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Mounjaro x Ozempic: para quê ou para quem?
Por Antonio Carlos do Nascimento
08/10/2023 | 15:09
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Originalmente concebida para o tratamento do diabetes tipo 2, a Liraglutida (Victoza), utilizada em injeções subcutâneas diárias, rapidamente foi validada como medicamento antiobesidade, recebendo o nome de Saxenda.

Este fármaco é cópia quase exata de um hormônio produzido em nossas células intestinais do setor absortivo de nutrientes, que possui função de otimizar a produção de insulina de acordo com a demanda glicêmica e adicionalmente age nos setores cerebrais de fome e saciedade, sinalizando para a suspensão da ingesta alimentar. 

A Liraglutida foi parcialmente modificada para o surgimento da Semaglutida, princípio ativo ainda mais revolucionário, especialmente pela posologia de uma aplicação semanal e estrondoso potencial de emagrecimento. Tal qual a substância que lhe deu origem, foi inicialmente aprovada para o diabetes tipo 2, atendendo pelo nome de Ozempic, para em pouco tempo ser adotado oficialmente no combate à obesidade, então Wegovy, aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas ainda não disponível em nossas farmácias nesta embalagem.

Nenhum remédio antiobesidade seria tão ovacionado quanto a Semaglutida, mas tudo indica que seus dias de protagonismo absoluto estão terminando. 

Em matéria para esta coluna em 9 de maio de 2022, intitulada “Tirzepatide: fuzilamento da obesidade?”, reportei estudo de 72 semanas com Tirzepatide, que em sua dose máxima (15 mg, subcutâneo, uma vez por semana) alcançou perda ponderal em torno de 22,5%, percentual que até aquele momento projetávamos apenas para pacientes submetidos a cirurgias bariátricas. 

Poucos dias depois, 13 de maio de 2022, o FDA (Food and Drug Administration), concederia sua licença de comercialização em território americano com o nome de Mounjaro e indicado para o tratamento de diabetes tipo 2. A autorização para este fim foi balizada pelos resultados verificados no estudo da população diabética, que na dose de 15mg por semana apresentou redução de peso com média de 15% (diabéticos emagrecem menos) e decréscimo fabuloso na hemoglobina glicada, possibilitando que quase 50% de seus usuários alcançassem o nível normal deste exame (<5,7%).

A Anvisa aprovou a utilização do Mounjaro em nosso território no último 23 de setembro e desde então é objeto de desejo de número brutal de brasileiros, curiosamente, poucos dos confessos pretendentes são diabéticos. 

Assemelha-se à estrutura química de seus concorrentes, mas possui efeito suplementar conferido por setor de sua molécula capaz de exercer função adicional, tornando-o mais potente que seus pares para o controle glicêmico e perda de peso, sendo questão de tempo para que seja consentido para o enfrentamento da obesidade, porém, com preços também inalcançáveis para a maior parte dos brasileiros.

De outro lado, agrada muito que esta nova alternativa possua apenas um nome para suas apresentações, pois, quando oficializado em sua amplitude terapêutica, todos compreenderão que o Mounjaro que trata o diabetes tipo 2 é o mesmo que pode ser utilizado para o emagrecimento. 

Estaremos protegidos dos desinformados que sugeriram em várias mídias que a Semaglutida comercializada como Ozempic não pudesse ser utilizada em pacientes obesos sem diabetes, algo como afirmar que o nome fantasia possa modificar a ação do fármaco!




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