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Av.dos Estados ressurgiu como eixo logístico, diz Paulo Serra

Combinada a uma nova política fiscal e a ajustes no Plano Diretor, a recuperação da Avenida dos Estados trouxe resultados quase que imediatos

Por Raphael Rocha
28/12/2023 | 07:00
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André Henriques/DGABC


O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), celebrou o renascimento econômico da Avenida dos Estados, que teve início neste ano, com a entrega da revitalização do trecho andreense da via. Combinada a uma nova política fiscal e a ajustes no Plano Diretor, a recuperação da Avenida dos Estados trouxe resultados quase que imediatos: chegada de novas empresas, anúncio de aumento de investimentos e consolidação do espaço como eixo logístico da Região Metropolitana. Em entrevista exclusiva ao Diário, Paulo Serra faz balanço sobre o sétimo ano de sua gestão, elenca avanços na educação, na saúde e na geração de emprego como pilares da administração neste 2023 e aposta em entregas de mais equipamentos em 2024, como o Centro de Especialidades no Atrium Shopping, o Hospital Veterinário na Vila Assunção, novas creches e reformas de unidades de saúde. “Plantamos sementes e estamos colhendo. A cidade ficou 20 anos sem plantar nada e o terreno ficou infrutífero. Agora, fazemos no presente e de olho no futuro.”

O sr. está encerrando seu sétimo ano como prefeito, caminhando para o oitavo e derradeiro exercício do mandato. Qual saldo da gestão neste penúltimo ano de governo?

Muito positivo, em especial em três áreas que considero que a gente evoluiu muito, com entregas muito simbólicas. A questão da qualidade de vida de uma forma geral, com as áreas verdes, os parques, as praças de esporte, a gente conseguiu fazer grandes entregas. Parque Guaraciaba foi o ano passado, no finalzinho do ano, em dezembro, depois entregamos o campo, entregamos a praça do esporte lá do Jardim Utinga e várias praças pela cidade revitalizadas. Isso tem um peso grande na qualidade de vida e, sem dúvida nenhuma, na saúde. Aliás, na saúde, na educação e na geração de emprego estão os três pontos que falei no começo. A gente começou o ano entregando o Centro de Especialidades Odontológicas, que foi o que é importantíssimo, mas tivemos neste ano o novo CHM (Centro Hospitalar Municipal), que talvez seja o retrato da melhoria da saúde de Santo André. É um hospital hoje completamente diferente do que era em 2017, quando nós tínhamos aquela imagem da saúde pública do pronto-socorro com macas nos corredores, pessoas ali naquela situação quase de abandono. Nós tínhamos isso em Santo André, no início da gestão, quando a gente assumiu. E hoje, quando a gente vai lá, a gente vê que a mudança é total, não só da estrutura, da hotelaria, mas do atendimento, do fluxo, da organização, da informatização, da qualidade dos exames, dos equipamentos. A quantidade de atendimentos, que aumentou 30%. Então, para nós, a entrega do CHM foi um dos grandes pontos do ano. Na educação a gente iniciou as aulas de robótica, ampliamos o ensino integral e chegamos a uma taxa que era um dos nossos grandes objetivos de alfabetizar as crianças. Porque um dos grandes desafios para a educação era olhar pelas crianças que na pandemia estavam na idade de alfabetização. Essa geração, que é a que mais precisa ser observada, porque o prejuízo para essas crianças, na formação delas, é maior do que uma criança já alfabetizada. Todos tivemos prejuízos. A pandemia deixou essa cicatriz por causa da falta do presencial, mas a gente priorizou essas crianças que estavam na alfabetização e a gente conseguiu bater 80% de alfabetização dessas crianças pós-pandemia. A gente quer chegar a 100%, mas foi uma das melhores cidades do Brasil desse desafio daquelas crianças que não tiveram as aulas presenciais e que hoje 80% delas estão alfabetizadas. A gente corrige de vez a distorção que a pandemia deixou na formação dessas crianças. Graças a Deus a pandemia acabou. A qualidade da nossa educação é muito grande, a gente municipalizou 17 escolas, temos ferramentas digitais, tablets, lousa, tem muita qualidade na nossa educação. Somada com a tradicional, do giz e lousa. O nosso foco foi solucionar a herança ruim que a pandemia deixou, e estamos muito perto disso. Zeramos o deficit de creche, com as dez unidades que entregamos ao longo dos sete anos. Iniciamos mais três creches neste ano. Na geração de emprego, além de estarmos sempre na dianteira no critério a cada 100 mil habitantes, Santo André liderou as listas da Região Metropolitana por muitos meses nesse critério, falando das principais cidades.

Neste ano houve a entrega da nova Avenida dos Estados, via que, no seu planejamento de gestão, seria grande impulsionadora de novos negócios. Já foi possível sentir mudança a partir da revitalização do trecho andreense?

O ressurgimento da Avenida dos Estados, como eixo logístico sobretudo, resultou em mudança muito importante na busca da nova vocação econômica da cidade. Isso começou com a reestruturação da avenida, com a vinda do governador Tarcísio (de Freitas, Republicanos), o Complexo Santa Teresinha, que a gente abriu parcialmente o viaduto e está em construção. A nova avenida vem em um pacote de investimento e reestruturação, revisão do Plano Diretor, incentivo fiscal, desburocratização. Levamos novamente o olhar do setor produtivo, que voltou a investir. A Femsa Coca-Cola, a Royce Connect ampliando, o centro logístico da MBigucci (chamado de Business Park Santo André), que já tem 100% de locação e com a fase dois e fase três em andamento, a Goodman, que adquiriu a área da Rhodia, que será o maior centro logístico do País, com dois pavimentos para estacionamento de carretas. Para nós é muito importante porque, em matéria de desenvolvimento econômico, o futuro é eclético. Temos serviço, temos um polo gastronômico que se consolidou, e a gente faz a atualização desse setor sempre usando as ferramentas digitais, o que é muito mais contemporâneo, avançado e mais na palma da mão de todo mundo. Temos um roteiro gastronômico muito consolidado, mas tem o comércio, os shoppings, o serviço, o parque tecnológico com mais de 100 empresas associadas. Ponto importante para uma cidade que cresceu 1.400% no investimento privado comparado a 2017, gerou 390% a mais de emprego do que em 2017 e que conseguiu reduzir sua dívida em quase 80%. E, por outro lado, aumentar sua capacidade de investimento em 89%. A gente fecha 2023 com saldo muito positivo. Isso tudo são números, pode até parecer meio frio, mas refletem na sensação das pessoas de qualidade de vida. A gente vê uma cidade que as pessoas curtem mais, vivem mais, se orgulham de Santo André. Houve reconexão com o poder público, com a gestão, com o prefeito. É uma cidade viva.

E quais os desafios colocados para o ano que vem?

Eu lembro que eu falava em 2016, na campanha, que Santo André precisava voltar a plantar. Essa era uma das frases que eu mais repeti, plantar para poder colher. A cidade parou de plantar desde o Celso Daniel (prefeito morto em 2002). Foram 20 anos até 2016, período em que secou, em que o terreno não frutificou. E nós voltamos a plantar e o ano que vem vai ser um ano de muita colheita, porque nós vivemos o pós-pandemia, que foi praticamente um ano e meio, agora que a gente conseguiu superar de vez. A gente ainda foi meio cuidadoso nessa coisa da pandemia porque todo mundo ficou meio desconfiado. Hoje nós já sabemos que graças a Deus isso passou e a gente plantou muito no pós-pandemia para corrigir os impactos que a pandemia trouxe. Por exemplo para saúde, que teve de zerar filas, na educação, houve impacto social. Além disso, a gente voltou a plantar e neste ano a gente começa já o ano com o novo Centro de Especialidades no Atrium (Shopping), com o Hospital Veterinário, a gente vai ter o novo Teatro Municipal, a gente vai ter as novas fases lá do Complexo Santa Teresinha, o Hospital Dia da Vila Luzita, unidades de saúde que a gente vai entregar muito próximo de ficarem prontas, na Cidade São Jorge, Capuava, Vila Guiomar e Jardim Ana Maria. Então tem muita coisa boa pela frente. Hospital Veterinário é no primeiro bimestre. O Hospital Dia da Vila Luzita é no segundo semestre. O Centro de Especialidades do Atrium também será no primeiro bimestre. Teremos o novo Skate Park da Atlântica, onde o skate de Santo André nasceu, até abril. Tem muita coisa legal. A creche Guarani é a primeira que fica pronta desse novo conjunto que estamos fazendo. Os programas vão seguir ampliados, vamos chegar a 500 quilômetros de asfalto até o ano que vem, também até o fim de 2024 ter 100% da cidade com luz de LED. Cidade totalmente monitorada. A área de cidade inteligente evoluindo bastante. Teremos usinas fotovoltaicas na área de sustentabilidade, que vai produzir energia limpa. Temos de continuar esse ritmo de trabalho e enfrentar as dificuldades do dia a dia.

Neste ano, o sr. representou Santo André no evento de cidades inteligentes em Barcelona e também participou, na condição de palestrante, de um painel da COP, em Dubai. Estar em eventos internacionais tem qual peso para a gestão municipal?

O sentimento de pertencimento e orgulho é muito importante para termos sociedade cada vez mais saudável. Nos países mais desenvolvidos as pessoas têm noção de comunidade que é muito presente. Nos Estados Unidos, o norte-americano tem patriotismo, quantidade de bandeira nas residências, faz com que a pessoa cuide da praça, dos hospitais, porque são equipamentos dela. Essa questão do pertencimento para mim tem peso grande. Os prêmios, a cena internacional, para quem é da cidade, ver Santo André sendo exemplo no mundo é muito legal, mas também trazem impacto no cotidiano. Na atração de investimentos. Grandes grupos que estão na cidade ou novos, quando vão definir os investimentos, colocam Santo André no mapa. Não tenho dúvida que a Prometeon, quando vai definir planejamento estratégico, sabendo que Santo André é cidade inteligente, estabilizada, com bom pacote de investimentos, passa a colocar a cidade como prioridade na hora de definir onde vai ampliar a planta e gerar mais emprego. Na cidade bagunçada, o investimento não vem. A gente vê sempre nos aspectos dos países, mas nas cidades também funciona essa lógica. Reforça que estamos no caminho certo. Prêmios e reconhecimentos internacionais são baseados em critérios técnicos, efetividade de política pública. Quando a gente é reconhecido, é combustível para continuar. Estamos melhorando a vida das pessoas, Moeda Verde, programa circular, gera emprego para cooperativas, chega comida à mesa de quem não tinha. Estivemos em Barcelona, também em Dubai. O maior prêmio é o carinho das pessoas e reconhecimento do morador que me diz que a cidade está melhor. Respeitando muito as visões de cidade que as pessoas têm. A cidade é heterogênea, tem suas diferenças. Quando ouvimos da imensa maioria o reconhecimento, é o maior prêmio que o gestor tem. Ninguém vem agradecer de graça.

A Prefeitura organizou o Santo André 500 Anos, com o objetivo de debater o futuro da cidade. Para onde aponta esse futuro a partir dos estudos feitos?

Santo André historicamente é uma cidade inovadora. O Santo André 500 Anos, juntamente com o Plano de Metas, que leva em conta os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, é feito por inovações. Porque a maioria das gestões pensa nos quatro ou oito anos. Natural, não condeno. Planejar dá muito trabalho e muitas vezes não é aquele prefeito que irá colher os frutos. Essas coisas de longo prazo no Brasil acabam sendo abandonadas. A gente não teve esse pensamento. Vamos deixar o plano para a cidade no mês de abril, como lei, consolidado. Vamos apresentar o Santo André 500 Anos para a cidade. Além das obras, o futuro aponta para inovação em todas as áreas. Estamos nos redescobrindo. E a velocidade da mudança é muito maior, o mundo mudou mais nos últimos dez anos do que nos 50 anos anteriores. A tendência é acelerar ainda mais essa proporção. A Maria (Carolina, filha do prefeito, de 8 anos) provavelmente terá uma profissão que hoje não existe. Para isso que a cidade tem de estar preparada também. Claro que temos de fechar pontas, definir Plano Diretor, saber para onde a cidade vai e poder crescer. Temos de deixar isso definido até pelo ponto de vista urbanístico. Mas esse plano terá de ser sempre reavaliado, essas mudanças constantes. Vamos deixar uma direção, de índices, metas, objetivos. Não quero que Santo André tenha 20 anos de paralisia de novo como foi antes da nossa gestão. É uma responsabilidade que temos não só como prefeito, mas como pai e morador da cidade. Temos de deixar cidade que vai sempre olhar para frente.




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