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Professora da região se dedica à prevenção de abuso infantil

Miriam Dias, de Santo André, promove capacitações para que pais e crianças possam identificar e falar sobre a violência contra menores

Beatriz Mirelle
26/05/2024 | 08:00
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Arquivo pessoal


Realizar trabalhos que visam a prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes se tornou uma missão de vida para a professora Miriam Dias, 48, moradora da Vila Palmares, em Santo André. Há seis anos ela se dedica integralmente a realizar palestras e aulas para capacitar cada vez mais pessoas a identificarem abuso. Ela criou o o projeto Protegendo Com Amor nas redes sociais, é autora do livro infantil Do Meu Corpinho Eu Cuido, Sim! e coautora da obra Foco na Educação Sexual Infantil: Guia de Prevenção para Profissionais, Pais e Educadores.

“Eu comecei com esse trabalho na igreja. Sou evangélica e queria passar os materiais de proteção à infância para as crianças dentro e fora da sala de aula. Acho que essa missão me escolheu. Meu principal objetivo é trabalhar a prevenção ao abuso de forma lúdica, com contação de histórias, dinâmicas, jogos, músicas. Também capacito profissionais e pais para entender melhor o tema.”

Durante esse mês, a campanha do Maio Laranja e o Dia do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes alertam para essa pauta. Segundo a professora, existem vários mitos em relação à educação sexual que dificultam o processo para que as crianças percebam quando estão sendo violentadas. “Precisamos educar de acordo com a faixa etária. Ensinar sobre o cuidado com o próprio corpo, falar sobre partes íntimas e explicar quais são os nomes corretos dos órgãos genitais fazem parte da estratégia de proteção. A prevenção é simples, mas os estigmas fazem com que muitos menores de idade fiquem desprotegidos.”

Para Miriam, a vergonha ao falar de educação sexual faz com que o autoconhecimento não seja visto naturalmente. 

CENÁRIO DE VIOLÊNCIA 

No Grande ABC, 2.093 denúncias de violência contra menores de idade foram feitas ao Disque 100 entre janeiro e abril. As estatísticas da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que sete em cada dez crianças violentadas moram com os agressores (1.514 das ocorrências), e a maioria dos casos é de ataque contra a integridade física da vítima. 

“É um grande desafio que a criança fale sobre o que está passando. Muitas vezes, ela nem sabe que está sofrendo violência por parte da pessoa que deveria estar cuidando dela. Vemos muitos casos em que o agressor é o pai, a mãe, o padrasto. Durante a pandemia, as denúncias caíram, o que não significa que os abusos pararam de acontecer. Os menores de idade ficaram confinados com os abusadores.” 

Miriam reforça a importância de que todas as pessoas que convivem com crianças estejam atentas. “A falta de capacitação de professores, psicólogos e outros é prejudicial. Quando algo de errado acontece, elas mudam de comportamento, ficam introvertidas, param de brincar. O rendimento na escola cai. Podem ficar com a sexualidade muito aflorada ou começar a dizer coisas que não condizem com a idade. Tudo isso deve despertar um alerta. Por isso, a importância de ter um olhar protetivo.”




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