
O cantor Patrick Bruel, um dos nomes de maior sucesso na música na França, foi preso nesta segunda-feira, 8, para um interrogatório sobre crimes sexuais que teria cometido entre 1997 e 2012. O caso envolve denúncias de 13 mulheres. A informação foi confirmada por diversos veículos internacionais, incluindo o The New York Times.
O cantor não respondeu ao pedido de pronunciamento do jornal norte-americano, mas, em maio, falou sobre as acusações de estupro após uma denúncia da jornalista e escritora Flavie Flament, que teria sido abusada com 16 anos. "Eu jamais forcei uma mulher", escreveu em uma publicação no Instagram. Leia a nota completa abaixo.
Segundo o site francês Franceinfo, porém, a acusação da jornalista não faz parte do interrogatório para o qual Bruel foi preso nesta segunda. Conforme o Ministério Público de Nanterre, a maioria das vítimas foi ouvida e acusa o cantor de "atos de estupro ou tentativa de estupro, agressão sexual e assédio".
Em maio, Bruel chegou a ter uma temporada de teatro cancelada após a repercussão da acusação de Flavie. À época, ativistas feministas fizeram um protesto em frente ao teatro em que o cantor se apresentava em Paris.
Nota de Patrick Bruel divulgada em maio
"Hesitei muito antes de me manifestar.
Há dois meses, escolhi reservar a minha palavra à Justiça. Mas não posso mais deixar que digam, sem reagir, coisas tão contrárias ao que eu sou, e que se espalhem alegações, boatos por vezes absurdos e repugnantes, em detrimento da verdade.
Conheci Flavie Flament nos anos 1990. Minha carreira já havia começado, ela iniciava a dela. Nós nos cruzamos, nos reencontramos algumas vezes, tivemos juntos uma breve história.
Essa relação não foi violenta, nem forçada, nem dissimulada. Não houve estupro, nem drogas. Nunca a maltratei, nem a abandonei diante de um hotel sórdido.
Aqueles que nos conheciam na época, aqueles que nos conheceram desde então, aqueles que nos viram nos reencontrar ao longo dos anos, nos palcos como na vida, nunca perceberam entre nós nada além de uma cumplicidade nascida de memórias em comum.
Não entendo por que, de repente, hoje, Flavie Flament conta uma história diferente e sórdida, e estaria apresentando uma queixa contra mim. Sei simplesmente que essa história é falsa.
Nunca forcei uma mulher. Nunca droguei, manipulei ou tentei submeter quem quer que seja. Nunca me servi da minha notoriedade para abusar de alguém e obter relações não consentidas.
Compreendo que a nossa diferença de idade possa causar reações hoje. Compreendo também que a notoriedade ou o status possam enviesar uma relação de sedução.
Dirão talvez que esta mensagem é complexa, em uma sociedade onde tudo deve ser preto no branco. Na realidade, ela é simples: nunca forcei uma mulher. E nunca quis magoar.
E se pude magoar quem quer que seja, lamento sinceramente.
Há semanas, várias vozes clamam pela minha condenação pública, sem julgamento, como se a pluralidade das acusações bastasse para estabelecer uma verdade.
Caberá à Justiça, na qual tenho total confiança, esclarecer completamente essas acusações; ela já o fez no passado.
Lutarei diante dela para defender a verdade. Defenderei a mim mesmo, por aqueles que me apoiam, pela minha família, pela minha equipe, pelos meus amigos, pelo meu público com quem tenho um vínculo fiel e inabalável, por todos aqueles que se recusam a ver a nossa sociedade renunciar aos seus princípios mais fundamentais: a presunção de inocência, o direito a uma investigação justa e a Justiça.
Neste período, continuarei a exercer a minha profissão, com a mesma dedicação e a mesma paixão.
Patrick"
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