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Diadema é a cidade campeã de novos bares


Mariana Oliveira
Do Diário do Grande ABC

01/05/2005 | 17:44


Alternativa de emprego e leis mais flexíveis para sair da informalidade. Esses fatores transformaram Diadema na campeã de abertura de bares entre as cidades do Grande ABC no ano passado. O crescimento foi de 710% em relação a 2003 – passou de 17 estabelecimentos novos abertos para 138 até dezembro passado.

O resultado de Diadema foi tão expressivo que acabou distorcendo o número global do Grande ABC: em toda a região, o número de abertura de bares aumentou em 50%, com 269 alvarás concedidos em 2004 contra 179 no ano anterior. Os dados foram obtidos após consulta ao setor de expedição de alvarás de cada prefeitura. Rio Grande da Serra foi o único município que não divulgou os números. Sem considerar os bares de Diadema, houve queda de 20% na abertura de novos estabelecimentos na região. Foram 131 empresas do setor abertas no ano passado contra 162 em 2003.

A busca da regularização do negócio é o motivo principal para o surgimento de novos bares em Diadema. Segundo a prefeitura, a criação da Lei Municipal 2304, de 22/12/2003, facilitou a normalização de edificações concluídas irregularmente para todos que solicitassem a certificação no prazo de um ano. Além disso, a implantação da Lei Seca, em 15/07/2002, ampliou a fiscalização em empresas do setor, o que obrigou muitos estabelecimentos a regularizar a documentação.

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Wilson Bianchi, confirma que os números de Diadema foram influenciados pela legalização de estabelecimentos informais. “Estimo que em Diadema haja mil bares, lanchonetes e restaurantes legais. Se todos os informais se regularizassem, a quantidade de empresas passaria para 2 mil. A informalidade ainda é grande.”

Segundo Bianchi, diversos fatores contribuíram para o crescimento da abertura de novas bares em quatro das seis cidades pesquisadas. “O setor é um grande amortecedor do desemprego. Além disso, os informais também se regularizaram em outras cidades”, diz. O Grande ABC tem, segundo o Sehal, 12 mil estabelecimentos formais e mais 5 mil irregulares – 29% do total.

Refeições na rua – Para o economista do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Pedro Gonçalves, o crescimento do setor ocorreu em 2004 tanto pelo aumento das pessoas que se alimentam fora de casa quanto pelo aquecimento da economia brasileira verificado no ano passado. Mas também ressalta a importância do desemprego entre as razões do crescimento do setor de alimentação. “Bares e lanchonetes hoje são um serviço necessário à população e não demanda investimentos altos”, diz.

Santo André registrou em 2004 número três vezes maior no surgimento de bares, na comparação com o ano anterior. Foram somente cinco alvarás concedidos em 2003, contra 15 no ano passado.

O diretor do departamento de Desenvolvimento Econômico de Santo André, David Gomes de Souza, destaca que os números divulgados refletem apenas a abertura de estabelecimentos formais. “Apesar do nível de emprego ter crescido, muitas pessoas continuam desempregadas. As pessoas precisam levar remuneração para casa. Então, optam por abrir empresas que tenham uma barreira de entrada menor, ou seja, que demandam menos capital e menos tecnologia.”

Souza ressalta que é importante ter noções de administração para não deixar o estabelecimento integrar as estatísticas de mortalidade de empresas. “Muitos empresários dessa área não têm noção de concorrência nem visão de futuro. Quando as empresas quebram, culpam os tributos mas não admitem que foi falta de planejamento”, completa.

De acordo com a pesquisa do Sebrae Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas, publicada no final de 2003, 31% das empresas fecham no primeiro ano de atividades e 60% não ultrapassam cinco anos de funcionamento. Já o consórcio Fundação Seade/Dieese apurou em março a existência de 217 mil desempregados no Grande ABC.

São Caetano também registrou crescimento na concessão de novos alvarás para bares: 38%. Foram 21 novos bares em 2003, enquanto que no ano passado 29 receberam autorização para funcionar. Para o diretor do departamento de Planejamento de São Caetano, Ramis Sayar, o crescimento não foi maior devido à falta de espaço na cidade. “Todos os espaços nas regiões que têm bares e restaurantes estão preenchidos. O número de estabelecimentos não tem mais para onde crescer. De sexta-feira e sábado à noite, não se anda em algumas regiões da cidade devido à movimentação nos bares da cidade.”


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Diadema é a cidade campeã de novos bares

Mariana Oliveira
Do Diário do Grande ABC

01/05/2005 | 17:44


Alternativa de emprego e leis mais flexíveis para sair da informalidade. Esses fatores transformaram Diadema na campeã de abertura de bares entre as cidades do Grande ABC no ano passado. O crescimento foi de 710% em relação a 2003 – passou de 17 estabelecimentos novos abertos para 138 até dezembro passado.

O resultado de Diadema foi tão expressivo que acabou distorcendo o número global do Grande ABC: em toda a região, o número de abertura de bares aumentou em 50%, com 269 alvarás concedidos em 2004 contra 179 no ano anterior. Os dados foram obtidos após consulta ao setor de expedição de alvarás de cada prefeitura. Rio Grande da Serra foi o único município que não divulgou os números. Sem considerar os bares de Diadema, houve queda de 20% na abertura de novos estabelecimentos na região. Foram 131 empresas do setor abertas no ano passado contra 162 em 2003.

A busca da regularização do negócio é o motivo principal para o surgimento de novos bares em Diadema. Segundo a prefeitura, a criação da Lei Municipal 2304, de 22/12/2003, facilitou a normalização de edificações concluídas irregularmente para todos que solicitassem a certificação no prazo de um ano. Além disso, a implantação da Lei Seca, em 15/07/2002, ampliou a fiscalização em empresas do setor, o que obrigou muitos estabelecimentos a regularizar a documentação.

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Wilson Bianchi, confirma que os números de Diadema foram influenciados pela legalização de estabelecimentos informais. “Estimo que em Diadema haja mil bares, lanchonetes e restaurantes legais. Se todos os informais se regularizassem, a quantidade de empresas passaria para 2 mil. A informalidade ainda é grande.”

Segundo Bianchi, diversos fatores contribuíram para o crescimento da abertura de novas bares em quatro das seis cidades pesquisadas. “O setor é um grande amortecedor do desemprego. Além disso, os informais também se regularizaram em outras cidades”, diz. O Grande ABC tem, segundo o Sehal, 12 mil estabelecimentos formais e mais 5 mil irregulares – 29% do total.

Refeições na rua – Para o economista do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Pedro Gonçalves, o crescimento do setor ocorreu em 2004 tanto pelo aumento das pessoas que se alimentam fora de casa quanto pelo aquecimento da economia brasileira verificado no ano passado. Mas também ressalta a importância do desemprego entre as razões do crescimento do setor de alimentação. “Bares e lanchonetes hoje são um serviço necessário à população e não demanda investimentos altos”, diz.

Santo André registrou em 2004 número três vezes maior no surgimento de bares, na comparação com o ano anterior. Foram somente cinco alvarás concedidos em 2003, contra 15 no ano passado.

O diretor do departamento de Desenvolvimento Econômico de Santo André, David Gomes de Souza, destaca que os números divulgados refletem apenas a abertura de estabelecimentos formais. “Apesar do nível de emprego ter crescido, muitas pessoas continuam desempregadas. As pessoas precisam levar remuneração para casa. Então, optam por abrir empresas que tenham uma barreira de entrada menor, ou seja, que demandam menos capital e menos tecnologia.”

Souza ressalta que é importante ter noções de administração para não deixar o estabelecimento integrar as estatísticas de mortalidade de empresas. “Muitos empresários dessa área não têm noção de concorrência nem visão de futuro. Quando as empresas quebram, culpam os tributos mas não admitem que foi falta de planejamento”, completa.

De acordo com a pesquisa do Sebrae Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas, publicada no final de 2003, 31% das empresas fecham no primeiro ano de atividades e 60% não ultrapassam cinco anos de funcionamento. Já o consórcio Fundação Seade/Dieese apurou em março a existência de 217 mil desempregados no Grande ABC.

São Caetano também registrou crescimento na concessão de novos alvarás para bares: 38%. Foram 21 novos bares em 2003, enquanto que no ano passado 29 receberam autorização para funcionar. Para o diretor do departamento de Planejamento de São Caetano, Ramis Sayar, o crescimento não foi maior devido à falta de espaço na cidade. “Todos os espaços nas regiões que têm bares e restaurantes estão preenchidos. O número de estabelecimentos não tem mais para onde crescer. De sexta-feira e sábado à noite, não se anda em algumas regiões da cidade devido à movimentação nos bares da cidade.”

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