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Famílias sem-teto invadem terreno da Volkswagen em SBC


Sucena Shkrada Resk
Do Diário do Grande ABC

19/07/2003 | 19:41


Cerca de 800 pessoas invadiram até as 15h deste sábado um terreno da Volkswagen no número 1.277 da avenida Doutor José Fornari, no bairro Ferrazópolis, em São Bernardo, onde, até 1990, funcionava a fábrica de caminhões da empresa. A ocupação começou por volta das 3h sob a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), e iria prosseguir pela madrugada deste domingo. De acordo com uma das coordenadoras do acampamento, Camila Alves, 24 anos, a estimativa é que mais de 400 famílias se transfiram para o local só neste fim de semana.

Segundo moradores vizinhos do local, por volta das 7h deste sábado, um carro de som percorreu ruas do bairro convocando a população para engrossar a invasão. “Diziam que quem não tem terra era só pegar uma lona e demarcar um pedaço do terreno, que seria da Prefeitura”, disse a auxiliar de escritório V.M, 22 anos, que pediu para não ser identificada. “Tem gente lá que mora até perto da gente. Temo a desvalorização dos nossos imóveis”, disse a dona de casa Márcia Regina Pina, 38 anos.

Segundo a líder do MTST, a maioria das famílias são de bolsões de pobreza no Grande ABC. “Nós nos juntamos para lutar pela moradia. Fizemos uma pesquisa e levantamos que essa terra é ociosa e não cumpre sua função social. Queremos reivindicar da Prefeitura que decrete o terreno de utilidade pública com base no Estatuto das Cidades.”

Ela afirmou que neste domingo o movimento iria organizar o cadastramento das famílias. “Um de nossos critérios é que cada uma ganhe até três salários mínimos e não tenha imóvel próprio”, disse Camila. Segundo ela, o MTST tem um histórico de ocupações bem-sucedidas em Guarulhos e Osasco.

Do lado de fora, uma viatura da PM (Polícia Militar) e outra da Guarda Municipal que se revezavam no portão do terreno. Até o meio da tarde, a empresa ainda não tinha feito sequer um boletim de ocorrência sobre a invasão.

Formigueiro – Sob um sol forte, centenas de pessoas de diversos pontos do Grande ABC chegavam ao local a pé ou de carro e montavam barracos de lona ou sacos de lixo, para configurar o acampamento. Placas de veículos de Santo André, Mauá, de Diadema, além de São Bernardo, chegavam e saíam de um estacionamento improvisado na entrada da área.

A mobilização acontecia ao som de músicas de Raul Seixas, que ressoavam do alto-falante de um carro de som do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Guarulhos.

Machados, picaretas, sacos de lixo e até guarda-sóis eram os instrumentos utilizados pela legião de famílias para marcar seus terrenos. Muitas delas se mostravam curiosas e buscavam informações sobre o cadastramento, ou se poderiam obter lonas emprestadas.

De acordo com a Volkswagen, por meio de sua assessoria de imprensa, o terreno está em processo de venda. A empresa não revelou, no entanto, para quem o terreno está sendo vendido. Sobre o processo de reintegração de posse do terreno, a assessoria disse que os advogados estão avaliando o caso e que a Volkswagen deverá se pronunciar oficialmente nesta segunda-feira

Colaborou Carolina Rodriguez



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Famílias sem-teto invadem terreno da Volkswagen em SBC

Sucena Shkrada Resk
Do Diário do Grande ABC

19/07/2003 | 19:41


Cerca de 800 pessoas invadiram até as 15h deste sábado um terreno da Volkswagen no número 1.277 da avenida Doutor José Fornari, no bairro Ferrazópolis, em São Bernardo, onde, até 1990, funcionava a fábrica de caminhões da empresa. A ocupação começou por volta das 3h sob a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), e iria prosseguir pela madrugada deste domingo. De acordo com uma das coordenadoras do acampamento, Camila Alves, 24 anos, a estimativa é que mais de 400 famílias se transfiram para o local só neste fim de semana.

Segundo moradores vizinhos do local, por volta das 7h deste sábado, um carro de som percorreu ruas do bairro convocando a população para engrossar a invasão. “Diziam que quem não tem terra era só pegar uma lona e demarcar um pedaço do terreno, que seria da Prefeitura”, disse a auxiliar de escritório V.M, 22 anos, que pediu para não ser identificada. “Tem gente lá que mora até perto da gente. Temo a desvalorização dos nossos imóveis”, disse a dona de casa Márcia Regina Pina, 38 anos.

Segundo a líder do MTST, a maioria das famílias são de bolsões de pobreza no Grande ABC. “Nós nos juntamos para lutar pela moradia. Fizemos uma pesquisa e levantamos que essa terra é ociosa e não cumpre sua função social. Queremos reivindicar da Prefeitura que decrete o terreno de utilidade pública com base no Estatuto das Cidades.”

Ela afirmou que neste domingo o movimento iria organizar o cadastramento das famílias. “Um de nossos critérios é que cada uma ganhe até três salários mínimos e não tenha imóvel próprio”, disse Camila. Segundo ela, o MTST tem um histórico de ocupações bem-sucedidas em Guarulhos e Osasco.

Do lado de fora, uma viatura da PM (Polícia Militar) e outra da Guarda Municipal que se revezavam no portão do terreno. Até o meio da tarde, a empresa ainda não tinha feito sequer um boletim de ocorrência sobre a invasão.

Formigueiro – Sob um sol forte, centenas de pessoas de diversos pontos do Grande ABC chegavam ao local a pé ou de carro e montavam barracos de lona ou sacos de lixo, para configurar o acampamento. Placas de veículos de Santo André, Mauá, de Diadema, além de São Bernardo, chegavam e saíam de um estacionamento improvisado na entrada da área.

A mobilização acontecia ao som de músicas de Raul Seixas, que ressoavam do alto-falante de um carro de som do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Guarulhos.

Machados, picaretas, sacos de lixo e até guarda-sóis eram os instrumentos utilizados pela legião de famílias para marcar seus terrenos. Muitas delas se mostravam curiosas e buscavam informações sobre o cadastramento, ou se poderiam obter lonas emprestadas.

De acordo com a Volkswagen, por meio de sua assessoria de imprensa, o terreno está em processo de venda. A empresa não revelou, no entanto, para quem o terreno está sendo vendido. Sobre o processo de reintegração de posse do terreno, a assessoria disse que os advogados estão avaliando o caso e que a Volkswagen deverá se pronunciar oficialmente nesta segunda-feira

Colaborou Carolina Rodriguez

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