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‘Solidariedade recua’, afirmam entidades assistenciais da região

Doações típicas de final de ano já fazem falta e preocupam as arrecadações filantrópicas contabilizadas em janeiro e fevereiro no Grande ABC

Lays Bento
20/02/2024 | 20:49
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Divulgação


Bem nos meses em que os trabalhos filantrópicos se iniciam, o terceiro setor do Grande ABC alerta para a queda no volume de doações a pessoas que passam necessidades. 

Segundo membros das organizações, a escassez é sempre constante após o otimismo e euforia de solidariedade, mas, especialmente após a pandemia, os impactos da baixa passaram a representar um acúmulo de ameaças à continuidade dos espaços.

Em São Bernardo, por exemplo, a Associação Padre Leo Commissari viu a generosidade, que beirou as 140 cestas básicas em dezembro, chegar a uma arrecadação zerada no último dia de janeiro. 

“Geralmente, nas metas de começo de ano, ajudar o próximo é secundário, mas para quem cuida do lado social na região, o problema é sempre econômico. 

Na pandemia, mesmo a gente teve até que reduzir as atividades e considero que, com estas faltas, tenha ocorrido um impacto que afeta famílias que, na verdade, evoluem junto com o bairro”, relata Daniela Bonello, presidente da entidade, que oferece cursos profissionalizantes em espaço no Jardim Silvina/Oleoduto.

Já no Lar Pequeno Leão, a baixa nas arrecadações é estimada em 10% e preocupa a instituição de acolhimento a menores em vulnerabilidade social também em São Bernardo. 

A queda é sempre esperada no começo do ano, segundo a coordenadora técnica do espaço, Valéria Giolo. 

“Já tivemos viradas bem piores, mas esta nos fez repensar. Acredito que, no momento, parte do que tem segurado a gente é esta contribuição municipal de 70% nos recursos e algumas empresas que estão em parceria. O tema é um alerta para a população mesmo, em geral”, destaca.

Enquanto isso, a queda nas doações chegou a 40% no Lar Espírita Doutor Adolpho Bezerra de Menezes, que atende idosos desde 1976 em Ribeirão Pires.

“Metade do nosso recurso humano é da área da saúde, o que torna a folha de pagamento hoje a nossa maior dificuldade, apesar de contarmos com dois convênios firmados - um em nível municipal e outro da esfera federal”, relata a coordenadora do Lar, Camila Gomes das Neves.

Para além do abate financeiro no trabalho filantrópico, ela conta que os últimos anos foram complicados ainda pela falta de visitas que os idosos sofreram: “isto que 2023 foi um ano um pouco melhor em relação à pandemia. Mas ainda temos idosos de total responsabilidade

da casa, tanto que já cheguei a enterrar alguns que viviam sozinhos no mundo, sem qualquer vínculo anterior de família ou de amigos. É difícil pensar que até nisto as pessoas, de forma geral, parecem faltar com a solidariedade ao próximo”, desabafa.

Ainda na percepção da profissional, a impressão é que a questão cronológica se trata mais do ego humano do que do ato de doar em si. “É curiosa esta briga por data. Se propomos, por exemplo, a realização de um café solidário em janeiro ou fevereiro, as pessoas, na maioria das vezes, não aceitam; preferem dezembro. Aparentemente há quem acredite de verdade que quem faz doações em dezembro está perdoado dos próprios pecados pelo ano inteiro”, finaliza.




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