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Paulo Serra vai palestrar sobre cidades resilientes na COP 28

Prefeito representa Santo André em evento da ONU e vai apresentar experiências da cidade, como bueiros inteligentes e sistemas de monitoramento

Por Renan Soares
Do Diário do Grande ABC
03/12/2023 | 07:00
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André Henriques/DGABC


Santo André estará na COP 28, a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O evento começou em 30 de novembro e vai até o dia 12, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e reunirá líderes mundiais visando debater medidas de enfrentamento às mudanças climáticas. A cidade será representada pelo prefeito Paulo Serra (PSDB), que vai palestrar, na quarta-feira, no painel Adaptação à Mudança: Percepção sobre a Resiliência Hídrica nas Cidades Brasileiras, sobre cidades resilientes.

Santo André foi selecionada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) após receber premiações envolvendo o tema sustentabilidade, como a etapa estadual do prêmio Band Cidades Excelentes, promovido pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação em parceria com o Instituto Aquila, no início de novembro, e o Prêmio Cidades Sustentáveis, em Governança, pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em junho, entre outros. Os reconhecimentos vêm após uma série de ações do município, que serão apresentadas no evento.

“Nós recebemos o convite da COP 28, por já sermos premiados na área de sustentabilidade e termos boas políticas públicas na área das cidades resilientes, que são as cidades que criam mecanismos de resposta, de previsibilidade e de ações para enfrentar essa questão das mudanças climáticas. Então, Santo André tem a experiência dos bueiros inteligentes, das nossas estações meteorológicas, além do Centro de Resiliência, que inauguramos”, diz Serra, que ainda destaca o avanço do saneamento básico no município, que, segundo ele, passou de 28% para quase 80% em sete anos, e as usinas fotovoltaicas, com geração de energia limpa, além de economia na conta de luz de prédios públicos.

Esta é a primeira vez que a cidade é convidada para participar do evento. O prefeito também destaca a presença de representantes de grandes países e cidades, e afirma que, embora o Brasil ainda não tenha participação mais efetiva no evento, cada vez mais este intercâmbio tem gerado experiências riquíssimas, também em políticas públicas. O chefe do Executivo andreense quer conhecer as principais ações que outros lugares do mundo têm adotado contra os reflexos da mudança climática, para poder melhorar questões como prevenção, atendimento, tempo de resposta e serviços em Santo André.

“É uma alegria muito grande participar, poder representar não só Santo André, mas todo o Grande ABC na COP, e em um tema tão importante e tão presente. Há alguns anos falávamos da mudança climática, como se ela nunca fosse ter consequências no nosso dia a dia, e hoje já vivemos elas”, afirma Serra, ao destacar a importância da troca de experiências. “É um assunto que vai ser um desafio para a cidade, e vamos ter que encará-lo porque as ferramentas que contávamos no combate às enchentes e outros fenômenos climáticos talvez não sejam mais tão eficazes frente a essas novas mudanças climáticas que a gente está se deparando”, afirmou.

Iniciativas serão apresentadas no evento

As iniciativas andreenses relacionadas à sustentabilidade serão apresentadas por Paulo Serra (PSDB) em evento da ONU. Ações como bueiros inteligentes, usinas fotovoltaicas e o Centro de Resiliência às Emergências de Defesa Civil serão tema da apresentação do prefeito na COP 28, a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Os bueiros inteligentes, desenvolvido por profissionais da própria Prefeitura de Santo André, em parceria com a empresa Indflow, conta com um sensor que informa se o cesto está cheio e emite um alerta. O sinal chega a um servidor, no qual a informação é captada e é determinada a necessidade da limpeza imediata ou não da boca de lobo. O item tem por objetivo impedir que os resíduos cheguem à rede de esgoto e aos córregos, bem como alertar para um ponto que pode provocar acúmulo de água.

Já para prevenir e combater os impactos de desastres naturais na cidade, houve a inauguração do Centro de Resiliência às Emergências de Defesa Civil, em 2022, tendo centros similares em Campinas (SP) e Recife (PE). O serviço tem, entre outras, a missão de aperfeiçoar o monitoramento, emissão de alertas e mapeamento de riscos naturais e tecnológicos. “As ferramentas tecnológicas atuam na prevenção e no diagnóstico daquilo que a gente pode fazer para evitar que essas mudanças climáticas continuem acontecendo na velocidade que elas lamentavelmente estão”, diz Paulo Serra.

Entre outras iniciativas está o Moeda Verde, que troca recicláveis por hortifrúti, com mais de seis anos de existência beneficiando mais de 26 comunidades. Outra ação em destaque é o projeto de instalação do complexo de usinas fotovoltaicas. As obras estão em andamento e resultarão na geração de energia limpa, além de economia na conta de luz de prédios públicos. Há também o programa Ponto Limpo, que combate o descarte irregular de resíduos. Neste projeto, há atuação na sensibilização dos munícipes visando a destinação correta de resíduos e incentivando a participação no processo de revitalização de áreas degradadas.


Conferência vai avaliar ação de países

A COP 28 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023) começou na última semana, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Reunindo representantes de cerca de 200 países e 70 mil pessoas, o encontro deve apresentar, pela primeira vez, um balanço global de como cada país está atuando para cumprir com o Acordo de Paris, quando as nações se comprometeram a limitar o aumento da temperatura da terra.

Ou seja, pela primeira vez desde o Acordo de Paris, serão avaliadas as contribuições dos países para a redução do aquecimento da terra. A análise servirá de base para a COP 30, em 2025, quando o Acordo de Paris completará 10 anos, e está prevista a adoção de novas medidas para mitigar o aquecimento da terra.

Anderson Cruz, advogado, ativista social e ambiental e integrante da Comissão Estadual do Meio Ambiente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, diz que, ao contrário da COP 27, em que muitas discussões ficaram somente no papel, a expectativa é que mais ações concretas sejam definidas durante a COP 28, principalmente para conter a elevação das temperaturas, que devem aumentar, no máximo, 1,5° C até 2030.

“Líderes de todo o globo vão se reunir no encontro para debater estratégias, metas e ações concretas na luta contra as alterações climáticas, fazendo da COP 28 um palco de debates que transcende as fronteiras nacionais. Isso porque ela representa a oportunidade para que diferentes países unam forças em prol de um objetivo comum: a preservação do nosso planeta para as futuras gerações. O objetivo é discutir e organizar estratégias para reduzir os impactos das mudanças climáticas”, diz Cruz.

Para Cruz, a COP 28 emerge como um marco crucial em um cenário global pautado pela urgência das questões ambientais, já que os impactos das mudanças climáticas se tornando cada vez mais evidentes e devastadores, fazendo o mundo voltar sua atenção para este evento de grande importância. (com ABr) 




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