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DJ Spaiq segue no hip hop


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

05/10/2005 | 08:54


O nome é Edson José da Silva, "mano" de 28 anos. Codinome: DJ Spaiq. No fim do mês, faz três anos que ele é, simplesmente, o DJ do Thaíde, MC dos primórdios do hip hop no Brasil e figura de destaque nesta cena. Sexta-feira e sábado (dias 7 e 8), Spaiq acompanha Thaíde em apresentações em uma casa noturna em Salvador, na Bahia. Mas até chegar a esse ponto, a caminhada do DJ não foi fácil.

Nascido em São Bernardo e radicado em Santo André ainda bebê, Spaiq sofreu, por exemplo, pelo fato de os pais não acreditarem no êxito dele por meio da profissão escolhida. "Agora eles estão caindo na real", afirma. Depois, não foi moleza se dedicar às pick-ups pois, para ser um DJ, é preciso ter equipamentos, uma parafernália que custa dinheiro. Para se atualizar, também tem de comprar discos. E lá vai mais grana. Spaiq, porém, peitou a situação e se deu bem. Hoje, vive de discotecar.

Primeiro Spaiq tentou ser b-boy (dançarino de hip hop). "Mas ralava muito as costas, machucava muito. Achei então que não levava jeito. Daí comecei a prestar atenção nos DJs e me interessei", diz.

Quando tinha uns 12 anos, ele já ouvia bastante música e freqüentava matinês, sempre escondido dos pais. Ia para prestar atenção nos DJs, ver como os caras trabalhavam: "Aprendi tudo que sei olhando". Por volta dos 14 anos, começou a "correr atrás", comprar aparelhagem.

"Até chegar onde estou, entreguei muito jornal. Trabalhei uns oito anos como entregador. Paralelamente, tocava também em casamentos e nos grupos Uafro e Canto B, os dois do Grande ABC. Também fui DJ da Ieda Hills (rapper andreense) e dava oficinas de DJ na Febem de Franco da Rocha", afirma. "Nessa época eu nem dormia direito".

Spaiq mora em uma casa bem simples localizada na Vila Suíça, periferia com direito a tudo que áreas do gênero costumam ter. Na visita do Diário, segunda-feira à tarde, as primeiras coisas que chamaram a atenção foram o esgoto a céu aberto e a Polícia Militar revistando uma pessoa.

Na frente da casa de Spaiq fica estacionado o Fiat 147, ano 1983. É o meio de transporte utilizado para discotecar em locais próximos, como na região e em São Paulo. "Mas já fui com esse carro tocar até em Araraquara (SP)", garante ele, louvando o bom estado do veículo. Uma plaquinha no portão da casa dá a informação que ali vende-se, por apenas R$ 0,30, gelão (sorvete de saquinho). A mãe dele, dona Ivonete, é a responsável pelo comércio. O pai, Heleno, é motorista. Dentro da casa, logo aparece Liqui, o coelho preto de Spaiq.

O DJ construiu uma pequena casa – quarto, cozinha e banheiro – para ele em cima da dos pais. "Aqui (Vila Suíça) é meu lar. Não pretendo sair daqui. É onde minha carreira começou e onde ela deve terminar", afirma. É lá que vive com a atendente Cristiane da Silva, também de 28 anos. "Pode colocar que sou casado há 11 anos".

Para ver o DJ Spaiq tocar, há uma chance semanal: às quintas-feiras, a partir das 23h, no Pub Vila Bar (tel.: 3845-8541), em São Paulo. A noite conta ainda com o DJ GTA e apresentação de Thaíde. Em tempo: o apelido Spaiq vem de Spike Lee, cineasta norte-americano que o DJ admira.



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