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Primeira votação de Babá gera revolta na base governista

Suplente tucano votou contra moção de repúdio à fala de Lula sobre o conflito entre Israel e Palestina

Artur Rodrigues
21/02/2024 | 18:57
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Divulgação


Bastou uma sessão para o suplente de vereador Lindomar Babá (PSDB) agitar a base do prefeito Orlando Morando (PSDB) na Câmara de São Bernardo. Babá assumiu ontem a cadeira no Legislativo e foi contra a moção de repúdio apresentada pelo vereador Paulo Chuchu (PRTB) ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por comparações entre a atuação de Israel no conflito com a Palestina e o Holocausto. A votação do estreante, acompanhada apenas pela bancada do PT, gerou revolta entre os parlamentares da base de Morando. 

Proponente da moção, Paulo Chuchu subiu à tribuna após a votação para demonstrar sua estranheza com a postura de Babá. “É uma questão que deve ser debatida internamente no partido, mas me estranha um vereador do PSDB, um partido tão importante para o Brasil, ir contra essa moção, e a favor do Lula e do PT”, disse. 

Embora revoltados com o voto de Babá, os vereadores da base, especialmente os tucanos, não se pronunciaram na tribuna. Presente na sessão, a reportagem do Diário constatou que Maurício Cardozo (PSDB), vice-líder do governo Morando na Câmara, era um dos mais insatisfeitos com a postura do suplente. 

Outra figura morandista insatisfeita com a votação foi a Secretária de Governo, Júlia Benício (PL), que também estava presente na sessão. Braço-direito de Orlando Morando, Júlia chegou a interromper uma conversa entre Babá e Getulio do Amarelinho (PT) para questionar a decisão do tucano. 

A chegada do suplente à Câmara foi cercada por impasses e negociações entre Babá e os aliados de Morando. Isso porque, embora filiado ao PSDB, o vereador já anunciou apoio à pré-candidatura do deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) ao Paço. Segundo apuração do Diário, Babá teve reunião com Júlia Benício na sexta-feira para que ambos chegassem a um consenso sobre a atuação do tucano na Câmara. A informação que circula nos corredores da Câmara é que ficou acordado que o suplente irá votar a favor dos projetos que chegarem do Executivo, mas que poderá ter autonomia nas votações de propostas vindas dos vereadores – que foi o caso com a moção de Paulo Chuchu. 

O impasse sobre a chegada de Babá se instalou diante da morte do vereador Afonso Torres, o Afonsinho (PSDB), na semana passada, vítima de complicações de câncer no pâncreas. Com o falecimento do tucano, o primeiro suplente do partido, Henrique Kabeça, herdou a vaga em definitivo, mas o fato de Babá estar apoiando Luiz Fernando fez com que a mesa diretora evitasse convocá-lo de imediato. 

Babá ficará como vereador durante um mês e meio, isso porque, em abril, os três vereadores tucanos que exercem cargo no Executivo voltam à Câmara: Pery Cartola, da Pessoa com Deficiência e Cidadania; Alex Mognon, de Esportes; e Hiroyuki Minami, de Desenvolvimento Econômico.




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