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Morando pede água
Da Redação
23/05/2024 | 09:18
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O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), sofreu ontem a segunda derrota seguida na Câmara, quando não conseguiu mais uma vez votar o projeto de lei que autoriza a cidade a manter os contratos com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) mesmo que a empresa seja privatizada. E, se não tivesse agido rápido – ou pedido água, como se diz no pugilismo –, poderia ter sido ainda pior.

Na sessão, o grupo formado por oito vereadores ligados ao deputado Alex Manente (Cidadania) buscou obter as 15 assinaturas necessárias para que o texto fosse incluido na ordem do dia. Mas Morando desmobilizou os governistas, impedindo que isso ocorresse. Caso entrasse em votação, os 13 parlamentares fiéis ao ex-vice-prefeito Marcelo Lima, e mais os três filiados ao PT, se posicionariam pela rejeição, transformando a derrota por pontos em um nocaute no prefeito.

Tudo isso assistido por uma arquibancada lotada de pessoas que protestavam contra a privatização da Sabesp. A sociedade cobra mais explicações sobre processo de desestatização.

Os dois insucessos no caso da Sabesp, mais a convocação do secretário de Saúde, Geraldo Reple Sobrinho, há duas semanas, para explicar as denúncias no Hospital da Mulher, mostram a Morando o quanto o fim de um mandato pode ser duro. Acostumado a enxergar o Legislativo como uma extensão da Prefeitura, visto que por quase oito anos não encontrou a mínima resistência para a tramitação e aprovação dos projetos de seu interesse, o tucano agora convive com questionamentos e se vê obrigado a negociar com os legisladores.

Isso deve incomodá-lo muito, pois desde o início do primeiro mandato acreditava que não era apenas o chefe do Executivo, mas espécie de ser onipresente que não admitia ter seus gostos contrariados.

De agora em diante, é bom ir se acostumando. Pois quanto mais se aproxima a data de desocupar o gabinete, maior será a vontade dos vereadores em dizer ‘não’ às solicitações do quase ex-prefeito. 




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