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De carona do forró a parceiro de vida: casal se uniu por ser de Mauá

Karen Nashiro e Wilton Santos contam que o fato de morarem na região foi determinante para começarem amizade que virou casamento

Beatriz Mirelle
12/06/2024 | 10:27
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FOTO: Celso Luiz/DGABC


Em um fim de semana de fevereiro de 2013, a circense Karen Nashiro, 35, que na época era professora de matemática de um cursinho pré-vestibular, decidiu ir com a irmã a um forró. Saiu do Bairro Zaíra, em Mauá, pegou trem, metrô e caminhou por 10 minutos até chegar ao Canto da Ema, tradicional casa de música em Pinheiros (Capital). O trajeto já era conhecido e o objetivo de curtir a noite se concretizou, mas foi a decisão de voltar para casa de carona com Wilton Alves Santos, 40, que mudou para sempre sua história.

“Ia lá só para dançar a noite inteira e nunca encontrava ninguém do Grande ABC. No dia que eu conheci o Wiltinho, minha irmã ouviu ele e o amigo dizendo que moravam aqui na região. Na hora, ficamos surpresas. E foi assim que duas meninas voltaram de carona com duas pessoas desconhecidas. Confiamos e deu certo.” 

Apesar de amar a coragem da Karen, o sanfoneiro Wilton Alves Santos, que trabalhava como analista de redes na época, afirma que a escolha foi perigosa. “Elas entraram no carro de dois estranhos”, brinca. “Provavelmente, se não tivéssemos falado que éramos de Mauá, não teríamos nos conectado. Elas voltariam de metrô e eu e meu amigo com o nosso Uninho. Talvez nem nos encontrássemos de novo”, reflete. 

O que era para ser apenas uma carona evoluiu para uma grande amizade, namoro e casamento. “Depois daquele dia, fomos juntos para o forró todos os fins de semana seguintes. Em março, ele já foi no meu aniversário e conheceu minha família”, relembra Karen. “Eu fui perceber que ele estava interessado em mim quando fomos para o Canto da Ema assistir ao Mestrinho, um sanfoneiro que ele é muito fã, e o Wiltinho passou o show inteiro conversando comigo no bar ao invés de curtir as músicas. Pensei ‘deve significar algo, né’.” 

Nesses mais de 11 anos juntos, muitas coisas aconteceram nas vidas de Karen e Santos. No fim de 2015, ela foi aceita na Escola Nacional de Circo, único curso técnico na área oferecido no País. Naquele momento, a dúvida em mudar para o Rio foi tranquilizada pelo apoio de Wilton Santos. “Eu deixei de ser professora, comecei a me desenvolver nas artes circenses e quando passei no técnico, fiquei com receio. Quando contei para ele, falei ‘e aí?’. Aquela resposta determinaria muita coisa.” 

Wilton Santos não pensou duas vezes e fez com que Karen seguisse seu sonho. “Falei ‘vai, óbvio’. Mantivemos um relacionamento a distância. Conseguimos nos comprometer a nos vermos pelo menos uma vez por mês durante os dois anos de curso. A oportunidade era única. Ela não poderia desperdiçar”, diz Santos. 

Com muito amor e paciência, os dois anos se passaram e, quando Karen voltou para Mauá, em 2018, eles começaram a morar juntos. “Eu sou muito prática, falei de nos casarmos, começamos a economizar dinheiro e conseguimos comprar um apartamento. Não dava mais para ficarmos longe”, conta Karen. 

Durante a pandemia, o casal se deparou com outro desafio, quando Wilton Santos foi demitido do emprego como analista de redes. Nesse momento, ele viu a oportunidade de se dedicar à música, área que ele estudava desde os 9 anos. 

“Nós sempre nos incentivamos e naquele ano não foi diferente. Temos que estar em um relacionamento em que um entende o tempo do outro”, diz Karen. 

SEM DÚVIDAS 

Aquela despretensiosa carona depois de aproveitar uma noite de forró fez com que Karen e Santos se tornassem parceiros de vida. “Não tive muitas incertezas com ele. Desde o momento que entrei no carro dele e do amigo, nunca tive medo. Nunca pensei ‘será?’. As coisas foram acontecendo naturalmente e fomos nos fortalecendo.” Agora, a dupla é proprietária do Espaço Cultural Circo Lunar, em Mauá. No local, o circo, o amor e a música ganham espaço. “Todos os nossos sonhos são materializados nesse lugar”, pontua Santos. 

“Queremos fortalecer a territorialidade, ainda mais no Grande ABC. Isso sempre foi um critério. Esse trabalho que fazemos mostra como o nosso amor transborda. Tem dado certo”, finaliza Karen.




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