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Especialistas avaliam soluções às reclamações dos motoristas do SAI

Professores citam alternativas ao alto preço do pedágio, congestionamentos e alto fluxo de caminhão

Renan Soares
Do Diário do Grande ABC
19/11/2023 | 11:03
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Alto número de caminhões é motivo de reclamações; fato foi registrado pelo Diário nos últimos dias (FOTO: Claudinei Plaza/DGABC)


Na última semana, o Diário percorreu as rodovias do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), gerido pela Ecovias, constatando irregularidades e ouvindo os usuários. Reclamações como alto preço do pedágio, conservação do sistema, congestionamentos e alto volume de caminhões foram apontados e usados como tema para debate com especialistas da área, que listaram possíveis soluções para os problemas enfrentados pelos motoristas.

O professor da FECFAU-Unicamp (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas), Creso de Franco Peixoto, cita alternativas para a maior reclamação atualmente dos usuários do SAI: o preço do pedágio. O especialista diz que é possível uma mudança no preço, desde que os contratos atuais sejam readequados, com diálogo entre o governo estadual e a concessionária, e sugere uma alternativa para que a empresa seja convencida, com contrapartida por meio de outorgas – concessão de um direito, poder ou autoridade por uma entidade competente a outra parte.

“Que tal dar um bom desconto de pedágio para quem viajar de madrugada? É claro que a concessionária não vai encarar isso como algo bom se não houver uma contrapartida. É uma engenharia econômica, quando a concessionária investe, o Estado tende a devolver a outorga, como, por exemplo, ao invés de ficar 20 anos (na concessão), fica 28, porque o preço que a empresa gastou para fazer um investimento ganha de volta na forma de melhoria, e o custo que se teve retorna por meio do pedágio cobrado nos outros anos”, afirma o especialista.

Para Rafaela de Almeida, mestre em gestão urbana e professora da Uninter (Centro Universitário Internacional), engarrafamentos nas rodovias, como os vistos na últimas semana, revelam dois dos principais gargalos do sistema de transporte: o primeiro deles é o saturação das estradas e o segundo é a fragilidade da infraestrutura das rodovias. Ela cita principalmente o fato de a maioria das mercadorias comercializadas no Brasil ainda depender do transporte rodoviário, sendo cerca de 61% do total.

“Temos rodovias onde o veículo de carga compete com os de passeio, e quando temos o aumento no número de veículos particulares há a saturação. Temos questões de estrutura também, como pavimentação e manutenção, como buracos, e problemas na sinalização e iluminação, muitas vezes presentes. Tem de haver a mudança de modal, estamos em um País onde não tem mais como ampliar muito a malha rodoviária, e temos cada vez mais um número maior de carros particulares, temos que tirar os veículos de carga para outros modais”, afirma Rafaela.

Ela cita os modais marítimos e ferroviários como alternativas para a escoamento do trânsito gerado por caminhões, mas afirma que tem de haver investimentos nestas novas soluções, já que os atuais serviços ainda não suportam a demanda. “No entanto, isso deve ser apenas o começo de um esforço contínuo para enfrentar os desafios e gargalos do sistema de transporte, garantindo maior segurança para seus usuários e maior eficiência logística”, completa a especialista, que afirma que pode haver uma diminuição nos preços de produtos com a migração.

GRAÕS

Em sua dissertação de mestrado em Engenharia Mecânica pela Unisanta, (Universidade Santa Cecília), em 2019, o professor de logística Eduardo Lustosa destacou o transporte pneumático de soja a granel, dando uma alternativa para a locomoção dos mesmos. O item seria transportado de Paranapiacaba, em Santo André, para o Porto de Santos por meio de uma corrente de ar de um sistema de tubulação, que funcionaria em alta potência. Segundo o estudo, “uma malha com 22 tubos de aço são suficientes para o deslocamento de 1.000 t/h de soja, equivalentes à média mensal de 20.571 caminhões e 12.000 vagões ferroviários, com economia superior a R$19 milhões em frete rodoviário”.

“Nosso primeiro objetivo é otimizar todos os modais, sejam eles ferroviários, hidroviários e dutoviário, então se você conseguir usar o máximo possível essa capacidade há uma maximização no potencial e eficiência logística. O segundo é permitir que essa região da Vila de Paranapiacaba consiga absorver quase 30 milhões de toneladas de soja por ano, e com isso passamos a oferecer um serviço diferenciado para o exportador, sem precisar descer a serra, que já tem fluxo quase superior que a capacidade total, com congestionamentos no SAI”, explica Lustoza, que também faz parte da diretoria do Porto de Santos, e que agora vai avançar os estudos de viabilidade.

Sobre os itens citados pelos especialistas, a Ecovias afirma que todos tratam de “questões relacionadas a políticas públicas e devem ser avaliadas pelos órgãos competentes”. Por esse motivo, o Diário contactou o DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo), que não respondeu até o fechamento da reportagem.




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