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A versão esquecida de 'Thriller', de Michael Jackson, que reapareceu após décadas

Rod Temperton transformou uma faixa quase irreconhecível no clássico de Michael Jackson, depois relançado na edição comemorativa Thriller 40

Loik Marques
Especial para o Diário
21/05/2026 | 13:00
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Antes de se tornar um dos maiores sucessos da música pop, Thriller, de Michael Jackson, teve outra identidade. A canção criada pelo compositor britânico Rod Temperton nasceu originalmente como Starlight, uma demo com clima mais dançante e menos sombrio, que anos depois acabou redescoberta por fãs e oficialmente lançada na edição comemorativa Thriller 40, em 2022.

A faixa foi escrita durante as sessões do álbum Thriller, produzido por Quincy Jones para Michael Jackson. Na época, Temperton já havia trabalhado com Jackson em músicas como Rock With You e Off the Wall, e recebeu a missão de criar uma faixa que pudesse carregar o nome do disco.

Segundo relatos publicados por diferentes veículos e entrevistas recuperadas ao longo dos anos, a primeira versão da música se chamava Starlight, trazendo refrões como Give me some starlight / Starlight sun. A estrutura instrumental, no entanto, já era praticamente a mesma que mais tarde se tornaria Thriller.

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Rod Temperton contou que Quincy Jones queria um título mais forte e misterioso para o álbum. O compositor então passou uma noite escrevendo centenas de possibilidades.

“Escrevi duzentos ou trezentos títulos e cheguei em Midnight Man. Na manhã seguinte acordei e simplesmente falei essa palavra… Thriller. Eu conseguia visualizar aquilo no topo da Billboard”, relembrou Temperton em entrevista para Sunday Telegraph.

A mudança alterou completamente a identidade da faixa. O clima disco de Starlight deu espaço para uma atmosfera cinematográfica inspirada em filmes de horror e no imaginário de Edgar Allan Poe. O engenheiro de áudio Bruce Swedien chegou a afirmar que Quincy Jones queria algo “mais Edgar Allan Poe”, porque Starlight não carregava o impacto necessário para a proposta do álbum.

Além da troca de nome, a música ganhou efeitos de trovões, portas rangendo, passos, lobos e uma narração inspirada em clássicos do terror. Temperton revelou que sempre imaginou uma “parte falada” no fim da canção, mas não sabia exatamente como executá-la até surgir a ideia de chamar um nome icônico do horror.

A solução veio através da atriz Peggy Lipton, então esposa de Quincy Jones, que sugeriu convidar Vincent Price para gravar a narração final. Temperton escreveu o texto às pressas, dentro de um táxi a caminho do estúdio.

“Foi uma daquelas vezes em que simplesmente fluiu”, disse o compositor ao The Guardian sobre o famoso monólogo de Vincent Price

Décadas depois, a demo Starlight continuou despertando curiosidade entre fãs e pesquisadores da música pop. A gravação circulou informalmente na internet por anos em baixa qualidade até receber lançamento oficial em Thriller 40, edição comemorativa pelos 40 anos do disco.

O processo de criação de Thriller também voltou a ser discutido recentemente no podcast e série documental Stories in the Room, comandado pelo músico e programador de sintetizadores Anthony Marinelli, que trabalhou nas sessões do álbum original do rei do Pop. O projeto reúne relatos inéditos de profissionais que participaram diretamente das gravações, incluindo o engenheiro de som Matt Forger.

Marinelli também revelou bastidores sobre os sintetizadores usados na faixa, incluindo a criação do famoso efeito de “estrela cadente” que abre a música e experimentações sonoras feitas durante as sessões do álbum.

Mesmo com as diferenças entre as duas versões, Starlight ajuda a mostrar como Thriller foi moldada aos poucos até se transformar em um dos maiores fenômenos da cultura pop. O álbum lançado em 1982 se tornou o disco mais vendido da história da música e consolidou Michael Jackson como um fenômeno global.

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