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A credibilidade em foco
Por Rodermil Pizzo
11/10/2023 | 15:24
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O turismo é um dos segmentos da economia que mais tem gerado desconfiança no mercado consumidor ao longo dos anos e acumula milhares de processos e reclamações sem soluções. Caso não saibam, ainda existem clientes que não foram reembolsados pelas empresas de turismo dos cancelamentos da pandemia, que já se encerrou há dois anos.

A falta de um rigor político, somada à desorganização fiscal e à falta de uma punição exemplar com as empresas que lesam e lesaram seus clientes, promove uma onda de impunidade e a certeza de que tudo acaba em pizza, quando o assunto é justiça. Muitos não se recordam, todavia, de que as empresas de aviação são uma das recordistas em abandonar os clientes e deixá-los, literalmente, sem chão e sem viagem.

Se buscarmos na memória, iremos encontrar os abandonados da Vasp (Viação Aérea de São Paulo). Tanto os ex-funcionários quanto os passageiros nunca conseguiram resolver esta equação de indenização e a grande maioria desistiu totalmente de seguir brigando judicialmente.

Junto com o coro dos desiludidos da Vasp se encontram os passageiros da Transbrasil, da Rio-Sul, da Sky Jet, Air Vias, Tropical, Itapemirim e Avianca. Tenho certeza de que, se procurarmos os processos que ainda correm judicialmente, encontraremos milhares e milhares de consumidores, que até o dia de hoje seguem sem solução para seus casos, engrossando o coro dos desalentados.

Na mesma toada, algumas operadoras também já marcaram presença no universo do abandono do cliente. Quem não se recorda dos viúvos e viúvas da Costa Viagem, Soletur, Panorama, Mundirama, Aritana, Atti e dezenas de outras operadoras, bem como as centenas, se não milhares, de agências de viagens e agentes freelancers que nunca honraram seus compromissos assumidos?

Com as desculpas corriqueiras e permissivas por lei, empresas gigantes apelam quando surgem os problemas e não conseguem honrar seus compromissos, com o discurso de falência, recuperação judicial etc. Com estas estratégias, burlam as leis e ganham tempo em processos intermináveis. O turismo de massa não tem funcionado no Brasil. Os golpes aplicados por grandes corporações ficam sem punição nenhuma e ainda derrubam e destroem a credibilidade do setor. Alguém tem dúvidas de que os abandonados na roda dos escárnios da Hurb – Hotel Urbano e 123 Milhas terão o mesmo fim?

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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