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Jairzinho lança álbum que alia simplicidade e qualidade


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

22/06/2006 | 08:57


Mesmo quando buscam a simplicidade na forma de compor ou de se relacionar com o público, alguns artistas não conseguem se despir da riqueza e da complexidade de sua formação musical. Este parece ser o caso do cantor, compositor e instrumentista Jair Oliveira, que lança o CD Simples (S de Samba, R$ 22 em média), primeira produção do selo criado por ele, em sociedade com o cantor Wilson Simoninha.

A constatação está longe de ser depreciativa, já que uma das qualidades inerentes à boa produção artística é a capacidade de equacionar qualidade e singeleza. O álbum, certamente, esbanja essas virtudes e marca um novo ciclo na carreira do músico.

Jair optou por arranjos econômicos, mas com muito suingue e predominância de violões, instrumentos percussivos e baixos. No repertório, fez um mergulho sem medo nas águas do samba, gênero com o qual tem natural intimidade desde a infância, mas que, desta vez, recebeu atenção especial.

Já na faixa-título, Berço de Iemanjá, que abre o disco em clima afro-brasileiro e remete o ouvinte às rodas de capoeira embaladas por berimbau, ele presta homenagem à obra do compositor mineiro João Bosco. Tema do personagem Foguinho (interpretado por Lázaro Ramos na novela Cobras & Lagartos, a saborosa Tiro Onda conquista à primeiríssima audição.

“Cada disco é uma fotografia do momento para qualquer artista. Não acho que seja uma evolução completa, porque sempre explorei o samba. Minha influência de samba agora está mais nítida pela decisão que tive de fazer coisas mais simples”, afirma Jair.

Outro bom exemplo de ritmo cadenciado e envolvente é Eu Também Tive um Sonho, em que Jair, compositor das 13 faixas do disco, imagina uma versão nacional do ativista Martin Luther King, ícone do movimento em defesa dos direitos civis nos Estados Unidos da década de 60. “Luther King, rei da luta justa/ Se entregou ao samba com a turma da cachaça/ O brother sabe bem o que que a gente busca/ Sonho de alegria na união das raças”, diz um dos trechos da canção.

A composição faz parte da trilha sonora do filme Os Desafinados, do cineasta Walter Lima Jr., com estréia prevista para o segundo semestre. Jair interpreta o baixista da banda homônima ao longa-metragem e compôs a música especialmente para o seu personagem.

O disco conta com as participações da irmã de Jair, a cantora Luciana Mello (que recita em inglês a letra de O Que Pensam as Estrelas?) e Paula Lima (Todo Dia), antiga companheira do músico nos palcos da vida e no elenco da gravadora Trama, da qual ele garante ter se desligado sem qualquer animosidade. “Foi super tranqüila a minha saída. Há pelo menos dois anos vinha vislumbrando a possibilidade de transformar em selo a S de Samba, que é uma produtora de áudio desde 1998. Meu contrato venceu e a gente acabou não renovando. Não foi uma ruptura”, diz Jair, que não descarta a possibilidade de colaborar com a empresa do amigo João Marcelo Bôscoli em futuras produções.

O álbum traz uma parceria com pernambucano Otto, na divertida Au Niveau du Bar, cantada propositalmente em um francês tosco e que mistura palavras em português e inglês. A canção foi composta em clima de total descontração no lobby de um hotel em Paris, quando os dois faziam um show na cidade.

Rico em citações, Simples presta tributo a Hermeto Pascoal, na faixa Sete e Meia (Demorô), um samba no compasso 7/8, andamento muito utilizado pelo homenageado. Outras referências podem ser conferidas, como na balada pop Intacto e na faixa-título, em que se percebe a influência do cantor Moska.


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Jairzinho lança álbum que alia simplicidade e qualidade

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

22/06/2006 | 08:57


Mesmo quando buscam a simplicidade na forma de compor ou de se relacionar com o público, alguns artistas não conseguem se despir da riqueza e da complexidade de sua formação musical. Este parece ser o caso do cantor, compositor e instrumentista Jair Oliveira, que lança o CD Simples (S de Samba, R$ 22 em média), primeira produção do selo criado por ele, em sociedade com o cantor Wilson Simoninha.

A constatação está longe de ser depreciativa, já que uma das qualidades inerentes à boa produção artística é a capacidade de equacionar qualidade e singeleza. O álbum, certamente, esbanja essas virtudes e marca um novo ciclo na carreira do músico.

Jair optou por arranjos econômicos, mas com muito suingue e predominância de violões, instrumentos percussivos e baixos. No repertório, fez um mergulho sem medo nas águas do samba, gênero com o qual tem natural intimidade desde a infância, mas que, desta vez, recebeu atenção especial.

Já na faixa-título, Berço de Iemanjá, que abre o disco em clima afro-brasileiro e remete o ouvinte às rodas de capoeira embaladas por berimbau, ele presta homenagem à obra do compositor mineiro João Bosco. Tema do personagem Foguinho (interpretado por Lázaro Ramos na novela Cobras & Lagartos, a saborosa Tiro Onda conquista à primeiríssima audição.

“Cada disco é uma fotografia do momento para qualquer artista. Não acho que seja uma evolução completa, porque sempre explorei o samba. Minha influência de samba agora está mais nítida pela decisão que tive de fazer coisas mais simples”, afirma Jair.

Outro bom exemplo de ritmo cadenciado e envolvente é Eu Também Tive um Sonho, em que Jair, compositor das 13 faixas do disco, imagina uma versão nacional do ativista Martin Luther King, ícone do movimento em defesa dos direitos civis nos Estados Unidos da década de 60. “Luther King, rei da luta justa/ Se entregou ao samba com a turma da cachaça/ O brother sabe bem o que que a gente busca/ Sonho de alegria na união das raças”, diz um dos trechos da canção.

A composição faz parte da trilha sonora do filme Os Desafinados, do cineasta Walter Lima Jr., com estréia prevista para o segundo semestre. Jair interpreta o baixista da banda homônima ao longa-metragem e compôs a música especialmente para o seu personagem.

O disco conta com as participações da irmã de Jair, a cantora Luciana Mello (que recita em inglês a letra de O Que Pensam as Estrelas?) e Paula Lima (Todo Dia), antiga companheira do músico nos palcos da vida e no elenco da gravadora Trama, da qual ele garante ter se desligado sem qualquer animosidade. “Foi super tranqüila a minha saída. Há pelo menos dois anos vinha vislumbrando a possibilidade de transformar em selo a S de Samba, que é uma produtora de áudio desde 1998. Meu contrato venceu e a gente acabou não renovando. Não foi uma ruptura”, diz Jair, que não descarta a possibilidade de colaborar com a empresa do amigo João Marcelo Bôscoli em futuras produções.

O álbum traz uma parceria com pernambucano Otto, na divertida Au Niveau du Bar, cantada propositalmente em um francês tosco e que mistura palavras em português e inglês. A canção foi composta em clima de total descontração no lobby de um hotel em Paris, quando os dois faziam um show na cidade.

Rico em citações, Simples presta tributo a Hermeto Pascoal, na faixa Sete e Meia (Demorô), um samba no compasso 7/8, andamento muito utilizado pelo homenageado. Outras referências podem ser conferidas, como na balada pop Intacto e na faixa-título, em que se percebe a influência do cantor Moska.

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