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‘Teremos um novo plano de mobilidade’, aponta Marcelo Oliveira

O petista diz que estão em trâmites finais os ajustes no Plano de Mobilidade Urbana apresentado ainda no mandato do hoje ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), e que o projeto repaginado será apresentado no começo do ano, com o objetivo de execução de obras para reduzir os gargalos do trânsito

Por Raphael Rocha
29/12/2023 | 07:00
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DGABC


Presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT) acredita que 2024 será um ano de colheitas para a região, em especial na área de mobilidade urbana. O petista diz que estão em trâmites finais os ajustes no Plano de Mobilidade Urbana apresentado ainda no mandato do hoje ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), e que o projeto repaginado será apresentado no começo do ano, com o objetivo de execução de obras para reduzir os gargalos do trânsito na região. Marcelo citou avanços da entidade neste ano, como a retomada do Conselho Metropolitano e a liderança no combate à construção de moradias ao redor do Polo Petroquímico e apontou que, apesar de financeiramente não pesar, a saída das prefeituras de São Bernardo e São Caetano atrapalham. “O Consórcio foi pensado com as sete cidades. Temos problemas em comum para resolver”, citou.

Qual balanço o sr. faz do mandato à frente do Consórcio Intermunicipal?

O Consórcio é uma ferramenta importante, muito importante, tanto que é histórico o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. O Consórcio foi protagonista na volta das reuniões do Conselho Metropolitano. Tivemos ação de várias reuniões com secretários do prefeito Ricardo Nunes (MDB, da Capital), até termos a reunião com Ricardo Nunes junto aos presidentes dos consórcios e as reuniões do Conselho começaram a retornar. Importantíssimo também o PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado) voltar à pauta e o projeto ir para a Assembleia Legislativa, o governo (do Estado) assumiu esse compromisso. Fizemos reunião na Assembleia para discutir um tema fundamental. Claro que falamos sobre várias ações, como mobilidade urbana, saúde, mas, para nós, era muito importante destacar o Polo Petroquímico. Há decreto assinado por mim e pelo prefeito Paulinho (Serra, PSDB), estabelecendo o polo. É fundamental o Ricardo Nunes entrar nessa discussão. E se assim ele achar que pode realizar, também assinar o decreto reconhecendo o polo para que as construções verticais não ocorram ali próximo do complexo. O polo tem 50 anos, projeto para ficar mais 50, pelo menos. Paulinho e eu estamos mexendo no Plano Diretor, na Lei de Zoneamento, para que o polo continue, pois tem uma questão muito relevante de arrecadação, mas também de geração de emprego e renda. Muitas empresas que estão em Santo André, São Bernardo e Mauá fazem a matéria-prima que abastecem o polo. Se perdemos o polo, o transporte para essa matéria-prima vai encarecer. Então, não é só Mauá e Santo André (os potenciais prejudicados com eventual saída do polo) porque está lá ao redor uma cadeia produtiva muito grande. O Conselho é importantíssimo para que a gente mantenha esse debate para que possa ser assinado esse decreto (por parte de São Paulo) e aí a gente possa dialogar com o governo do Estado, tentando também (um decreto estadual). Não é fácil. 

Financeiramente pesou as saídas de São Bernardo e São Caetano da entidade?

Nós conseguimos organizar as contas do Consórcio, continuam em dia e, além disso, nós conseguimos recursos no Fehidro para que a gente possa fazer esse trabalho na questão do meio ambiente. O Consórcio está responsável na questão, no debate do Conselho de Mobilidade Urbana, nós temos um projeto do Plano de Mobilidade praticamente pronto porque resgatamos um projeto da época do (Luiz) Marinho (PT, ex-prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Consórcio e hoje ministro do Trabalho), fizemos uns ajustes. No começo do ano agora a gente apresenta esse projeto de mobilidade urbana para nossa região. Estamos dialogando emendas de deputado, assinei convênio com a UFABC (Universidade Federal do ABC) para que a gente possa fazer um trabalho e ter cursos na nossa região. Tem muita coisa andando.

Então é possível dizer que as saídas de São Bernardo e São Caetano não pesaram?

Faz falta, claro, o ideal era ter as sete cidades. O Consórcio foi criado com as sete cidades, então seria importante ter todas as cidades. Mas, assim, cada prefeito tem o seu entendimento e a gente tem que respeitar o entendimento. Podemos não concordar com o entendimento do prefeito, mas temos de respeitar. Tomara a decisão de sair do Consórcio… A gente espera que em breve possam voltar e estar com a gente. Porque tem muitos projetos que não têm como só uma prefeitura fazer, olhar só sua casa. Você tem que olhar para a região toda, pensar macro, adotar uma política macro. Temos nossas divisas, mobilidade urbana em conjunto, saúde, água, esgoto. Trata o esgoto de São Caetano, e Santo André e Mauá não trata, o que adianta? Mauá está tratando seu esgoto, é preciso ver se não é possível dialogar com o governo federal para que isso avance por Santo André e São Caetano e a gente possa sonhar com um Rio Tietê limpo. Porque vem de Mauá, passa por Santo André e São Caetano, no Rio Tamanduateí, e desemboca no Rio Tietê. Podemos pensar no Rio Tietê limpo. Se não pensar para cá não adianta. 

Vocês ainda mantêm diálogo com os prefeitos que saíram?

Não perdemos a questão de conversar. Eu ligo, converso, pergunto como está. O (José de) Filippi (Júnior, PT, prefeito de Diadema) também, porque essa missão não é só do presidente. Cada um conversa um pouco. Temos dividido, desde que assumi o Consórcio, as tarefas entre os prefeitos. Claro que o presidente tem uma responsabilidade maior, mas a tarefa tem de ser compartilhada, até para avançar na relação com o governo do Estado, com o governo federal. Hoje temos uma relação boa com o governo federal, outro tem boa relação com o governo do Estado. Essa força, de todos juntos, faz com que a população do Grande ABC ganhe, para melhorar várias áreas. 

E quais as perspectivas para o ano que vem?

Os governos estadual e federal tiveram o primeiro ano de mandato, estão acertando as coisas e no ano que vem acredito que muitas coisas comecem a andar bem, com perspectiva de o Brasil crescer, com PIB aumentando, com perspectiva de passar os 3%, muito maior do que a estimativa anterior de 0,6% a 0,9%. Se continuar nesse ritmo, o ano que vem será de muitas realizações. Em Mauá, nós estamos construindo terminal de ônibus, posto de saúde, escola, asfaltamento. Quantos empregos não geramos com essa quantidade de obras? Dinheiro que essas pessoas vão gastar na cidade. Como diz o presidente Lula, dinheiro bom é dinheiro investido em obras. Além de ter a melhoria para população no sentido de um atendimento de qualidade melhor, mas também da geração de emprego para aquelas pessoas que estavam desempregadas. Então eu enxergo em 2024 um ano de melhor desempenho do nosso País e a nossa região não é diferente. 

Passa pela sua cabeça continuar no próximo ano à frente do Consórcio?

Desde o princípio, a gente debate que o Consórcio precisa ter rotatividade. Para cada prefeito ficar um ano como presidente. Aconteceu isso na maioria das vezes, exceção a algumas coisas extraordinárias, como o Marinho e o Paulinho, por causa do cenário político colocado nas respectivas épocas. A nossa condição agora não tem isso. Conversamos bastante e em janeiro vamos definir essa candidatura para decidir quem vai ser o novo presidente.

O secretário executivo Mário Reali (PT) tem falado muito que o Consórcio precisa recuperar a capacidade de pensar o futuro da região, desenhar planos. O sr. acredita que, neste ano, foi possível recuperar essa vertente?

Estamos juntos no Consórcio, pensando as sete cidades, mas é importante o governo do Estado e o governo federal estarem juntos, encaminhando recursos. Depois que Marinho saiu, com o impeachment da Dilma (Rousseff, PT, ex-presidente), a União nunca mais veio conversar com o Consórcio. O Estado também pouco avançou em diálogo. Agora temos uma expectativa muito grande de conseguir recursos fora para que a gente possa implementar as políticas públicas. O Consórcio tem uma expertise e uma importância muito grande para fazer acontecer na nossa região. Nós vamos preparando esses projetos e buscando recursos para fazê-los via PAC. O projeto tem custo. O Consórcio foi criado na época do Celso Daniel (PT, ex-prefeito de Santo André, morto em 2002) para encontrar uma solução para os resíduos sólidos. Temos, em Mauá, um projeto de URE (Usina de Recuperação Energética) que passou por várias etapas. É um equipamento com potencial imenso de transformação, porque envolve venda de energia, uso do fim dos compostos dos resíduos 




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