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O desafio do ensino em 2024
Por Rafael Cervone
presidente do Ciesp
23/12/2023 | 07:01
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 Foi notável a participação dos alunos do Sesi de São Paulo no Pisa 2022 – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, no segmento específico de colégios. Sua performance superou o desempenho nacional do Chile, líder na América Latina, nas três áreas do conhecimento: matemática, leitura e ciências. Anunciaram-se neste mês de dezembro os resultados do exame, que abrange jovens de 15 anos concluintes do Ensino Fundamental II e é coordenado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Infelizmente, contudo, o Brasil, como País, manteve-se em posição muito ruim: dentre 81 nações, ficou em 65º lugar em matemática, 52º em leitura e 62º em ciências. Em outro ranking, o de competitividade do IMD (Instituto Internacional para Desenvolvimento de Gestão), nos classificamos no 60º posto, dentre 64 economias. Os dois indicadores têm óbvia relação de causa-efeito, pois a qualidade da educação pública é um dos fatores mais expressivos para a capacidade concorrencial.

A boa formação escolar, ao contrário do que muitos imaginam na esteira da inteligência artificial e outras tecnologias capazes de executar tarefas humanas básicas, é cada vez mais determinante para a eficiência das empresas e a empregabilidade das pessoas. O saber torna-se essencial para que os profissionais sejam aptos a operar sistemas sofisticados em todos os setores e atendam aos requisitos das chamadas soft skills, ou seja, as habilidades comportamentais, como resiliência, adaptabilidade, raciocínio, capacidade de solucionar problemas, iniciativa, trabalho em equipe, confiabilidade e autodisciplina.

As salas de aula tornam-se os grandes portais do progresso pessoal e dos países. Prova disso é a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos do Senai 2021-2023, de âmbito nacional. Segundo o levantamento, 84,4% dos ex-alunos de cursos profissionais de nível médio da instituição estão empregados. Outro exemplo significativo é o desempenho do Sesi-SP no Pisa para Escolas em 2022, anteriormente citado.

Se conseguimos alcançar patamares elevados nos estabelecimentos do Sistema S mantidos pelas entidades de classe da indústria, fica claro que o Brasil tem competência para promover a excelência na rede pública, resgatando uma dívida histórica com seu povo. Esperemos que o ano novo, ao lado da regulamentação da reforma tributária, realização da administrativa, juros menores e impulsionamento do programa de reindustrialização, nos traga a redenção do ensino.

Rafael Cervone é presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).




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