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Aditivos químicos: qual é a tolerância?
Por Antônio Carlos do Nascimento
23/10/2023 | 10:27
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Parte da graça de viver se origina em nossas diferenças, então para a mesma paisagem existem vários olhares e inúmeros entendimentos. De outro lado, a exatidão da matemática não permite que modifiquemos os números finais no resultado de uma equação. Entre estas duas considerações o inofensivo e o perigoso flutuam a mercê de confusas métricas.

 Vê-se galopante aumento nos percentuais de muitas doenças, notadamente obesidade, cânceres de várias linhagens e comprometimentos neurológicos na infância, observações que deflagraram a procura de possíveis e prováveis causas para esta preocupante estatística. 

Por todo o mundo existem instituições governamentais responsáveis pela regulamentação e aprovação de medicamentos, normas sanitárias e indústria alimentícia, com regras adotadas presumivelmente sob respaldo científico.

Então, de tempos em tempos algum agente químico, comumente presente em comestíveis ultraprocessados, é expulso de domínios por estabelecer possível ou provável conexão com patologias em seres humanos, sem que a conduta progrida imediatamente para consenso universal. 

No último dia 7 de outubro foi a vez do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, proibir o uso alimentar de óleo vegetal bromado, bromato de potássio, propilparabeno e eritrosina, compostos vetados há tempos na Europa e alguns países dos outros continentes, enquanto no Brasil os dois últimos são ainda permitidos.

O propilparabeno (grupo químico composto por algumas substâncias), utilizado em cosméticos e alimentos ultraprocessados, possui capacidade de interferir em eixos hormonais, com vários estudos estabelecendo sua relação com câncer de mama e obesidade. 

A eritrosina, assim como grande número de corantes utilizados no processamento de alimentos, é capaz de interferir em eixos hormonais e conceber potencial cancerígeno e obesogênico, porém, acumula suspeita adicional de causar toxicidade celular direta, especialmente no sistema nervoso central. Este produto tem sido frequentemente associado com o desencadeamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças.

Para estas e tantas outras substâncias as discussões nas agências reguladoras pairam sobre quais seriam os níveis seguros de consumo, todavia, por não contar com a exatidão da matemática, balançam entre os argumentos de interesses comerciais.

Em meio aos debates centralizados majoritariamente nas perdas e danos de acionistas, restamos nós, que nestas dúvidas não temos espaço para divergências e ao menos em nossas mesas, fica determinado tolerância zero para os ultraprocessados e seus aditivos químicos!

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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