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Policial usa ‘horas extras’ para ajudar a localizar desaparecidos

Willian Augusto trabalha no administrativo da Seccional de S.Bernardo e se voluntariou para auxiliar nas buscas; desde junho, já encontrou 100 pessoas

Por Beatriz Mirelle
13/12/2023 | 07:00
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André Henriques/DGABC


As delegacias do Grande ABC registraram 647 casos de desaparecimento que aconteceram entre janeiro e setembro deste ano. Por mês, a média é de 72 ocorrências desse tipo na região. Na seccional de São Bernardo, o policial Willian Augusto, 47, chama atenção pelo trabalho de dupla jornada que desempenha. Na profissão desde 1994, ele se voluntariou, em junho deste ano, para apoiar a Delegacia de Homicídios da cidade a localizar o maior número de pessoas possível. Desde então, ele já encontrou mais de 100 indivíduos. 

“Todas as vezes que consigo localizar alguém, encontrar essa pessoa bem e levar para a família, fico muito feliz com a reação de todos e a alegria deste momento. Sempre acreditei que os casos de desaparecimento causam um transtorno muito grande. Parece um eterno velório. A angústia de não saber se o parente está vivo ou morto pode se arrastar por anos. Como policial, presenciar algumas situações e relatos de sofrimento me despertou a necessidade de fazer algo a respeito dentro das possibilidades que eu tinha”, relata Augusto. 

Por isso, ele decidiu conciliar o serviço administrativo que desempenha na Seccional de São Bernardo com essa nova função. Entre uma planilha e outra, consegue se dedicar à investigação dos boletins de desaparecidos. “Faço regime de expediente, praticamente não tenho horário fixo. Então, atendo as pessoas de final de semana, feriados, à noite. É um caso que não tem hora para acontecer. Meu contato fica disponível 24 horas para as famílias.” 

A primeira etapa do trabalho de Augusto é buscar informações dos parentes caso eles tenham dados a respeito do possível paradeiro do desaparecido, se ele tem algum parente no interior, se algo o motivaria a sair de casa, entre outros detalhes que podem ajudar na busca. Depois, o policial parte para a pesquisa de campo. “Costumo carregar comigo uma foto da pessoa desaparecida. Vou a lugares que ela costuma frequentar, como academias, escolas, espaços de lazer. Converso com amigos, pergunto sobre uso de entorpecentes, ando por locais com pessoas em situação de rua, que, por sinal, são muito solidárias nas investigações. Tento contato com tudo que possa auxiliar a entender o porquê desse desaparecimento”

Nesse processo, o auxílio de instituições como hospitais, Conselho Tutelar e albergues é utilizado. “Não dá para fazer sozinho”, reforça Augusto. De acordo com o policial, a maioria dos casos se resolvem rapidamente. “Tem pessoas que se perderam ou estão com o celular sem bateria e não conseguem entrar em contato. Ocorrências de mal súbito, acidentes, internações. Outros casos perduram por mais tempo. Existem casos de pessoas que não querem ser encontradas, seja por dívidas ou vícios. Tem gente que muda de Estado e não comunica os parentes. Independente do motivo, nunca podemos desmerecer as investigações, porque, às vezes, podemos descobrir crimes graves, como sequestro e homicídio.”

Nesse processo, ele destaca ser fundamental que, assim que o indivíduo for localizado, a família comunique a polícia e faça boletim de ocorrência de ‘encontro de pessoa’ para que a investigação seja finalizada. 




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