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Borelli estréia o balé ‘Gárgulas’


Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

13/05/2004 | 18:38


Sandro Borelli integra aquela trupe de artistas que mostra não as cicatrizes do ser humano, mas as feridas abertas. Com o fim recente da FAR-15, do qual era diretor artístico, o coreógrafo e bailarino andreense estréia Gárgulas nesta quinta no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros, em São Paulo. A coreografia, que marca o nascimento da Borelli Cia., inspira-se na obra do pintor britânico de origem alemã Lucian Freud, neto de Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise.

A montagem integra o 8º Cultura Inglesa Festival, que contemplou 15 projetos nas áreas de artes visuais, cinema digital, dança, música eletrônica e teatro inspirados em artistas britânicos contemporâneos. Mas a Borelli Cia. não se deixou guiar por oportunismo. “Procuramos um artista que fale a mesma coisa que nós, que trabalhe dentro do mesmo universo, que se encaixe no nosso discurso, na nossa trajetória. Ninguém se prostituiu”, diz Borelli.

A similaridade se encontra no fato de Freud desvincular do corpo qualquer forma de glamour. “Ele expõe o corpo sem retoques, extrai a beleza do feio, do grotesco. Mas nunca tentamos transportar as imagens dos quadros para a cena”, afirma.

A Borelli Cia. faz uma “crítica irônica” à condição humana: “Gárgula é um ser da mitologia aprisionado pelo homem para ser guardião das igrejas, dos castelos. Tem uma forma grotesca que dá medo, mas no fundo é frágil. E traiçoeiro, prestes a atacar o homem. Somos seres aprisionados e grotescos, gárgulas andantes, vivos”.

Isso lembra A Metamorfose e O Processo, espetáculos concebidos por Borelli sobre o universo de Franz Kafka, a opressão intrínseca à organização social contemporânea. E os movimentos lentos e os gestos teatrais também. “Quando você olha um quadro de Freud, fica num estado não de contemplação, mas meio parado no ar, como se o tempo ficasse mais lento. Isso gera uma angústia. Gárgulas é um trabalho aparentemente calmo que contém algo meio febril”, diz.

Como o pintor trabalha com a nudez, ela surge no palco. “O que impressiona é que ela não tem um sentido erótico. Em Freud, a nudez é mórbida”, afirma. A cenografia, de Guilherme Isnard, desnuda a caixa cênica a fim de “remeter ao vazio existencial”. A trilha sonora, de Gustavo Domingues, é minimalista e “reforça o clima de angústia, de solidão”.

Gárgulas – Dança contemporânea. Concepção e direção de Sandro Borelli. Com Kátia Rozato, Marcos Suchara, Renata Aspesi, Roberto Alencar e Vanessa Macedo. Nesta sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 20h. No Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros – r. Deputado Lacerda Franco, 333, São Paulo. Tel.: 3814-4155. Ingr.: R$ 20.



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