Fechar
Publicidade

Quarta-Feira, 8 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Ameaça impede escola de desfilar em Sto.André


Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

07/02/2005 | 16:42


A aspirante União do Morro, que abriria o Carnaval de Santo André na noite de sábado, desistiu de se apresentar quando os carros alegóricos já estavam embicados na avenida. A presidente da escola, Wanda Maria da Silva, 47 anos, sofreu uma ameaça de morte e resolveu não desfilar. Ela ligou para a presidente da Uesa (União das Escolas de Samba de Santo André), Neuza Cavazzana Stocco, e disse que achava que a ameaça partia de seu ex-marido, por isso, achou prudente não sair. Sem a presença da presidente, os 200 integrantes da escola foram prejudicados e não puderam entrar na avenida Firestone. No Carnaval do ano passado, o presidente da Cidade São Jorge, José Carlos Lopes, foi assassinado.

A previsão era que a escola desfilasse às 19h05. Uma hora depois, entrou na avenida a pleiteante Mocidade Imperial. Mas o público vibrou mesmo com a entrada da Tradição de Ouro, que surpreendeu e é forte candidata a integrar a elite da folia na cidade no ano que vem. Com o tema Rio Tamanduateí, dando voltas na história, a escola fez o público levantar da arquibancada, apesar do chuvisco e do vento que tentou esfriar a festa na avenida Firestone. A agremiação foi a primeira do Grupo B a se apresentar, às 21h, e, desde a fundação, há oito anos, nunca desfilou entre as principais.

A Beleza Pura, que fechou a apresentação, também não deixou ninguém sentado ao passar pela passarela do samba com a bateria e a alegria escancarada de seus passistas. O público superou as expectativas da organização e, segundo a Polícia Militar, cerca de 30 mil pessoas passaram pela área de desfile. Foram quase oito horas de festa.

Depois da Tradição, a segunda escola do grupo de acesso foi a Lírios de Ouro, que transformou o ouro, metal precioso, em samba. No desfile da agremiação apareceu a primeira mulher com peitos à mostra. A recordista de topless foi a Oásis da Vila, que cantou o Descobrimento do Brasil e desfilou com duas mulheres com os peitos de fora no carro abre-alas e outras passistas. A agremiação também foi a única a desfilar com quatro carros-alegóricos, um a mais que as outras. Tanta gente à vontade contrastou com os trajes do público, que, ao contrário do que já se viu em outros carnavais, compareceu à folia devidamente agasalhado, com calça jeans, tênis e jaqueta.

Surpresa – O bom desempenho da Tradição arrancou aplausos do público, sorriso dos integrantes e um peso das costas do presidente da agremiação, Luiz Roberto Gomes, o Luizinho, que está à frente da escola de Santa Terezinha há um ano. No sábado foi seu dia de estréia na avenida. “Foi uma luta para unir a comunidade em torno desse projeto. Quando começamos a preparar o Carnaval deste ano, tivemos de começar do zero. Não esperava que a gente fosse fazer tão bonito”, disse, depois dos 50 minutos de euforia na Firestone.

O tema escolhido é velho conhecido dos moradores do bairro-sede da agremiação. No Carnaval passado, o Tamanduateí transbordou e estragou parte das alegorias que já estavam prontas para enfeitar a avenida. Em três carros-alegóricos, a Tradição mostrou a beleza das nascentes, a sujeira que vem com as enchentes e a esperança num futuro de preservação. Com performances arrojadas e uma bateria entrosada, a escola garantiu a simpatia dos jurados. Alguns até sambaram ao som da cuíca – a escola foi a única a arranhar o instrumento na Firestone. O destaque ficou por conta da bailarina Bruna Leone Ataíde, 13 anos, que sambou na ponta dos pés, com sapatilha e tudo, interpretando um cisne.

Outra escola que trouxe bateria e comissão de frente impecável à passarela foi a Beleza Pura, que fechou o primeiro dia de Carnaval em Santo André. A exemplo da Tradição, a agremiação que caiu para o Grupo B no ano passado driblou a falta de recursos com gente talentosa na avenida. Contando a história de Xica da Silva, se os carros alegóricos eram bastante modestos, não se pode falar o mesmo da empolgação dos passistas. A Beleza foi a que mais animou a arquibancada, com direito a coreografia especial para os integrantes da bateria. Ninguém ficou sentado. E os que agüentaram até o fim do desfile deixaram a Firestone cantando o refrão do enredo.

A Acadêmicos do Centreville, penúltima da noite, apostou em personagem polêmica para tentar subir ao Grupo A. Dona Beija, Senhora de Araxá foi o tema do desfile da escola que demorou quase meia hora para entrar na avenida. A Oásis da Vila também atrasou. As duas pelo mesmo motivo: os ônibus que levariam os integrantes até a Firestone não chegaram no horário.

Na quarta-feira, a cidade conhece a escola campeã. A apuração ocorre às 14h, no ginásio Pedro Dell’Antonia.


Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;