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Emoções e memórias no mundo da escrita

‘Cartas de Amor’ apresenta às crianças benefícios do antigo meio de comunicação

Jaque Correa
Especial para o Diário
19/05/2024 | 07:01
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André Henriques/DGABC


 Em um mundo cada vez mais digital, no qual a comunicação e a troca de informações são instantâneas, a arte de escrever cartas pode parecer algo ultrapassado. Afinal, são utilizadas há mais de 3.500 anos e possibilitam às pessoas se comunicar a quilômetros de distância. Com a tecnologia dos dias atuais, caso do celular, a prática de escrever cartas perdeu status. No entanto, ainda se mostra muito valiosa.

A prática de escrever cartas oferece benefícios, principalmente às crianças. Além do desenvolvimento da alfabetização, a iniciativa exige que os pequenos organizem seus pensamentos, expressem ideias de forma clara e explorem o próprio vocabulário. A atividade também leva em conta a habilidade de expressar melhor as emoções ou o aumento da capacidade de memorização.

Na última quinta-feira (16), 24 crianças com idades entre 3 e 17 anos, da ONG Mboatar, de São Bernardo, participaram da oficina Cartas de Amor, conduzida pela advogada e jornalista Ivy Farias, 42 anos. A atividade, promovida na Fábrica de Cultura da cidade, foi idealizada por Ivy, que explica o porquê de ser importante para os pequenos aprenderem a escrever cartas.

“Essa ideia é uma grande oportunidade que tenho de ensinar história, de ensinar literatura, e de ensinar direito, porque ela (criança) vai aprender sobre Constituição, vai aprender sobre a Lei Geral de Proteção de Dados, que, no Artigo 14, fala que precisamos ensiná-las a proteger os seus dados. E vai ser tudo isso feito de uma forma muito bonita e lúdica”, diz a jornalista. “Elas vão aprender como era o mundo, vão aprender sobre destinatário, remetente, CEP, todas as coisas. Então, vi que era uma grande oportunidade”. 

Arthur Guedes Pedroso, 10 anos, uma das crianças atendidas pela ONG Mboatar, já tinha escrito uma carta para seus pais anteriormente. Na oficina, o garoto contou ao Diário que “não sou acostumado a escrever carta, mas gosto bastante. Gosto dos assuntos que escrevo. Sempre para o meu pai ou para minha mãe, que nem hoje (quinta). Vai ser uma dedicatória especial”, afirma.

Luana Oliveira de Freitas, 10, que também participou da oficina, relatou que gosta de escrever para a mãe. “Já tinha escrito para ela antes. Falei o quanto amo ela. Hoje vai ser para minha mãe de novo. Vou escrever o quanto ela é legal comigo desde o dia em que nasci” explica a criança, “Estou achando muito divertido estar escrevendo aqui com meus amigos” conclui. 

Ivy Farias ainda afirma que “por mais que as pessoas falem de internet, as cartas jamais deixarão de existir. Quando você me escreve uma carta, por exemplo, eu tenho contato com o teu material biológico e eu chego mais perto de você nessa tangibilidade que o digital não consegue. As crianças precisam entender essa questão da pessoalidade que a carta traz”, finaliza a idealizadora.




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