho e da realidade, mais do que uma frágil boa ideia, se transformou em uma forte referência em se tratando de gestão do terceiro setor e viabilização de soluções para autonomia da pessoa com deficiência. Em seu álbum de fotografias de quinze anos, a jovem promissora já podia apresentar belas lembranças como a conquista da ISO 9000, podendo se orgulhar em ser a primeira de seu segmento a alcançar tal feito, sem falar dos intercâmbios que tornavam a mocinha já na década de noventa uma entidade global.

Pessoalmente, trago na lembrança os momentos que antecederam seu nascimento, e alguns de seus primeiros anos de vida. Me recordo de reuniões demoradas, onde eu tinha que ficar quieto no colo de meus pais, e lembro que o assunto era ‘fundação da Avape'. Também ficam na memória as divertidas festas do falecido clube da Volks. Lá haviam gincanas e barracas, e todos os esforços eram feitos para angariar fundos para a almejada recém-nascida.

Talvez esse retrato não fique tão bom, pois fiquei por mais de duas décadas distante dessa moderna 3.0, com tanta história para contar. Para não correr o risco de comprometer a beleza de um texto que se propõe celebrar as três décadas de fundação da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, elenco como principais traços desse meu retrato em três mil e poucos caracteres: 

- A humildade e a coragem dos fundadores e tantos outros que fizeram da Avape algo concreto;

- A paixão e o compromisso dos atuais colaboradores, e de tantos que já não estão mais na Avape, na perspectiva de construir uma organização que não pretende ajudar ninguém, mas sim assegurar direitos, cidadania e dignidade;

- A confiança de parceiros dos setores público e privado, além, claro, de tantas outras organizações do terceiro setor, que sempre acreditaram na busca da Avape por consolidar uma gestão empreendedora e sustentável;

- Por fim, destaco as milhares de pessoas com deficiência que, a partir da organização, transformaram suas histórias, seja graças a um novo emprego, ou mesmo a um bem sucedido processo de reabilitação.

Parabéns Avape e Avapeanos!



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Retrato de aniversário

Sempre disse que busco, em meus textos, esculpir ideias...

Carlos Ferrari

27/06/2012 | 00:00


Sempre disse que busco, em meus textos, esculpir ideias por meio de palavras. Hoje vou experimentar fazer diferente. Diga-se de passagem, tentativa ousada! Vou tentar retratar uma jovem aniversariante, filha de um casal famoso, nesse pequeno texto de pouco mais de uma página. Os pais de minha amada homenageada são queridos por todos nós, e levam como grande marca da família o charmoso contraste entre o ideal e o real. Nome do pai, sonho... Simples assim, sem qualquer sobrenome, até porque cada sonho é único, inconfundível e claro, de procedência inquestionável. Nome da mãe: Sra. Realidade... Senhora de respeito, doce por vezes, porém implacável com o compromisso de fazer cumprir as decisões tomadas por tantos anteriormente comprometidos com seu querido esposo... são os popularmente conhecidos por ‘sonhadores'.

Finalmente, a musa de minha fotografia: Avape - Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência. O nome da certidão de nascimento não era esse, porém a jovem sempre teve por marca a coragem e a inovação, herança genética de seus 47 fundadores que decidiram fazer de seu local de trabalho o berço seguro e digno para acalentar essa bela aniversariante que agora completa trinta anos.

Fundada em meio à linha de produção da Volkswagem do Brasil, por pais e familiares de pessoas com deficiência, a Avape surgiu não só como uma perspectiva para os filhos e parentes de seus idealizadores, mas também como uma possibilidade quase palpável de juntar aquelas pessoas em busca de respostas e de um futuro, para eles impossível de ser vislumbrado diante da total falta de resposta do estado brasileiro, para as necessidades daqueles que tanto amavam.

A organização cresceu, e a bela filhinha do sonho e da realidade, mais do que uma frágil boa ideia, se transformou em uma forte referência em se tratando de gestão do terceiro setor e viabilização de soluções para autonomia da pessoa com deficiência. Em seu álbum de fotografias de quinze anos, a jovem promissora já podia apresentar belas lembranças como a conquista da ISO 9000, podendo se orgulhar em ser a primeira de seu segmento a alcançar tal feito, sem falar dos intercâmbios que tornavam a mocinha já na década de noventa uma entidade global.

Pessoalmente, trago na lembrança os momentos que antecederam seu nascimento, e alguns de seus primeiros anos de vida. Me recordo de reuniões demoradas, onde eu tinha que ficar quieto no colo de meus pais, e lembro que o assunto era ‘fundação da Avape'. Também ficam na memória as divertidas festas do falecido clube da Volks. Lá haviam gincanas e barracas, e todos os esforços eram feitos para angariar fundos para a almejada recém-nascida.

Talvez esse retrato não fique tão bom, pois fiquei por mais de duas décadas distante dessa moderna 3.0, com tanta história para contar. Para não correr o risco de comprometer a beleza de um texto que se propõe celebrar as três décadas de fundação da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, elenco como principais traços desse meu retrato em três mil e poucos caracteres: 

- A humildade e a coragem dos fundadores e tantos outros que fizeram da Avape algo concreto;

- A paixão e o compromisso dos atuais colaboradores, e de tantos que já não estão mais na Avape, na perspectiva de construir uma organização que não pretende ajudar ninguém, mas sim assegurar direitos, cidadania e dignidade;

- A confiança de parceiros dos setores público e privado, além, claro, de tantas outras organizações do terceiro setor, que sempre acreditaram na busca da Avape por consolidar uma gestão empreendedora e sustentável;

- Por fim, destaco as milhares de pessoas com deficiência que, a partir da organização, transformaram suas histórias, seja graças a um novo emprego, ou mesmo a um bem sucedido processo de reabilitação.

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