Dividas Em São Paulo, são 19,9 milhões de pessoas com nome sujo; Novo Desenrola Brasil é aposta para destravar crédito
FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Brasil chegou a 82,8 milhões de inadimplentes em março de 2026. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5) pelo Mapa da Inadimplência da Serasa. O número representa alta de 1,35% em comparação ao mês anterior. Já São Paulo atingiu 19,9 milhões de pessoas com nome sujo, em um cenário de endividamento persistente e cada vez mais concentrado no sistema financeiro. Ao todo, são 98,3 milhões de dívidas que somam cerca de R$ 152,8 bilhões no Estado, com ticket médio de R$ 7.600 por consumidor.
Em relação ao mesmo período do ano passado, os indicadores mostram avanço generalizado: o número de inadimplentes cresceu 12,4% no território paulista, o total de dívidas avançou 23,8% e o valor devido saltou 29,3%, enquanto o ticket médio por consumidor subiu 14,9%. É nesse ambiente que programas como o Novo Desenrola Brasil ganham força como tentativa de reequilibrar as contas da população e reaquecer o consumo.
A Serasa Limpa Nome, principal plataforma de negociação de dívidas do País, passou a integrar as ofertas de instituições financeiras parceiras do programa de renegociação do governo federal para ampliar o acesso a acordos com descontos que podem chegar a 90%. A negociação pode ser feita de forma totalmente digital, pelo site ou aplicativo da Serasa, onde o consumidor consulta as pendências no CPF e escolhe as condições disponíveis para regularizar a situação, com opções de pagamento à vista ou parcelado.
Hoje, 47% das dívidas no Brasil estão concentradas no setor financeiro, índice que cresceu significativamente em relação ao período pré-pandemia, quando girava em torno de 38%. De acordo com o estudo, o cartão de crédito é o principal vilão, presente em 73% dos casos, seguido por empréstimos pessoais (56%) e cheque especial (33%).
"Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, especialmente em valores elevados, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar o porquê de uma parcela relevante da população permanece com dívidas por tanto tempo", diz a diretora da Serasa, Aline Maciel.
Além do volume, chama atenção o perfil dessas dívidas, que varia conforme a modalidade de crédito. No cartão de crédito, 37% dos consumidores têm débitos superiores a R$ 10 mil e 36% convivem com a inadimplência há mais de dois anos. Já no crédito pessoal, esse peso é ainda maior: metade dos endividados acumula valores acima de R$ 10 mil, e 43% permanecem nessa condição por longos períodos. No cheque especial, os índices também são elevados, com 35% acima desse patamar de dívida e 36% enfrentando o problema há mais de dois anos. Outro dado que reforça o grau de comprometimento financeiro é que 49% concentram múltiplas dívidas em um único banco.
O levantamento mostra que o endividamento não está ligado apenas ao descontrole financeiro. Fatores externos, como perda de renda e imprevistos, aparecem como principais gatilhos, ao lado do uso do crédito para despesas básicas do dia a dia. Ainda assim, a tentativa de negociação já faz parte da realidade de boa parte dos brasileiros: 71% afirmam ter buscado acordos com instituições financeiras.
Atualmente, há 7,7 milhões de ofertas vinculadas ao Novo Desenrola Brasil dentro da plataforma da Serasa. O site possui 691 milhões de possibilidades de negociação com mais de 2.000 empresas parceiras.
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