Política Titulo Em Santo André
Retirada de monumento do Paço faz o clima esquentar na Câmara

Sindicato dos metalúrgicos protestou contra projeto de Dr. Cristiano

Por Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC
29/11/2023 | 07:00
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Divulgação


O projeto de lei de autoria do suplente de vereador Dr.Cristiano (PTB), que propunha a retirada do Monumento do Trabalhador do Paço de Santo André, escultura da artista Tomie Ohtake, esquentou o clima na Câmara, ontem à tarde. Representantes da classe trabalhadora estiveram na sessão do Legislativo e protestaram contra a proposta, que foi retirada da pauta a pedido do próprio autor.

No projeto, Dr. Cristiano propôs a transferência da obra para a Vila de Paranapiacaba. O monumento foi doado ao município pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá em 2013. O vice-presidente da entidade, Cícero Firmino da Silva, o Martinha, subiu à tribuna para defender a permanência da obra no Paço. 

“A arte está no meio dos pobres, da classe operária, dos trabalhadores, que são verdadeiros artistas. Por isso nós ficamos indignados com esse projeto. Esse monumento é dos trabalhadores de Santo André, do (Grande) ABC, do Estadoo e do Brasil. Viva a classe trabalhadora”, disse. 

Após o discurso do sindicalista, Dr. Cristiano foi à tribuna para justificar a sua propositura. “O Centro Cívico (Paço) foi tombado. A obra é maravilhosa, mas estou protegendo o patrimônio cultural de Santo André.Não me oponho à obra, me oponho à utilização do espaço público”, disse o vereador, que foi interrompido várias vezes pelo público. 

Em seguida, subiu à tribuna o vereador Márcio Colombo (PSDB), opositor feroz às pautas defendidas por partidos considerados de esquerda. “Queria começar parabenizando o Dr. Cristiano pelo projeto”, disse o parlamentar ao iniciar sua fala, interrompida por vaias do público. O parlamentar elevou o tom e, aos gritos, passou a provocar os sindicalistas. “Essa obra está mal posicionada e agredindo o Paço de Santo André. A cor desse monumento (vermelha) é partidária, ela representa o socialismo e o comunismo. A cor vermelha não representa a classe trabalhadora”. O público se revoltou e começou a gritar pela saída de Colombo do plenário. 

Enquanto o presidente da Casa, Carlos Ferreira (Republicanos), pedia calma aos manifestantes, Dr. Cristiano iniciou um bate-boca com algumas pessoas da plateia. O suplente precisou ser controlado por Fumassa (PSDB) e logo em seguida a sessão foi suspensa por cinco minutos. 

No retorno, Colombo, ainda aos gritos, concluiu seu discurso dizendo que “essa cor petista representa apenas os ‘pelegos’ sindicais e não a verdadeira classe trabalhadora”. 




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