Fechar
Publicidade

Sábado, 27 de Novembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Pressão do governo pode quebrar planos de saúde


Antonio Rogério Cazzali
Do Diário do Grande ABC

24/08/2002 | 19:47


“Os planos de saúde vivem à mercê da demagogia do governo e estão quebrando.” A declaração é do advogado, professor do curso de especialização em seguros da FIA/FEA-USP (Fundação Instituto de Administração/Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), Antonio Penteado Mendonça. Segundo ele, os planos são pressionados pelo governo a cobrir produtos que não estão preparados, dentro de uma estrutura equivocada. O professor destaca que, além disso, os planos de saúde também não podem reajustar seus preços como qualquer atividade econômica brasileira. “Na verdade, eles são sugados pelo governo.”

Segundo o professor, os planos de saúde individuais estão tecnicamente quebrados, em virtude do sistema equivocado em que estão inseridos. “No aniversário do Plano Real os planos puderam reajustar seus preços entre 7,3% e aproximadamente 9%, para repor as perdas do ano anterior. “Mais ou menos 70% dos custos médico-hospitalares brasileiros são em dólar, porque são remédios e equipamentos importados. Com a alta constante do dólar, e sem poder aumentar suas tarifas, como é que esse planos vão sobreviver?”

Pedágio – Segundo o professor, enquanto os planos dependem quase que totalmente do dólar e não podem aumentar suas taxas, o pedágio, por exemplo, que não tem nenhuma relação direta com a moeda norte-americana, foi reajustado no mesmo período em 12%.

De acordo com Mendonça, o governo tenta passar para os planos de saúde um problema que é só dele. Mendonça disse que a Constituição Federal de 1988 criou o sistema universal de saúde, por meio do qual o governo brasileiro é obrigado a dar saúde de graça e de boa qualidade para toda a população. Segundo ele, ao mesmo tempo, esta mesma Constituição permite a criação de um sistema de saúde suplementar privado. “Este sistema complementa ou suplementa eventuais deficiências do sistema de saúde que o governo é obrigado a dar.”

De acordo com Mendonça, na prática, não foi isso que o governo fez. Ele deixou de cumprir o seu papel, que, aos poucos, foi incorporado pelo sistema que deveria existir somente como apoio, por meio dos planos de saúde. “Então você começa a ter distorções aí. Um sistema que tinha papel complementar tem de arcar com o todo. E ai dele se não o cumprir. Aí dizem que o plano é bandido.” A culpa disso é dos poderes Legislativo e Executivo, segundo ele. O Legislativo ficou sete, oito anos com o projeto de lei dos planos de saúde no Congresso e não votou. Quando votou, no dia seguinte o governo baixou uma medida provisória que mudava dois terços da lei, porque a que tinha sido votada era inviável. De lá para cá, ou seja, de 1998 até hoje, todos os meses o governo fez uma medida provisória nova. E não existem duas medidas provisórias iguais.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;