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O que Morando pediu à Enel?
Por Da Redação
23/11/2023 | 09:11
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O impacto da grotesca discussão do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), com o diretor de relações institucionais da Enel, Marcos Mesquita, nos corredores da Assembleia Legislativa, dia 14, foi tão grande que um aspecto significativo acabou escapando à opinião pública. Análise minuciosa da gravação permite que se ouça claramente a razão que pode ter provocado a desinteligência entre os dois – e ela não é nada republicana. Ao que tudo indica, Morando não gostou de ter negado um pedido que fez ao representante da concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Grande ABC. Agora, ficou-se sabendo por que o pleito não foi atendido: era um crime!

Ao responder às acusações de Morando, que colocava em xeque, aos gritos, tanto sua competência profissional – “você não presta!” – quanto sua retidão moral – “você é mentiroso!” –, Mesquita deixou claro, em alto e bom som, que só não fez o que o prefeito de São Bernardo lhe pedira porque seria cometer um “crime ambiental”. Crime?! Pois o diretor da Enel tem agora a obrigação legal de explicar detalhadamente à sociedade qual foi o pleito não acolhido que tanto irritou o são-bernardense. Que lei Morando pediu que se infringisse? Mesquita deve comparecer à delegacia mais próxima e relatar a proposta indecente que recebeu. Se não for espontaneamente, deve ser obrigado a fazê-lo, sob vara.

Há uma CPI instalada na Assembleia Legislativa para apurar as razões de a Enel ter deixado no escuro, por quase uma semana, moradores das cidades em que atua, inclusive as sete do Grande ABC, depois da tempestade que atingiu a Região Metropolitana no meio da tarde do dia 3. A deputada estadual Carla Morando (PSDB), mulher de Orlando Morando, é a relatora da comissão. Ela tem legitimidade, portanto, para propor ao grupo que investigue – de duas, uma – se Mesquista fez falsa acusação ou qual foi o crime que seu marido solicitou, na solidão do gabinete, ao executivo da concessionária. Quem sabe a resposta não ajude a explicar por que os serviços públicos funcionam tão mal no Brasil.




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