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Lei do panfleto é desrespeitada


Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

12/06/2006 | 08:03


É só o semáforo ficar vermelho para que os motoristas da região sejam abordados por um exército de meninas distribuindo panfletos comerciais. Essa rotina - irritante, para alguns - se estabeleceu à margem da lei em cidades como Santo André e Mauá, locais em que a atividade é regulamentada com exigências que nunca foram cumpridas. Como a fiscalização é precária, a "chuva" de papéis com propaganda parece não ter fim durante os 30 segundos em que o farol permanece fechado.

Se a Lei 8.493/03 fosse seguida à risca em Santo André, nos faróis veríamos no máximo quatro pessoas uniformizadas e com crachá para distribuir qualquer panfleto. Junto com o comercial, a empresa entregaria uma sacola de plástico leitoso, na cor branca, medindo 30 centímetros de altura por 20 de largura, com a inscrição "jogue lixo no lixo, ajude a manter a cidade limpa" estampada no lado externo. Nenhum cavalete ou banner atrapalharia a visão do motorista. Cenário perfeito, porém muito distante da realidade.

Na prática, há tantas meninas de uma mesma empresa no farol quanto for possível. Nenhuma delas identificada com crachá e também sem os saquinhos de lixo obrigatórios segundo a lei municipal.

Em Mauá, as exigências são mais brandas: a propaganda pode ser feita por pessoas uniformizadas e maiores de 18 anos, mas a empresa precisa obter licença para trabalhar as ruas. São Caetano tem legislação parecida com a de Mauá.

A fiscalização, em Santo André, é feita pelo DVP (Departamento de Vias Públicas). Segundo a Prefeitura, existem 9 fiscais para esse serviço, mas eles também são responsáveis por todas as outras vistorias atribuídas ao órgão, como obras em ruas. Se uma pessoa é pega exercendo a atividade irregularmente, é aplicada multa no valor de R$ 995,65.

A Prefeitura não soube dizer quando foi a última vez que uma blitz foi realizada e quais infratores foram autuados. Em Mauá, a administração se limitou a dizer que a fiscalização é feita pela Secretaria de Serviços Urbanos.

Empresas -Há uma divisão informal entre o tipo de propaganda, e varia de acordo com os locais e os dias da semana. De segunda a sexta-feira, quem reina são os panfletos de equipamentos automotivos e de concessionárias, distribuídos tanto por garotos quanto por meninas. Os faróis de preferência são os de vias expressas, de todas as partes das cidades.

Já nos finais de semana surgem as construtoras, mirando a classe média. Meninas uniformizadas, aos montes, aparecem com bandeiras e cartazes trazendo informações sobre o mais novo lançamento imobiliário. Os locais preferidos são esquinas de bairros nobres, ou mesmo ao lado dos shoppings.

A Aparecido Vianna Imóveis é uma das empresas que utilizam a panfletagem como uma das formas de divulgação. O proprietário da empresa explica que a única cidade da região que realmente regulamenta a atividade é São Caetano. "Temos que requerer cada ponto nos faróis, e existe uma fiscalização", afirma Aparecido Vianna. Em Santo André, o empresário não lembrou de nenhuma vez em que tenha sido abordado por ficais.

A Construtora Gafisa, que comercializa um grande condomínio no bairro Campestre, em Santo André, e é apenas uma entre as dezenas que distribuem panfletos na cidade sem respeitar a legislação, preferiu não comentar o assunto. Disse apenas que a campanha publicitária está encerrada.

Eficácia - No meio acadêmico, a panfletagem em faróis é vista como uma tática de divulgação eficiente se associada a outros tipos de inserções publicitárias. "A eficácia depende do tipo de produto e da abordagem feita", explica o professor de Promoção de Vendas e Merchandising do curso de Publicidade da Universidade Metodista de São Paulo, Luciano Bonetti.

O professor acredita que as empresas, visando diminuir a rejeição dos motoristas saturados, já apostam em ações diferentes para chamar a atenção. "As empresas têm adotado táticas como o uso de uniformes e bandeiras, como diferencial para atrair o cliente", diz o professor. "Muita gente pega o panfleto e não lê. E muitas nem abrem o vidro. É preciso ser mais criativo", emenda o especialista.



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Lei do panfleto é desrespeitada

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

12/06/2006 | 08:03


É só o semáforo ficar vermelho para que os motoristas da região sejam abordados por um exército de meninas distribuindo panfletos comerciais. Essa rotina - irritante, para alguns - se estabeleceu à margem da lei em cidades como Santo André e Mauá, locais em que a atividade é regulamentada com exigências que nunca foram cumpridas. Como a fiscalização é precária, a "chuva" de papéis com propaganda parece não ter fim durante os 30 segundos em que o farol permanece fechado.

Se a Lei 8.493/03 fosse seguida à risca em Santo André, nos faróis veríamos no máximo quatro pessoas uniformizadas e com crachá para distribuir qualquer panfleto. Junto com o comercial, a empresa entregaria uma sacola de plástico leitoso, na cor branca, medindo 30 centímetros de altura por 20 de largura, com a inscrição "jogue lixo no lixo, ajude a manter a cidade limpa" estampada no lado externo. Nenhum cavalete ou banner atrapalharia a visão do motorista. Cenário perfeito, porém muito distante da realidade.

Na prática, há tantas meninas de uma mesma empresa no farol quanto for possível. Nenhuma delas identificada com crachá e também sem os saquinhos de lixo obrigatórios segundo a lei municipal.

Em Mauá, as exigências são mais brandas: a propaganda pode ser feita por pessoas uniformizadas e maiores de 18 anos, mas a empresa precisa obter licença para trabalhar as ruas. São Caetano tem legislação parecida com a de Mauá.

A fiscalização, em Santo André, é feita pelo DVP (Departamento de Vias Públicas). Segundo a Prefeitura, existem 9 fiscais para esse serviço, mas eles também são responsáveis por todas as outras vistorias atribuídas ao órgão, como obras em ruas. Se uma pessoa é pega exercendo a atividade irregularmente, é aplicada multa no valor de R$ 995,65.

A Prefeitura não soube dizer quando foi a última vez que uma blitz foi realizada e quais infratores foram autuados. Em Mauá, a administração se limitou a dizer que a fiscalização é feita pela Secretaria de Serviços Urbanos.

Empresas -Há uma divisão informal entre o tipo de propaganda, e varia de acordo com os locais e os dias da semana. De segunda a sexta-feira, quem reina são os panfletos de equipamentos automotivos e de concessionárias, distribuídos tanto por garotos quanto por meninas. Os faróis de preferência são os de vias expressas, de todas as partes das cidades.

Já nos finais de semana surgem as construtoras, mirando a classe média. Meninas uniformizadas, aos montes, aparecem com bandeiras e cartazes trazendo informações sobre o mais novo lançamento imobiliário. Os locais preferidos são esquinas de bairros nobres, ou mesmo ao lado dos shoppings.

A Aparecido Vianna Imóveis é uma das empresas que utilizam a panfletagem como uma das formas de divulgação. O proprietário da empresa explica que a única cidade da região que realmente regulamenta a atividade é São Caetano. "Temos que requerer cada ponto nos faróis, e existe uma fiscalização", afirma Aparecido Vianna. Em Santo André, o empresário não lembrou de nenhuma vez em que tenha sido abordado por ficais.

A Construtora Gafisa, que comercializa um grande condomínio no bairro Campestre, em Santo André, e é apenas uma entre as dezenas que distribuem panfletos na cidade sem respeitar a legislação, preferiu não comentar o assunto. Disse apenas que a campanha publicitária está encerrada.

Eficácia - No meio acadêmico, a panfletagem em faróis é vista como uma tática de divulgação eficiente se associada a outros tipos de inserções publicitárias. "A eficácia depende do tipo de produto e da abordagem feita", explica o professor de Promoção de Vendas e Merchandising do curso de Publicidade da Universidade Metodista de São Paulo, Luciano Bonetti.

O professor acredita que as empresas, visando diminuir a rejeição dos motoristas saturados, já apostam em ações diferentes para chamar a atenção. "As empresas têm adotado táticas como o uso de uniformes e bandeiras, como diferencial para atrair o cliente", diz o professor. "Muita gente pega o panfleto e não lê. E muitas nem abrem o vidro. É preciso ser mais criativo", emenda o especialista.

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