Música Rod Temperton transformou uma faixa quase irreconhecível no clássico de Michael Jackson, depois relançado na edição comemorativa Thriller 40
FOTO: Reprodução/X

Antes de se tornar um dos maiores sucessos da música pop, Thriller, de Michael Jackson, teve outra identidade. A canção criada pelo compositor britânico Rod Temperton nasceu originalmente como Starlight, uma demo com clima mais dançante e menos sombrio, que anos depois acabou redescoberta por fãs e oficialmente lançada na edição comemorativa Thriller 40, em 2022.
A faixa foi escrita durante as sessões do álbum Thriller, produzido por Quincy Jones para Michael Jackson. Na época, Temperton já havia trabalhado com Jackson em músicas como Rock With You e Off the Wall, e recebeu a missão de criar uma faixa que pudesse carregar o nome do disco.
Segundo relatos publicados por diferentes veículos e entrevistas recuperadas ao longo dos anos, a primeira versão da música se chamava Starlight, trazendo refrões como Give me some starlight / Starlight sun. A estrutura instrumental, no entanto, já era praticamente a mesma que mais tarde se tornaria Thriller.
Rod Temperton contou que Quincy Jones queria um título mais forte e misterioso para o álbum. O compositor então passou uma noite escrevendo centenas de possibilidades.
“Escrevi duzentos ou trezentos títulos e cheguei em Midnight Man. Na manhã seguinte acordei e simplesmente falei essa palavra… Thriller. Eu conseguia visualizar aquilo no topo da Billboard”, relembrou Temperton em entrevista para Sunday Telegraph.
A mudança alterou completamente a identidade da faixa. O clima disco de Starlight deu espaço para uma atmosfera cinematográfica inspirada em filmes de horror e no imaginário de Edgar Allan Poe. O engenheiro de áudio Bruce Swedien chegou a afirmar que Quincy Jones queria algo “mais Edgar Allan Poe”, porque Starlight não carregava o impacto necessário para a proposta do álbum.
Além da troca de nome, a música ganhou efeitos de trovões, portas rangendo, passos, lobos e uma narração inspirada em clássicos do terror. Temperton revelou que sempre imaginou uma “parte falada” no fim da canção, mas não sabia exatamente como executá-la até surgir a ideia de chamar um nome icônico do horror.
A solução veio através da atriz Peggy Lipton, então esposa de Quincy Jones, que sugeriu convidar Vincent Price para gravar a narração final. Temperton escreveu o texto às pressas, dentro de um táxi a caminho do estúdio.
“Foi uma daquelas vezes em que simplesmente fluiu”, disse o compositor ao The Guardian sobre o famoso monólogo de Vincent Price
Décadas depois, a demo Starlight continuou despertando curiosidade entre fãs e pesquisadores da música pop. A gravação circulou informalmente na internet por anos em baixa qualidade até receber lançamento oficial em Thriller 40, edição comemorativa pelos 40 anos do disco.
O processo de criação de Thriller também voltou a ser discutido recentemente no podcast e série documental Stories in the Room, comandado pelo músico e programador de sintetizadores Anthony Marinelli, que trabalhou nas sessões do álbum original do rei do Pop. O projeto reúne relatos inéditos de profissionais que participaram diretamente das gravações, incluindo o engenheiro de som Matt Forger.
Marinelli também revelou bastidores sobre os sintetizadores usados na faixa, incluindo a criação do famoso efeito de “estrela cadente” que abre a música e experimentações sonoras feitas durante as sessões do álbum.
Mesmo com as diferenças entre as duas versões, Starlight ajuda a mostrar como Thriller foi moldada aos poucos até se transformar em um dos maiores fenômenos da cultura pop. O álbum lançado em 1982 se tornou o disco mais vendido da história da música e consolidou Michael Jackson como um fenômeno global.
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