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Nelson Triunfo ajuda Vai-Vai a contar a história do hip hop

Fundador do primeiro espaço cultural do País dedicado ao movimento, em Diadema, ele marcou presença no sambódromo paulistano

Por Renan Soares
12/02/2024 | 09:14
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Nelson Triunfo, criador da Casa do Hip Hop, foi homenageado no Sambódromo (FOTO: Paulo Pinto/Agência Brasil)


A inconfundível cabeleira do dançarino, músico e ativista social Nelson Triunfo, 69 anos, foi um dos símbolos escolhidos pela escola de samba Vai-Vai para levar a cultura das ruas ao Sambódromo do Anhembi. Durante seu desfile, na noite de sábado, a agremiação espalhou pelos 530 metros da passarela vários elementos ligados ao Hip Hop. Nos carros alegóricos, fantasias e adereços havia referências a música, aos DJs, ao grafite, ao break… E havia também o próprio Nelson. O fundador da Casa do Hip Hop de Diadema, desfilou, teve a sua imagem replicada nos 240 integrantes da bateria e foi até citado na letra do samba-enredo: ‘A ginga na dança, grande Triunfo do movimento’.

 O enredo Capítulo 4, Versículo 3 - Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano, exaltou os 50 anos do gênero no Brasil.

Jean Triunfo, coordenador da Casa do Hip Hop e filho de Nelson, explicou que o ‘black-power’ na cabeça dos ritmistas foi uma forma de reverenciar o artista. “Foi muito emocionante, para todos da cultura Hip Hop. Enxergamos muitas referências e cada detalhe emocionava. Minha família foi constituída por meio desse gênero e para nós isto foi um marco histórico. Fico muito feliz pela homenagem que meu pai recebeu em vida”, afirmou Jean, destacando que outros artistas diademenses também desfilaram.

Ex-morador de Diadema, Nelson vem da cidade de Triunfo, no Pernambuco (que virou nome artístico). Aos 16 anos, em busca de um estudo melhor, se mudou para a Bahia. Decidido que a dança seria sua profissão, criou, em 1972, seu próprio grupo musical de soul music: Os Invertebrados. Logo depois foi morar em Brasília antes de se instalar em São Paulo, onde, na década de 1980, participou de diversas apresentações de Hip Hop no Centro da Capital. Em 1999, a Casa do Hip Hop foi inaugurada com Nelson como um de seus fundadores, lugar onde permaneceu lecionando até 2014.

O secretário de Cultura de Diadema, Camilo Vannuchi, exaltou a presença e homenagem a Triunfo no desfile. “Alegria maior foi ver nosso líder Nelson Triunfo, um pioneiro da cultura hip hop, dançarino pernambucano radicado em Diadema e um dos criadores da nossa Casa do Hip Hop, no Canhema, citado na letra do samba-enredo e reverenciado pela bateria da escola. Todos os ritmistas exibiam a mesma cabeleira black power que consagrou nosso maior b,boy. E Nelsão estava lá, junto com eles e com a madrinha Negra Li, atravessando a avenida aos 69 anos”, disse Vannuchi.

EVOLUÇÃO

Era por volta das 22h35, quando a maior campeã do Carnaval paulistano, com 15 títulos, abriu a segunda noite de desfiles em São Paulo. E no último carro alegórico veio mais um a referência ao trabalho de Nelson. “Neste momento, a Casa do Hip Hop e o movimento em si são reverenciados, propondo uma nova ordem para cultura de São Paulo”, detalhou o carnavalesco Sidnei França. “Instituições como a Casa do Hip Hop dão voz a inúmeros artistas que, sem ela, estariam ainda mais invisibilizados”, concluiu. A alegoria trazia elementos de grafite, nomes de figuras históricas, além de uma reprodução da estátua do bandeirante Borba Gato em chamas.

Além da homenagem a Nelson Triunfo, o desfile contou com nomes como Mano Brown, KL Jay, Ice Blue e Edi Rock, dos Racionais MC’s, Negra Li, madrinha de bateria, e Gloria Groove.

Agora é esperar a apuração, que ocorre amanhã, para saber se o desfile do Vai-Vai empolgou os juízes. 

CASA DO HIP HOP FAZ 25 ANOS NO MÊS DE JULHO

Antes conhecida como Casa Cultural Canhema, a Casa do Hip Hop de Diadema tem Nelson Triunfo como um de seus fundadores, homenageado no desfile do Vai-Vai, sábado, no Sambódromo do Anhembi. Localizada na Rua 24 de Maio, 38, no Jardim Canhema, o espaço completa em julho 25 anos de história, unindo os quatro elementos do Hip Hop de forma unificada para a população que desfruta do local.

Na Casa do Hip Hop de Diadema, há espaço para todos. Os b’boys e b’girls (dançarinos de breaking) contam com ensaios abertos ao público. Os grafites dominam toda a casa e são trocados a cada seis meses para que mais artistas possam ter seu trabalho exposto no local. Há também biblioteca, com clássicos e obras que priorizam autores negros, e quadra de basquete. 

O secretário de Cultura de Diadema, Camilo Vannuchi, destaca que a história da cidade está ligada à história do hip hop no Brasil. “Os maiores nomes da cultura hip hop frequentavam e ainda frequentam a Casa do Hip Hop, no Canhema, que exalava já nos anos 1990 toda a atmosfera de liberdade e resistência. E Nelson Triunfo chega ao Sambódromo representando essa construção, como embaixador vitalício da nossa Casa do Hip Hop”, disse Vannuchi.

Já o prefeito da cidade, José de Filippi Júnior (PT), também exalta o local, citado como uma das inspirações para o último carro alegórico do Vai-Vai. “Diadema sempre foi pioneira em políticas públicas, nos movimentos culturais, e ter uma escola de samba com a tradição do Vai-Vai falando da Casa do Hip Hop é motivo de muito orgulho para a cidade. Um equipamento que faz parte da história da cultura hip hop no Brasil, por onde passaram grandes nomes, é sem dúvida uma homenagem merecida!”, afirma Filippi.




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