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A partir de hoje o salário fica com contribuinte


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

29/05/2010 | 07:00


A partir de hoje o brasileiro passa a trabalhar para benefício próprio. Até ontem, dia 28, todo o suor do trabalhador foi destinado ao pagamento de impostos. Em outras palavras, apenas os rendimentos de sete meses do ano ficarão no bolso do contribuinte, que trabalhou 148 dias, ou quase cinco meses, somente para sustentar os cofres públicos.

Os dados fazem parte de estudo desenvolvido pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), que aponta, ainda, que em 1970 bastavam 76 dias, ou dois meses e meio, para o contribuinte cumprir com suas obrigações com o Fisco.

Na avaliação do economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, o tempo de trabalho para sustentar os governos foi aumentando por conta da elevação dos gastos, e da má administração deles.

"Sem contar o agravante de que muitos dos serviços públicos que o contribuinte deveria receber em troca, como Saúde, Educação e Segurança não funcionam, ou funcionam muito mal. O resultado é que as pessoas têm de pagar pelo serviço privado e acabam gastando, na prática, duas vezes", ressalta.

O País é o terceiro que mais paga impostos no mundo, perdendo para a França, com 149 dias trabalhados para pagar tributos e para a Suécia, onde são necessários 185 dias.

Segundo o Impostômetro - painel exposto no centro de São Paulo, na sede da ACSP - até hoje já foram arrecadados em torno de R$ 484 bilhões, o que dá média de R$ 2.500 por habitante. Até o fim do ano, a expectativa é de que seja recolhido R$ 1,2 trilhão. No ano passado foi arrecadado R$ 1,095 trilhão e, em 2008, R$ 1,05 trilhão - já sem contar com a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Isso porque os primeiros meses do ano foram marcados por desonerações fiscais como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos, linha branca, móveis e materiais de construção.

Hoje, 40,54% do salário bruto dos contribuintes são pagos em tributos. Em 2003, quando teve início a medição do índice pelo IBPT, o brasileiro destinava aos governos federal, estaduais e municipais em impostos, taxas e contribuições, 36,98%.

Para Solimeo, o contribuinte deve aproveitar a eleição para escolher quem se comprometa em melhorar a carga tributária, e não em criar mais gastos. Além disso, as pessoas têm de se mobilizar contra os altos impostos. "Por exemplo, se não houvesse a mobilização pública para acabar com a cobrança da CPMF, ela não teria sido extinta."

O economista conta que a CPMF gerava em torno de R$ 40 bilhões por ano em arrecadação ao governo federal. A contribuição é apenas uma entre as tantas que o brasileiro paga ao adquirir um produto. Os tributos embutidos, muitas vezes, representam mais da metade do preço pago pelo item (veja tabela ao lado).

Estão incluídos no custo dos produtos ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ), ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), sem contar os encargos trabalhistas.



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A partir de hoje o salário fica com contribuinte

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

29/05/2010 | 07:00


A partir de hoje o brasileiro passa a trabalhar para benefício próprio. Até ontem, dia 28, todo o suor do trabalhador foi destinado ao pagamento de impostos. Em outras palavras, apenas os rendimentos de sete meses do ano ficarão no bolso do contribuinte, que trabalhou 148 dias, ou quase cinco meses, somente para sustentar os cofres públicos.

Os dados fazem parte de estudo desenvolvido pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), que aponta, ainda, que em 1970 bastavam 76 dias, ou dois meses e meio, para o contribuinte cumprir com suas obrigações com o Fisco.

Na avaliação do economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, o tempo de trabalho para sustentar os governos foi aumentando por conta da elevação dos gastos, e da má administração deles.

"Sem contar o agravante de que muitos dos serviços públicos que o contribuinte deveria receber em troca, como Saúde, Educação e Segurança não funcionam, ou funcionam muito mal. O resultado é que as pessoas têm de pagar pelo serviço privado e acabam gastando, na prática, duas vezes", ressalta.

O País é o terceiro que mais paga impostos no mundo, perdendo para a França, com 149 dias trabalhados para pagar tributos e para a Suécia, onde são necessários 185 dias.

Segundo o Impostômetro - painel exposto no centro de São Paulo, na sede da ACSP - até hoje já foram arrecadados em torno de R$ 484 bilhões, o que dá média de R$ 2.500 por habitante. Até o fim do ano, a expectativa é de que seja recolhido R$ 1,2 trilhão. No ano passado foi arrecadado R$ 1,095 trilhão e, em 2008, R$ 1,05 trilhão - já sem contar com a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Isso porque os primeiros meses do ano foram marcados por desonerações fiscais como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos, linha branca, móveis e materiais de construção.

Hoje, 40,54% do salário bruto dos contribuintes são pagos em tributos. Em 2003, quando teve início a medição do índice pelo IBPT, o brasileiro destinava aos governos federal, estaduais e municipais em impostos, taxas e contribuições, 36,98%.

Para Solimeo, o contribuinte deve aproveitar a eleição para escolher quem se comprometa em melhorar a carga tributária, e não em criar mais gastos. Além disso, as pessoas têm de se mobilizar contra os altos impostos. "Por exemplo, se não houvesse a mobilização pública para acabar com a cobrança da CPMF, ela não teria sido extinta."

O economista conta que a CPMF gerava em torno de R$ 40 bilhões por ano em arrecadação ao governo federal. A contribuição é apenas uma entre as tantas que o brasileiro paga ao adquirir um produto. Os tributos embutidos, muitas vezes, representam mais da metade do preço pago pelo item (veja tabela ao lado).

Estão incluídos no custo dos produtos ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ), ISS (Imposto Sobre Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), sem contar os encargos trabalhistas.

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